BARATA ELETRICA numero 8 - dezembro/1995 http://www1.webng.com/curupira/index.html Email derneval@gmail.com BARATA ELETRICA, numero 8 Sao Paulo, 20 de dezembro, 1995 --------------------------------------------------------------------------- Creditos: -------- Este jornal foi escrito por Derneval R. R. da Cunha Com as devidas excecoes, toda a redacao e' minha. Esta' liberada a copia (obvio) em formato eletronico, mas se trechos forem usados em outras publicacoes, por favor incluam de onde tiraram e quem escreveu. DISTRIBUICAO LIBERADA PARA TODOS, desde que mantido o copyright e a gratu- idade. O E-zine e' gratis e nao pode ser vendido (senao vou querer minha parte). Para contatos (mas nao para receber o e-zine) escrevam para: rodrigde@spider.usp.br (liberaram para divulgacao) informatica-jb da esquina-das-listas@dcc.unicamp.br ou: wu100@fim.uni-erlangen.de Correio comum: Caixa Postal 4502 CEP 01061-970 Sao Paulo - SP BRAZIL Numeros anteriores: ftp://ftp.eff.org/pub/Publications/CuD/Barata_Eletrica gopher://gopher.eff.org/11/Publications/CuD/Barata_Eletrica http://www.eff.org/pub/Publications/CuD/Barata_Eletrica NO BRASIL: http://curupira.webng.com/