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 BARATA ELETRICA

 numero 8 - dezembro/1995

 http://www1.webng.com/curupira/index.html  Email derneval@gmail.com

 BARATA ELETRICA, numero 8
 Sao Paulo, 20 de dezembro, 1995

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 Creditos:
 --------

 Este jornal foi escrito por Derneval R. R. da Cunha
 Com as devidas excecoes, toda a redacao e' minha. Esta' liberada a copia
 (obvio) em formato eletronico, mas se trechos forem usados em outras
 publicacoes, por favor incluam de onde tiraram e quem escreveu.

 DISTRIBUICAO LIBERADA PARA TODOS, desde que mantido o copyright e a gratu-
 idade. O E-zine e' gratis e nao pode ser vendido (senao vou querer minha
 parte).

 Para contatos (mas nao para receber o e-zine) escrevam para:

 rodrigde@spider.usp.br (liberaram para divulgacao)
 informatica-jb da esquina-das-listas@dcc.unicamp.br ou:
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 Correio comum:

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 CEP 01061-970
 Sao Paulo - SP
 BRAZIL

 Numeros anteriores:

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 http://www.eff.org/pub/Publications/CuD/Barata_Eletrica

 NO BRASIL:

 http://curupira.webng.com/ufsc/cultura/barata.html
 ftp://ftp.ufba.br/pub/barata_eletrica

 MIRRORS - da Electronic Frontier Foundation onde se pode achar o BE
 /pub/Publications/CuD.

 UNITED STATES:
 etext.archive.umich.edu in /pub/CuD/Barata_Eletrica
 ftp.eff.org in /pub/Publications/CuD/Barata_Eletrica
 aql.gatech.edu in /pub/eff/cud/Barata_Eletrica
 world.std.com in /src/wuarchive/doc/EFF/Publications/CuD/Barata_Eletrica
 uceng.uc.edu in /pub/wuarchive/doc/EFF/Publications/CuD/Barata_Eletrica
 wuarchive.wustl.edu in /doc/EFF/Publications/CuD/Barata_Eletrica
 EUROPE:
 nic.funet.fi in /pub/doc/cud/Barata_Eletrica
 (Finland)
 (or /mirror/ftp.eff.org/pub/Publications/CuD/Barata_Eletrica)
 ftp.warwick.ac.uk in /pub/cud/Barata_Eletrica (United Kingdom)
 JAPAN:
 ftp.glocom.ac.jp in /mirror/ftp.eff.org/Publications/CuD/Barata_Eletrica
 www.rcac.tdi.co.jp in /pub/mirror/CuD/Barata_Eletrica

 OBS: Para quem nao esta' acostumado com arquivos de extensao .gz:
 Na hora de fazer o ftp, digite binary + enter, depois digite
 o nome do arquivo sem a extensao .gz
 Existe um descompactador no ftp.unicamp.br, oak.oakland.edu ou em
 qualquer mirror da Simtel, no subdiretorio:

 /SimTel/msdos/compress/gzip124.zip to expand it before you can use it.
 Uma vez descompactado o arquivo GZIP.EXE, a sintaxe seria:
 "A>gzip -d arquivo.gz

 No caso, voce teria que trazer os arquivos be.??.gz para o
 ambiente DOS com o nome alterado para algo parecido com be??.gz,
 para isso funcionar.

 NO BRASIL:
 http://curupira.webng.com/ufsc/cultura/barata.html

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 ULTIMO RECURSO, para quem nao conseguir acessar a Internet de forma direta,
 mande carta (nao exagere, o pessoal e' gente fina, mas nao e' escravo, nao
 esquecam aqueles encantamentos como "please" , "por favor" e "obrigado"):

 drren@conex.com.br
 wjqs@di.ufpe.br
 aessilva@carpa.ciagri.usp.br
 dms@embratel.net.br
 clevers@music.pucrs.br
 rgurgel@eabdf.br
 invergra@turing.ncc.ufrn.br

 CREDITOS II :
 Sem palavras para agradecer ao pessoal que se ofereceu para ajudar na
 distribuicao do E-zine, como os voluntarios acima citados, e outros,
 como o sluz@ufba.br (Sergio do ftp.ufba.br), e o delucca do www.inf.ufsc.br
 q. talvez estao arriscando a ira dos superiores, ao disponibilizar para o
 resto dos brasileiros este material. Muito obrigado. Espero continuar
 agradando. A propria existencia desse pessoal e' um sinal para mim de que
 vale a pena continuar escrevendo, enquanto puder fazer isso). Valeu tambem
 o Leandro do Zine Alternetive, que me entrevistou.

 OBSERVACAO: Alguns mails colocados eu coloquei sem o username (praticamente
 a maioria) por levar em conta que nem todo mundo quer passar por
 colaborador do BE. Aqueles que quiserem assumir a carta, mandem um mail
 para mim e numa proxima edicao eu coloco.

 INTRODUCAO:
 ===========

 Oi, gente. O numero 8 demorou. Quase nao sai. Sinceramente. Provas,
 problemas financeiros e de habitacao. Sem falar em problemas medicos.Serio.
 Isso em final de curso. O que a gente nao faz pelos fas. De ferias, to com
 um pouco mais de tempo, da' pra pensar em fazer algumas coisas. Como pensar
 na reuniao de hackers.
 To virando noticia. Apareci na TV, na Super Interessante, numa entrevis
 p. Radio Eldorado AM .. so' falta o Jo^ Soares. Um dia, quem sabe? Um amigo
 me chamou de Anti-hacker, por gana de ficar famoso. Mas tenho que divulgar
 minha mensagem. So' assim chego la'. E quero fazer o pessoal no Brasil se
 reunir, trocar ideias, aprender em conjunto. Fazer uma Hacker Conference no
 pais.
 Falando nisso, recebi e-mail de Recife. Nada mais nada menos do que o
 primeiro rato de computador pego fazendo break-in. Nao me deu permissao pra
 usar a carta dele e respeitei. Parece que a captura dele foi bem mais ela-
 borada. Ou pelo menos e' o que fala. De acordo com ele, a VEJA publicou uma
 versao inteligivel, porem fantasiosa, da coisa. Nao falou do acesso root e
 umas coisas mais. Fiquei contente em saber que pelo menos o e-zine chegou
 ate' la'. Dei para ele o direito de escrever se defendendo, ele recusou.
 Mas mudando de assunto: e o Sivam? Sei la'. Tenho uma opiniao formada
 sobre esse escandalo. E nao vou comentar. E' coisa do governo. Falando em
 governo, tem um otimo texto do Henry David Thoreau:

 "The mass of men serve the state thus, not as men
 mainly, but as machines, with their bodies. They are the
 standing army, and the militia, jailers, constables, posse
 comitatus, etc. In most cases there is no free exercise
 whatever of the judgement or of the moral sense; but they
 put themselves on a level with wood and earth and stones;
 and wooden men can perhaps be manufactured that will serve
 the purpose as well. Such command no more respect than men
 of straw or a lump of dirt. They have the same sort of
 worth only as horses and dogs. Yet such as these even are
 commonly esteemed good citizens. Others--as most
 legislators, politicians, lawyers, ministers, and
 office-holders--serve the state chiefly with their heads;
 and, as the rarely make any moral distinctions, they are as
 likely to serve the devil, without intending it, as God. A
 very few--as heroes, patriots, martyrs, reformers in the
 great sense, and men--serve the state with their consciences
 also, and so necessarily resist it for the most part; and
 they are commonly treated as enemies by it."

 Sem duvida um pensamento radical. A todos voces, um feliz Natal.

 INDICE:
 =======

 INTRODUCAO
 BATALHA PELA MENTE
 A REDE - O FILME E SUAS METAFORAS
 CAOS COMPUTER CLUB
 HACKING CHIPS ON CELULAR PHONES
 UNAUTHORIZED ACCESS - O DOCUMENTARIO
 THE BULGARIAN AND SOVIET VIRUS FACTORIES
 CARTAS - DICAS <As noticias ocupavam espaco demais>
 BIBLIOGRAFIA

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 BATALHA PELA MENTE
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 E' uma coisa dificil de explicar. Quando voce consegue entender.. fica
 dificil aceitar. Sua vida muda. A cabeca gira. E o mundo da' voltas. Mas
 existe. Como e' muito complicado, vamos por partes (Jack The Ripper).
 Como definir o que e' a realidade? Vamos analizar em um nivel bem
 basico: se voce esta' lendo este texto, esta' usando os olhos, certo? Se
 esta' lendo no micro, esta' tambem usando o teclado, caso contrario pode ou
 nao estar usando as maos. Pode sentir pelo tato que esta' ou nao segurando
 o texto. Mas tem um detalhe a mais. O texto esta' em portugues e voce sabe
 ler. E esta' curioso sobre o conteudo. Por isso continua lendo. Se concorda
 ou nao concorda, e' indiferente. Talvez o meu texto consiga prender sua
 atencao ate' o final. Talvez voce tenha um compromisso e deixe o texto para
 mais tarde. Em outras palavras, nao e' algo importante. De qualquer forma,
 uma coisa voce tem razoavel certeza. Este texto existe. Nao e' produto da
 sua imaginacao.
 Vamos supor que o papel que contem este texto desapareca. Seu irmao ou
 irma pegou. Pior, formataram o disquete. E sua conta Internet esta'
 bloqueada. Para piorar o quadro, ninguem nunca ouviu falar do e-zine Barata
 Eletrica. Nem seus amigos se lembram de ter ouvido voce comentar sobre este
 zine. Pronto. Voce nao tem como saber se este artigo aqui nao faz parte de
 sua imaginacao. Daqui a algum tempo, talvez ele nao faca diferenca, ficou
 perdido em algum canto esquecido da memoria.
 Vamos agora pegar uma noticia na TV. A TV, como voce sabe, e' uma
 caixinha de Pandora. Pode-se escolher o canal que se quer assistir e
 dependendo do horario, ouvir e ver as noticias. Mas o que aparece la' nao
 e' necessariamente o que esta' acontecendo agora. O que esta' la' e' fruto
 de um esforco em equipe, onde um sujeito, o reporter, foi ao local do
 acontecimento, junto com um cameraman, eles juntos filmaram um evento, a
 fita foi editada, enviada para a estacao de TV, para ser transmitida,
 apos um anuncio por outro reporter, que e' o chamado "ancora" da estacao.
 Nao e' um sujeito que por telepatia sabe a noticia e relata ao publico.
 Dependendo da reportagem, se composta de duas testemunhas, voce escuta as
 duas testemunhas. Vamos transportar isso para algo mais simples.
 Se voce escuta uma fofoca, voce esta' ouvindo o relato de uma pessoa
 que te contou uma parte da noticia. Qualquer duvida, voce fara' questao de
 escutar a outra pessoa envolvida. E' uma noticia, mas como e' contada por
 outra pessoa que pode ou nao ter interesse na coisa, talvez tenha contado
 errado, talvez sei la'. Ao contrario da TV, fofoca e' uma coisa que a
 gente sempre duvida. Todo mundo sabe que "quem tem conto aumenta um conto".
 Mas vamos voltar ao lance da nocao do mundo real.
 Uma pessoa presa numa cadeira de rodas, um paraplegico, daqueles que
 so' pode ficar na frente da televisao, mas pode ouvir e falar, mas nao tem
 telefone. A nocao de mundo que o cara tem esta' entre quatro paredes. Toda
 a informacao nova dela depende das pessoas que o visitam. Se a gente coloca
 o cara num hospital, a realidade dele e' dormir, acordar, comer, e um nada
 qualquer o resto do tempo. Numa ilha deserta, sem ninguem, talvez nem isso.
 Okay. Ta' muito metaforico, isso. Vou colocar uns fatos. Existe uma
 experiencia famosa, feita no MIT, sei la' quanto tempo atras. Na colecao
 "Biblioteca Cientifica LIFE", livro de Psicologia, da' pra se checar a
 informacao. Sintetizando, alguns voluntarios foram colocados em salas de
 isolamento total. Nao se ouvia nada, nao se via nada, ninguem conversava
 com os caras. Alguns dos estudantes aguentaram as 24 horas do experimento.
 Na saida da sala, alguns teste. Um dos caras ficou um tempao tentando
 equilibrar um cigarro em cima de uma mesa. E'. Um cigarro. Nao, o cara nao
 tinha puxado um fumo ou ficado bebado durante a experiencia.
 A conclusao a que os caras chegaram e' que .. comer, beber, dormir,
 respirar, nao e' so' o bastante pra viver. As pessoas precisam de um
 "input", uma entrada de informacoes constante, diariamente. Quando voce
 anda na rua, existem centenas de informacoes que sao analizadas pelo
 cerebro: seu nariz interpreta cheiros, sua pele sente o contato da roupa,
 ha' barulhos que compoem o seu ambiente. Quando nao existe este "input",
 voce degenera. A NASA, quando treina seus astronautas para viagens
 espaciais tambem inclui esse tipo de experiencia de isolamento. A pessoa,
 desprovida por longos periodos de inatividade ou ausencia de sensacoes,
 alucina, da mesma forma que uma pessoa numa sessao de LSD.
 Okay. Vamos voltar ao cotidiano. As pessoas precisam esse impulso,
 essas sensacoes, vem de fora da pessoa, nao de dentro. O ambiente em que
 voce influencia sua cabeca. Todo mundo pode acreditar no que quiser, mas
 seus pensamentos, suas lembrancas, sao formadas em parte de coisas cuja
 importancia o cerebro aprendeu a ignorar. Isso da' muito material de
 discussao, mas o fato onde quero chegar e' que a maior parte das pessoas
 nao se da' conta dessa quantidade de informacao porque ela e' manipulada a
 nivel do inconsciente. Se voce sente um cheiro que nao gosta, o cerebro te
 avisa para voce poder tomar uma decisao e sair longe do cheiro (por
 exemplo). Na verdade, no caso especifico do olfato, essa sensacao so' dura
 30 segundos, depois tende a desaparecer.
 Como disse, isso acontece a nivel inconsciente. A mesma coisa acontece
 a nivel de imagem e de som. Se voce reagisse a todo tipo de imagem e de
 som, ir a um concerto de rock ou assistir TV era impossivel. Isso so'
 acontece porque o cerebro fica "indiferente" a um grande numero de imagens.
 Alias, aquilo que voce pensa que e' um filme, sao fotos expostas a razao de
 24 quadros por segundo. O cerebro consegue "ver" cada uma das fotos, mas
 acaba so' analisando as diferencas, o que da' uma sensacao de movimento.
 A nivel psicologico, o cerebro nao e' so' dividido entre o consciente
 racional e o inconsciente. Existe tambem uma terceira parte, que e' o
 produto da nossa interacao com o meio ambiente e sociedade. Por exemplo: eu
 gosto daquela pessoa. Entao ao ve-la, automaticamente sorrio e falo alguma
 coisa boa. Nao e' algo exatamente automatico ou treinado, mas e' um gesto
 aprendido e ensaiado. Se a pessoa esta' com a cara amarrada, nosso cerebro
 analisa a informacao. Por isso emite uma resposta como: " esta tudo bem?",
 mesmo que a pessoa nao comente nada.
 Interessante, ne'?
 Quer um pouco mais? Se voce se veste de forma errada, vamos supor que tem
 uma coisa nas suas costas. As pessoas talvez nao falem nada, mas voce vai
 sentir algo errado. Entendeu o principio da coisa? Isso e' voce respondendo
 a um estimulo inconsciente. Mas num jogo de futebol, por exemplo, existe o
 drible, antes de chegar no gol. O atacante faz todo um jogo para que o
 goleiro pense que a bola vai chegar num lugar diferente. Estimula uma
 reacao do goleiro, que pula num lugar diferente. A isso pode se chamar de
 varios nomes, mas estou colocando como exemplo de "manipulacao do
 inconsciente".
 Uma forma de analisar esse lance, e' observar comerciais de TV.
 Ninguem chega pra voce e fala que cigarro e' bom. Mesmo fumantes vao lhe
 dizer isso, embora o vicio seja uma coisa dificil de largar. Mas o que
 mostra uma propaganda de cigarro, por exemplo. Gente com um sorriso enorme
 no rosto. Situacoes parasidiacas, mulheres maravilhosas, sorridentes, em
 lugares como praias, gente embaixo d'agua, etc coisas que a grande maioria
 de nos, que trabalha das nove as cinco ou estuda, nao pode fazer. E aqui e
 ali, as cores da marca de cigarro. Mas veja bem: isso nao acontece uma
 unica vez. E' repetido N vezes. A maioria das pessoas nem repara nos
 detalhes de um comercial. Mas o corpo, este sonha com um descanso longe do
 escritorio que tem o ar condicionado quebrado. E talvez a pessoa sonhe com
 uma mulher com metade do corpo dquela manequim. Como disse, e' uma
 tentacao, mas nao e' uma unica vez que o comercial passa. Sao muitas vezes
 e .. opa! A pausa para comerciais comeca exatamente naquele minuto X em que
 a acao se desenrola no filme. E'. Entao, o comercial e' passado num
 instante em que, teoricamente seus olhos deveriam estar bem abertos.
 Voce pensa que e' so' na televisao que isto acontece? Na, na, na, nao.
 Isso acontece em revistas. Alias, o preco que voce paga por uma revista em
 banca nao e' o que sustenta o trabalho de se fazer a dita. Sao os anuncios.
 Algumas revistas sao metade anuncio, o texto e' uma forma de chamar a
 atencao para os produtos a venda. E de certa forma, o sujeito acaba tomando
 conhecimento dos artigos expostos. Sim. Nao precisa que todo mundo ao mesmo
 tempo preste atencao. Basta que as revendas saibam da existencia do
 produto. Se as revendas compram, nao importa que o fulano que le a revista
 compre. No momento em que ele decidir ir na loja e digamos, comprar um
 tenis qualquer, o que saiu na revista esta' com preco mais caro e mais a
 vista, exatamente porque o dono da loja comprou de alguem e quer ver uma
 grana p. garantir o dia-a-dia dele.
 Nao e' so' isso. Junto com a propaganda do Tenis, existe uma tematica
 associada. Entao o sujeito que compra o tenis, que por exemplo, o Mike
 Tyson diz que usa, por um jogo mental, se sente importante quando ve o
 comercial na TV. Por exemplo. Os amigos, que nao tem grana p. comprar o
 tenis, ficam com inveja, porque nao podem ter a mesma sensacao. O comercial
 e' uma lembranca clara "voce e' pobre". Existem comerciais que se dao conta
 disso e colocam que "nao e' o produto que e' caro, e' voce que ganha
 pouco", e por ai' vai. As empresas de propaganda trabalham com segmentos de
 mercado e ganham rios de dinheiro, exatamente porque sabem fazer batalhas
 em que conquistam o comprador, de forma consciente ou subconsciente.
 Facilitam a venda de um produto. Fazem com que o sujeito redefina todo o
 seu modo de vestir, num movimento chamado "moda" e se sinta inadequado sem
 ela. Nao que sempre tenham sucesso fazendo isso. Claro que as pessoas
 gostam de um comercial bem-feito. Ele foi feito para despertar uma simpatia
 por um produto. Tudo bem que a loira que anuncie aquela bebida na vida real
 nao saiba nem como assoar o nariz em publico (o ideal e' pedir licenca e
 assoar no banheiro, por falar nisso). Na propaganda ela e' a imagem da
 tentacao que o anunciante quer que o produto tenha.
 Isso acontece a nivel de filmes, tambem. Todos os jornais falam mal da
 CIA, por exemplo. Mas filme de espionagem e' algo sempre excitante, tem um
 mocinho e um bandido. E o bandido e' feio, cospe no chao, come criancinhas,
 etc.. As pessoas tendem a acreditar na ideia de que existe um bem e um mal.
 Procuram gente para assumir estes papeis. Pois bem, o cinema pode manipular
 de forma a tornar determinada imagem mais cosmetica. Antes da guerra do
 Vietna, pululavam filmes de guerra. Porque? Porque volta e meia, os EUA
 entravam em guerra ou mand(av)am seus fuzileiros navais pra algum lugar. E
 nao e' facil convencer alguem a mandar seu filho de 18 anos para ir morrer,
 num lugar sei la' onde. Ah, sim. Os filmes costumam ter cenas em que
 aparece uma mulher, enfermeira, oficial ou coisa que o valha, para que as
 mocas que vao assistir a fita nao se sintam ignoradas. Pode ser ate' um
 filme como Spartacus (do Stanley Kubrick). Tem uma historia de amor. Ou
 Rambo II, a vinganca. Talvez por isso nao se faca filme de guerra, no
 Brasil, entre outras razoes. Guerrear quem?
 Aonde eu quero chegar com tudo isso? Nao quero chegar muito longe. Se
 voce leu ate' aqui e' sinal de que consegui prender a sua atencao. Alguma
 coisa voce absorveu. Provavelmente, cedo ou tarde isso vai voltar a sua
 cabeca e sera' objeto de divagacao, quem sabe. E' ai' que eu queria chegar.

 A REDE - O FILME E SUAS METAFORAS
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 Aqueles que tiveram sorte me viram falando na TV no jornal do SBT, dando um
 opiniao sobre o filme "A REDE", em cartaz na cidade de Sao Paulo. E' um
 daqueles casos em que o roteirista parece ter trabalhado em algum jornal do
 tipo "Noticias Populares". O filme, que tem ate' uma pagina na Web, carrega
 uma mensagem muito simples: voce pode ser vitimado pelos hackers se mexer
 com software "proibido". Tem gente muito melhor do que eu enumerando os
 erros do filme, mas e' essa a mensagem basica. Tudo no filme e' exagerado
 ao extremo para construir um personagem, um simulacro de pessoa que deixa
 de existir, por acao de um grupo de gente que ela nunca viu na vida, mas
 que detem o acesso a uma "porta dos fundos" de um software de vigilancia.
 Pra encurtar a historia: a menina e' especialista em virus, bugs e
 problemas que pintam em programas recem-lancados no mercado (pelo visto,
 so' pra programas p. computadores Macintosh). No dia em que ela sai de
 ferias, mandam um programa p. ela que tem um cavalo-de-troia ou que acessa
 uma porta-dos-fundos do sistema mais comum de vigilancia (tipo firewall ou
 trip-wire) em uso. O cara que enviou o disquete morre num acidente de
 aviao, cujo sistema de navegacao foi adulterado. Primeira manipulacao de
 computador. La' no lugar onde ela veraneia, no ultimo dia, conhece um cara
 que na verdade e' pertencente ao grupo responsavel pelo programa.
 Pinta uma cena digna de novela da Globo e depois dessa, ela ta' num
 hospital sem os documentos, vai voltar pros EUA e comeca a descobrir que
 nao existe mais. Ou melhor, ate' existe, mas outra pessoa tomou o lugar
 dela. E a identidade que sobrou e' de alguem condenado por roubo, trafico,
 prostituicao, etc.. Ai', a unica pessoa que sabe quem ela e', e' um ex-
 namorado. Que ajuda-a com roupas e o basico para recomecar a procurar sua
 identidade, ja' que a casa dela foi vendida. Atraves do amigo, a mae dela,
 que sofre de amnesia senil, e' transferida para outro lugar. O amigo, sofre
 um problema medico, e' internado, recebe o medicamento errado e morre.
 Presa, teria que assumir a identidade falsa p. ter chance num julgamento,
 ou seria julgada como louca, alem de estelionataria e prostituta.
 Ela descobre ao longo do crime que existe uma organizacao criminosa,
 especie de "milicia" que esta' tentando se apoderar do poder atraves desse
 software, que seria tudo aquilo que a midia propagandeou que o SATAN
 permite fazer, dar acesso ilimitado a qualquer computador. Roda em MAC,
 inclusive. E e' essa milicia, representada pelo cara que paquerou-a nas
 ferias, que a persegue no filme inteiro. No final das contas, ela recupera
 a identidade, ao invadir um computador do governo e colocando nele um virus
 que apaga tudo.
 O filme tem umas sacadas interessantes, cativa. Mas o tempo todo esbarra
 em montes de coisas que nao tem nada a ver com a realidade. Mesmo la' nos
 EUA, nao e' tao facil mexer com a identidade de uma pessoa. Porem, pode ser
 interessante criar um tipo de acao onde isso seja possivel para justificar
 aquilo que o governo americano costuma fazer com aqueles que sao suspeitos
 de mexer com computadores do governo. O Chris Googans, da revista Phrack,
 deixou bem claro no seu discurso, no congresso de Hackers la' na
 Inglaterra. "Nao facam acesso ilegal nos EUA". Existem leis severas e mesmo
 que o cara nao saia preso, com certeza vai ser vigiado pelo resto da vida.
 Qualquer pessoa suspeita de mexer com acesso ilegal e' vigiado ate' que
 cometa algum crime. Ai' os caras enviam tudo, ate' helicoptero, equipes de
 SWAT na casa do sujeito. E'. Nao e' exagero. Claro que de vez em quase
 sempre, a pessoa "suspeita" de hacking tem catorze anos. Gente mais velha
 sabe como evitar ser descoberta e nao se mete a fazer besteiras. So' para
 se ter uma ideia, ha' muita, mas muita gente que duvida que o Mitnick seja
 responsavel pelo break-in no computador do Shimamura. Mas isso e' outra
 historia.
 Bem verdade que la' existe facilidade de acesso aos dados de qualquer
 um. E' quase tao facil quanto comprar um CDROM. So' que CDROM's, por
 exemplo nao sao apagaveis. Nao existe um software que "grave um CDROM"
 se o drive for apenas de leitura de CDROM, que e' o que acontece com os
 drives multimidia atualmente vendidos. Durante um tempo foi estocado em
 varios sites da rede, um software que prometia isso, mas era um cavalo-de-
 troia que destruia o disco rigido de quem pensasse que poderia gravar
 coisas em CDs. Da mesma forma, existe o mito de que hackers possam
 "brincar" com a identidade alheia. Besteira. Consultar sim, isso e'
 possivel. Alterar, so' as autoridades competentes. Talvez hajam casos em
 que atraves de propina, isso seja possivel. Engano de identidade, sim.
 Existe gente que ja' cumpriu pena por que foi confundida com outra pessoa.
 Mas isso sao outros quinhentos.
 E' possivel isso acontecer aqui no Brasil, as pessoas saberem tudo a
 seu respeito? Claro que e'. A pessoa que tem uma faxineira que vem uma vez
 por semana simplesmente "confia" toda a sua privacidade a alguem
 desconhecido. Ficou famoso o ano passado as historias de "faxineiras" que
 eram ladras. E em caso de sequestro isso tambem acontece. Essa coleta de
 informacoes nao e' feita por computador. Cursos de detetive por
 correspondencia ensinam como isso e' feito. Basta entrar numa agencia de
 correios e telegrafos. E existem conversas com pretexto, atraves do qual
 voce motiva a pessoa a revelar coisas importantes atraves de perguntas
 muito sutis. Os "hackers" chamam isso de Engenharia Social, mas e' uma
 forma sutil de interrogatorio. Quer saber dos problemas financeiros do
 fulano? Pergunta que que ele acha de comprar tal aparelho de som ou equipar
 seu computador com um multi-midia. Quer perguntar p. sua amiga se o
 namorado dela e' bom de cama, mas nao tem intimidade p. tanto? Comenta com
 uma terceira pessoa, na frente dela, que o sujeito parece meio
 inexperiente ou "desajeitado". Logico, se voce pergunta isso num IRC, a
 coisa fica mais complexa. Tem muita gente que nao se controla e ate' revela
 ate' o que a gente nao pergunta. E obvio, existem muitos, mas muitos
 truques para se avaliar uma pessoa.
 E' possivel a pessoal "tomar" sua identidade? E' meio estranho pensar
 que alguem consiga fazer qualquer coisa com os bancos de dados que existem
 sobre o cidadao. O cadastro da pessoa fisica, vulgo CPF, era inicialmente
 (se nao me engano) para movimentacoes financeiras somente. Embutido no
 numero do CPF existe uma formula matematica que permite avaliar se o numero
 e' mesmo da pessoa. So' que ja' houve escandalos com politicos tendo mais
 de tres numeros de CPF. De acordo com reportagem da Folha de Sao Paulo
 (6/11/95, 1-8), existem 7 milhoes de pessoas com o mesmo nome, 3 milhoes
 tem o mesmo nome e data de nascimento, 2 milhoes ainda nasceram no mesmo
 municipio, 42.200 se chamam Maria Jose' da Silva, 28.900 Maria Aparecida da
 Silva, 21.200 Jose' Carlos da Silva, etc.. Meu nome, que e' D-E-R-N-E-V-A-
 L, nao Demerval ou Denerval, tem varios na minha cidade, inclusive com
 sobrenome semelhante (Aqui em Sao Paulo, e' relativamente incomum, quando
 tirei minha carteira de trabalho, o sujeito me falou que D-E-R-neval era o
 primeiro que conhecia, em 28 anos de Ministerio do Trabalho), isso por
 exemplo. Ja' ouvi falar do caso de um sujeito que criou um cartao de
 credito com o nome de um milionario e usou como se fosse seu. Foi preso.
 Existem tambem casos de criminosos que ao matar a vitima, usam os
 documentos dela como se fossem seus. Ja' ouvi falar de gente que foi
 atropelada por policiais e que foi despojada de todos os documentos antes
 de ser entregue no Pronto-Socorro. Se morresse, seria enterrado como
 indigente. Desapareceria, em outras palavras, mas a familia procurou em
 tempo. Houve o caso famoso tambem de um sujeito, no Rio Grande do Sul, que
 viajou sem avisar e a mae reconheceu o cadaver de outra pessoa como seu. Na
 verdade, o cara tinha deixado um bilhete, que caiu no chao, foi varrido e
 iniciou a historia toda. Custou uma nota preta para desfazer. Virou ate'
 "Caso Especial" da Globo.
 Aqui no Brasil, quando alguem nasce, normalmente recebe um atestado de
 batismo, em alguma Igreja, e' registrado em Cartorio, num livro com paginas
 numeradas e que nao pode ser rasurado ou alterado. Tem tantos documentos
 que nem vale a pena comentar. A prefeitura de Sao Paulo por exemplo, estava
 lancando uma carteirinha de identificacao p. estudante primario. Tem a
 carteirinha da UNE, da UBES, tem o titulo de eleitor, etc. Nenhum desses
 servicos e' informatizado ainda. Sao papeis. Existe ou existia em Sao Paulo
 durante a ditadura (pode ter acabado) uma praca onde o sujeito podia
 "encomendar" para "despachantes", todo um conjunto de documentos falsos,
 por preco modico. Alias, com jeitinho, ate' alguns anos atras, era possivel
 "comprar" carteira de motorista falsa no Rio de Janeiro. O funcionalismo
 publico e' mal pago e o trabalho e' feito de forma arcaica. Tanto que
 existe a possibilidade de obter anulacao de casamento quando existe "erro
 de pessoa".
 Ta', isso nao responde se alguem poderia realizar na vida real, aquilo
 que foi feito no filme. Que que acontece quando sua carteira e' roubada?
 Voce tem que imediatamente produzir um boletim de ocorrencia na delegacia
 mais proxima. Se tiver um cartao de credito, telefonar para o numero
 indicado quando voce assinou os documentos e cancelar o(s) cartoes. O mesmo
 e' valido para taloes de cheque. O boletim de ocorrencia deve ser levado
 para o banco para sustar o pagamento dos cheques. Depois e' comecar o
 processo de reconstruir seus documentos. Leva tempo. Ja' ouvi falar de
 gente que foi roubada no centro de Sao Paulo e que pode "recomprar" os seus
 documentos, perguntando pra Deus e o mundo perto do local do assalto se os
 mesmos nao haviam sido encontrados. O desespero faz o milagre.
 Fazer as coisas On-line, isso so' no filme. Existe o SERPRO, Servico
 Federal de Processamento de Dados em Sao Paulo, que centraliza as
 informacoes. Existe um processo de modernizacao em andamento, mas essa
 centralizacao significa atender milhares de micros. Num sistema tao lento,
 qualquer consulta leva tempo.
 O que funciona On-line sao informacoes bancarias. O que torna o sigilo
 bancario algo essencial. Quando voce usa um cartao de credito, ele pode ser
 copiado por um funcionario. Existem "fabricas" clandestinas que
 confeccionam cartoes de credito falsos, mas identicos em quase todos os
 detalhes, ao cartao original. Isso foi materia de televisao ha' nao muito
 tempo. Houve um escandalo, em 94, acho, quando uma empresa que fabricava
 cartoes eletronicos tinha um grupo de funcionarios corruptos fazendo copias
 dos mesmos. Da' medo de entregar o cartao de credito para alguem. Mas isso
 nao e' tudo. A pessoa, quando compra algo com o cartao de credito paga uma
 fatura. Isso fica registrado. Nos EUA esse registro e' usado para se
 avaliar alguem, num emprego. La' todo mundo usa cartoes de credito. Se as
 pessoas sabem o que voce compra, sabem a sua personalidade, sabem quando
 voce atrasa suas contas, sabem quanto voce ganha. Quando voce escreve, aqui
 no Brasil, no verso do talao de cheques, onde voce mora (coisa que ja' me
 falaram ser uma frescura sem fundamento legal, teoricamente o numero do
 telefone e R.G. seriam suficientes p. identificacao) esta' liberando
 informacao a seu respeito. Afinal, com o RG, o CPF (que fica no talao de
 cheques) e o endereco, ja' se pode fazer muita coisa. O ideal e' sempre
 comprar usando dinheiro vivo e se recusar a comprar com cheque
 principalmente se pedirem o endereco no verso do talao. Por mais "coisa de
 pobre" que isso possa parecer. Com gente sendo morta por nao entregar a
 senha do cartao eletronico, tambem pode ser inteligente nao sair com o
 dito. Mas e o uso "fraudulento" dos seus dados?
 Um exemplo que ja' soube foi o caso de uma ex-namorada de um sujeito.
 Ela sabia que o cara estava dia tal, hora tal, no apartamento dele. Com
 outra garota nova. Encomendou um jantar completo no Golden Room do
 Copacabana Palace a ser entregue la'. Entregou o RG do cara p. legalizar
 a compra. Legal, ne'? O sujeito nao tinha tanto dinheiro assim.
 Outro exemplo e' entregar o numero de telefone p. qualquer um. Tem
 gente que fica sabendo e coloca um desenho de um ser humano de quatro no
 chao, com os dizeres: "Quase um Martini. Em qualquer hora, em qualquer
 lugar, com qualquer um". Ta' certo que revista erotica, hoje, nao aceita
 mais "anuncios eroticos" sem um pseudonimo e caixa postal, mais xerox de
 documentos e comprovacao de aluguel de caixa postal, senao eu iria colocar
 outra forma de usar o endereco de outra pessoa. Motel e' outro exemplo de
 lugar que se preocupa com o anonimato das pessoas. Voce entrega a carteira
 de identidade para alugar um quarto. Mas vamos voltar a Internet.
 Uma coisa que costuma pintar as vezes, tanto no IRC quanto no correio
 eletronico, nao sao apenas as pessoas que sabem muito a seu respeito. Ja'
 falei sobre isso num artigo anterior. Obvio, se voce frequentemente envia
 cartas p. o grupo Usenet tal, tal e tal, pessoas que frequentam tais grupos
 ja' tem uma ideia do seu gosto. E' possivel checar via programa ou ate'
 melhor, via e-mail, conseguir uma relacao de cada pessoa que posta cartas
 para newsgroups. Isso sao dados que podem ser usados para compor uma
 identidade virtual da pessoa. O Sysop do lugar onde voce tem conta internet
 pode fazer uma estatistica de quais programas voce acessa e por quanto
 tempo. A pessoa tem a ver com os Newsgroups e listas de discussao nas quais
 esta' inscrito ou se corresponde.
 Claro que a pessoa com quem voce se corresponde no IRC, naquele tao
 falado "namoro eletronico" pode nao ser o mesmo que voce acha que e'. Tem
 muita gente que usa pseudonimos (nickname) de sexo diferente de vez em
 quando, para experimentar ou ate' mesmo casos de criar um grupo de
 discussao com varios nicknames dos dois sexos, para atrair outras pessoas
 para a discussao. Existem formas de se esconder a identidade real (endereco
 e-mail). E ha' varios subterfugios para se enganar a pessoa com quem se
 fala. E' preciso ser hacker para se saber isso? Nao, qualquer pessoa que
 fuca muito, pergunta e se informa, acaba sabendo. Uma piada muito comum e'
 a do sujeito que comeca a receber correspondencias de uma menina que se
 assina "gatinha dengosa". Essa e' do tempo em que o Video-texto comecou. O
 sujeito comecava a se corresponder com um cara, falando o diabo. "Sou
 loira, olhos azuis, mas me acho muito feia", "Gosto de lidar com
 computadores", "Odeio gente que so' sabe falar de futebol", "Suas cartas me
 ajudam muito a compreender o assunto", "Imagino voce lindo, quero te
 conhecer". Esse tipo de correspondencia. E isso e' um cara enrolando o
 outro. Um dia um sujeito veio pedir p. passar na frente dele, para usar o
 terminal, na epoca comum em grandes shoppings, como o Eldorado (cheio de
 fila tambem). O motivo? Ver a cartinha que a "namorada eletronica" deixou
 para ele. Eu mesmo ja' parei de contabilizar o numero de pessoas que
 aparece do nada, e quer trocar correspondencia.
 Uma vez mantive correspondencia com uma. Mas tinha certeza razoavel da
 identidade "feminina". Pedi a uma amiga minha p. ler as cartas dela.
 Costuma funcionar. Uma mulher sabe quando e' outra mulher que esta'
 escrevendo. Tambem sabe quando a mulher ta' enrolando ou falando a serio.
 Quando se tem um pouco de idade, pode-se saber quando outra pessoa esta'
 enrolando ou falando a serio. Por isso, tem correspondencias que para mim,
 sao exercicio de enrolacao, nada do que falo e' 1) objetivo, 2)
 informativo, 3) serio, 4) inteligente. Correspondencia a serio, depende
 muito da pessoa. Existe namoro eletronico, isso existe. Conheco gente que
 ja' se encontrou no IRC, que nem aconteceu no Globo Reporter e na (argh!)
 novela da Globo. Existe um newsgroup para isso, o alt.romance, se nao me
 engano. Uma menina que postou anuncio de namoro la' recebeu cerca de 400
 propostas. Deve ser bom p. levantar o moral de alguem. Ou para encher a
 caixa postal de uma pessoa com junk-mail. Ah, sim. Fazer uma carta falsa e'
 um dos truques mais simples da Internet. E' uma das razoes pelas quais
 gente importante, tipo o presidente dos EUA tem uma especie de codigo que
 vai no subject: para identificacao. Se voce mandar um fake-mail para ele
 como se fosse uma pessoa da familia dele, sem o codigo, a correspondencia
 sera' ignorada.
 Mas ha' algumas formas de ter seus dados devassados, atraves da rede.
 Varias mensagens que estao aparecendo no newsgroup Sci.crypt e Comp.risks,
 alertam para o fato de que o Win95 e' um paraiso para "crackers". Nao vou
 colocar a lista, mesmo porque posso fazer depois um artigo em cima do
 assunto, mas alem do "espiao" que mencionei em artigo anterior (que ja'
 abre um leque de possibilidades), existem bugs no sistemas de acesso a rede
 Internet do sistema operacional que permitem a alguem de fora invadir o seu
 micro enquanto voce usa a rede.
 Bill Gates, no seu livro "A Estrada do Futuro", coloca bem claro o que
 ele pensa do assunto: "Seu micro de bolso sera' capaz de registrar audio,
 hora, lugar e ate' video de tudo o que acontecer com voce. Sera' capaz de
 gravar cada palavra que disser e cada palavra dita a voce, bem como
 temperatura corporal, pressao sanguinea, pressao barometrica e uma
 variedade de outros dados sobre o ambiente ao seu redor. Sera' capaz de
 controlar todas as suas interacoes com a estrada (de informacoes) - todos
 os comandos que voce emitir, as mensagens que enviar e as pessoas para as
 quais voce ligar ou que ligarem para voce". Em outras palavras, como disse
 a Barbara Gancia do jornal Folha de Sao Paulo "George Orwell e' pinto perto
 de Bill Gates. Existe uma versao mais completa na revista Veja de 18/11.
 Mas o fato e' que: se alguem roubar seu micro de bolso? Se alguem xerocar
 os dados do seu micro de bolso? Se alguem alterar os dados do seu micro de
 bolso? Ai' sim, nesse futuro, "The Net" se torna mais real. O livro "1984"
 tambem.
 Finalizando: o filme e' um bom thriller. Emociona, aquela coisa toda,
 as cenas de acao sao interessantes. Mas em termos de vida real, e' uma
 historia da carochinha. Tudo bem que a pessoa corre riscos a sua
 privacidade, usando a Internet. Mas isso sao riscos para os quais a pessoa
 poderia estar preparada para enfrentar, se tivesse um pouco mais de cabeca,
 e nao fizesse algumas besteiras. Nao e' porque alguem consegue uma conta na
 Internet que ira' ter toda a sua vida devassada e sujeita ao tipo de coisa
 que acontece nos filmes. Isso pode acontecer independente de se ter ou nao
 uma conta Internet. Pode ser que se for encontrada na conta um software
 "estranho", tipo Satan ou coisa do genero, haja algum tipo de perseguicao
 por causa do Sysop. Mas quem e' inteligente, nao mexe com isso no
 computador dos outros. E' so'.

 CAOS COMPUTER CLUB
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 Quando fui na Europa, fiz questao de ir conhecer esse pessoal. Sao uma das
 mais antigas associacoes de tarados por micro da Europa, com vario grupos
 em cidades famosas da Alemanha. Se reunem todas as tercas-feiras, para
 discutir sobre seguranca informatica, novos avancos em telecomunicacoes e
 computadores, de forma geral. Na verdade, os tempos de "cracking" ja'
 ficaram para tras e o grupo virou uma coisa ja' do Sistema, ajudando a
 empresas como instituicoes bancarias a desenvolver sistemas mais seguros e
 dificeis de serem "crackeados". Sao muito melhores do que gente saindo da
 Universidade, pelo simples fato de que fazem isso por prazer, nao por
 obrigacao.
 Eles publicam um folhetim, o "Datenschleuder - das wissenschaftliche
 Fachblatt fuer Datenresende". Ou Datenschleuder sozinho. Catapulta de
 dados, para quem nao sabe alemao. Na verdade, o inicio do grupo foi
 interessante. Comecou em Berlim, dividida em duas, com um monte de grupos
 "alternativos" pela defesa do meio-ambiente, contra intervencao americana
 na America Latina, etc. Havia muitos grupos de acao e muita imprensa
 alternativa. Eles comecaram a publicar alguns artigos sobre Hacking e
 seguranca de dados, coisa bem trivial. Depois que um artigo atingiu uma
 revista de grande porte, eles foram tao procurados que praticamente foram
 obrigados a iniciar a publicacao do seu zine. O interesse pelo assunto era
 muito grande. Como um grupo, discutiam virus de computador, break-ins,
 fraude telefonica, etc. Eles receberam muita publicidade, principalmente
 quando provaram a possibilidade de manipular o sistema bancario da epoca
 para conseguir dinheiro. Essa valeria a pena escrever um artigo, mas p.
 simplificar, eles nao desviaram dinheiro, fizeram uma manipulacao bancaria
 semelhante as que eram feitas no tempo do "Open Market". Com a diferenca de
 que eles nao tinham o capital que investiram. Era algo que podia ser feito
 eletronicamente e bastante simples. Apesar das boas intencoes e da
 divulgacao que fizeram a imprensa, a policia insistiu em vasculhar os
 escritorios da mocada.
 Outra foi a invasao de um computador da NASA. Essa foi um pouco mais
 ousada. Nao existe so' a rede Internet. Existem redes de computadores que
 trocam dados entre si, atraves de modem, que nao sao acessiveis via
 Internet. A Internet comecou com uma rede de computadores que deveria ser
 forte o bastante p. suportar a perda de varios elos da corrente de
 comunicacao. A FIDONET e' outro exemplo de rede de computadores
 interligados, que ate' alcanca a Internet, mas que tem o seu proprio
 trafego de mensagens. Da mesma forma, grandes empresas que usam
 computadores tem seus proprios sistemas de mensagens e coneccoes, algumas
 vezes usam coneccoes proprias. A NASA tem a sua rede de computadores, a
 DECnet. Mas como toda a rede, sempre exite um elo mais fraco. No caso,
 era um computador fora dos EUA. O pessoal do CCC conseguiu o acesso a um
 deles e usou este computador para colocar um cavalo-de-troia no computador
 americano. O mais interessante e' que atraves do cavalo-de-troia, eles
 podiam nao so' criar suas proprias contas no computador da NASA, mas usar o
 mesmo sem serem descobertos. Acabaram aparecendo quando um funcionario
 desconfiou e resolveu fazer uma estatistica do uso da maquina em
 determinado momento. E descobriu que, embora ninguem estivesse usando
 programas em quantidade o bastante, X por cento da capacidade da maquina
 estava sendo usado. O pessoal do CCC resolveu contar a imprensa o que
 tinham feito, como uma forma de garantia de que ninguem ia aparecer morto
 ou coisa do genero. Vale lembrar que havia tropas americanas em quantidade
 na Alemanha, naquela epoca e isso seria visto como crime de espionagem. Mas
 o uso nao foi malevolo, nao houve destruicao de dados ou venda posterior de
 segredos.
 Outra coisa foi aquilo que foi descrito no livro "Cuckoo's Egg" do
 Clifford Stoll. Um hacker alemao, conhecido do grupo, resolveu usar seus
 conhecimentos para vasculhar computadores americanos de defesa e vender
 essas informacoes para os sovieticos. Apareceu morto em circunstancias
 misteriosas. Muito misteriosas. A "filial" do CCC em Hamburgo vende uma
 copia dos papeis relatando o encontro do cadaver. Provavelmente ainda vou
 escrever sobre o caso.
 Mas tudo isso sao aguas passadas. Hoje, o CCC nao se envolve com
 ilegalidades de qualquer especie. As vezes, recebem telefonemas, relatando
 "fiz isso la'", etc. Mas os participantes das reunioes semanais, sempre
 regadas a "Mehrwegflaschen" de Coca-cola (coca-cola de litro), bebida
 predileta da mocada, sao algo impressionante. De vez em quando parece luta-
 livre, gente pega gente pelo pescoco, literalmente, mas na camaradagem.
 Uma pseudo-agressividade. Fiquei impressionado de descobrir que quando vao
 a congressos de Informatica, em cada palestra, um membro e' escalado para
 fazer um resumo da coisa, que e' depois arquivado para uso no fanzine ou
 sei la', consulta posterior. Conversei com varios integrantes e o pessoal
 tem as origens mais variadas possiveis: o Andy e' estudante de jornalismo,
 mas tem gente de Eletrtecnica, ate' Economia e Administracao. Gente de
 varias idades. Tinha umas vinte pessoas, no dia em que fui la', isso porque
 o pessoal estava de ferias e alguns tinham viajado. A grande preocupacao do
 grupo e' a midia, que insiste em entrevista-los como uma especie de
 "tecno-rebeldes". Recusaram uma aparicao na MTV exatamente p. prevenir
 este tipo de enfoque. Eles tem que preservar a imagem atual, de que
 "hacking" pode ser mais uma ajuda do que uma ameaca para a sociedade. Eles
 tem uma pagina WWW, se nao me engano no URL http://www.artcom.de/ccc.
 Entre outras coisas, o CCC e' um clube voltado para o avanco do trafico de
 dados. Antes da Internet se tornar uma possibilidade ate' mesmos uma possi-
 bilidade para a maioria, eles ja' trabalhavam em intercomunicacao de BBSES,
 como forma de ligar grupos pacifistas e em defesa do verde, coisa que hoje
 e' conhecida como Greennet. Isso foi durante a guerra do golfo. Mais que um
 club de hacking, era uma forma de difundir uma tecnologia improvisada, que
 hoje e' o "ultimo grito da moda". Os modens eram feitos por estudantes de
 eletronica. Jens, por exemplo: Durante a guerra ele ouviu noticias sobre
 uma BBS onde alguns ativistas se encontravam. Ficou interessado e comprou
 seu primeiro modem, para discutir com o grupo formas de melhorar o mundo.
 Quando a guerra na ex-Yugoslavia comecou um grupo viajou para la' para
 la' e a ideia era colocar os ativistas em contato atraves de correio
 eletronico. So' que para isso seria necessario instalar BBSes e elas teriam
 dificuldades para se comunicar umas com as outras. Ficou estabelecido entao
 que o grupo faria ligacoes interurbanas de Bielefeld para cada uma das
 BBSes para garantir o contato entre elas. Esta sendo montada agora uma em
 Sarajevo, mas esbarra edificuldades como falta de eletricidade e o fato
 de que as pessoas nao compreendem, acham que existem coisas mais
 importantes do que fazer teleconferencia no meio de bomba caindo. Mas os
 resultados estao aparecendo, sob forma de ajuda as equipes de socorro e
 apoio, que sao organizadas desta forma, alem de ajudar na busca de parentes
 separados pelo combate. Vale lembrar que nao existe comunicacao telefonica
 entre a Servia e a Croacia, e esse e' tambem um meio de organizar as
 equipes de ajuda, de primeiros socorros e colocar grupos pacifistas em
 contato.
 Parte desse esforco esta' detalhado no "Zagreb Diary" de Wam Kat. Ele
 dirigia um BBS em Zagreb, e durante tres anos a cada numero de dias enviava
 trechos descrevendo sua luta para manter o network funcionando. Uma amiga
 minha me informou que o sistema de comunicacao ficou tao bom que o pessoal
 em luta resolveu acabar com ele. Nao tive muitos detalhes e ainda nao
 cheguei no final do diario p. saber. Mas pela leitura do primeiro ano, nao
 so' foi um sucesso, mas que se manteve em pe' apesar das bombas e do resto.
 Nem todo mundo esta' voltado para o lado tecnico de hacking, nessas
 horas, alguns veem isso mais como uma forma de ajudar o proximo, um passo
 em direcao a um mundo sem diferencas etnicas. A Alemanha esteve durante
 muito tempo dividida e esses jovens do CCC de Bielefeld estao voltados para
 ajudar Servios e Croatas senao a acabar, pelo menos aliviar ou diminuir os
 sofrimentos causados pela guerra.

 (OBS: Este artigo e' meio datado. Comecei a produzi-lo durante agosto e
 setembro. Com os ultimos acontecimentos, a parte da guerra na ex-Yugoslavia
 perdeu um pouco a atualidade, ja' que pode a paz finalmente pode ter
 chegado)

 HACKING CHIPS ON CELLULAR PHONES IS THE LATEST THING IN THE DIGITAL
 ================================UNDERGROUND================================
 ===========

 by John Markoff

 In Silicon Valley, each new technology gives rise to a new generation of
 hackers. Consider the cellular telephone. The land-based telephone
 system was originally the playground for a small group of hardy
 adventurers who believed mastery of telephone technology was an end in
 itself. Free phone calls weren't the goal of the first phone phreaks.
 The challenge was to understand the system.

 The philosophy of these phone hackers: Push the machines as far as they
 would go.

 Little has changed. Meet V.T. and N.M., the nation's most clever
 cellular phone phreaks. (Names here are obscured because, as with many
 hackers, V.T. and N.M.'s deeds inhabit a legal gray area.) The original
 phone phreaks thought of themselves as "telecommunications hobbyists"
 who explored the nooks and crannies of the nation's telephone network -
 not for profit, but for intellectual challenge. For a new generation of
 mobile phone hackers, the cellular revolution offers rich new veins to
 mine.

 V.T. is a young scientist at a prestigious government laboratory. He has
 long hair and his choice in garb frequently tends toward Patagonia. He
 is generally regarded as a computer hacker with few equals. N.M. is a
 self-taught hacker who lives and works in Silicon Valley. He has
 mastered the intricacies of Unix and DOS. Unusually persistent, he spent
 almost an entire year picking apart his cellular phone just to see how
 it works.

 What V.T. and N.M. discovered last year is that cellular phones are
 really just computers - network terminals - linked together by a
 gigantic cellular network. They also realized that just like other
 computers, cellular phones are programmable.

 Programmable! In a hacker's mind that means there is no reason to limit
 a cellular phone to the paltry choice of functions offered by its
 manufacturer. That means that cellular phones can be hacked! They can be
 dissected and disassembled and put back together in remarkable new ways.
 Optimized!

 Cellular phones aren't the first consumer appliances to be cracked open
 and augmented in ways their designers never conceived. Cars, for
 example, are no longer the sole province of mechanics. This is the
 information age: Modern automobiles have dozens of tiny microprocessors.
 Each one is a computer; each one can be reprogrammed. Hot rodding cars
 today doesn't mean throwing in a new carburetor; it means rewriting the
 software governing the car's fuel injection system.

 This is the reality science fiction writers William Gibson and Bruce
 Sterling had in mind when they created cyberpunk: Any technology, no
 matter how advanced, almost immediately falls to the level of the
 street. Here in Silicon Valley, there are hundreds of others like V.T.
 and N. M. who squeeze into the crannies of any new technology, bending
 it to new and more exotic uses.

 On a recent afternoon, V.T. sits at a conference room table in a San
 Francisco highrise. In his hand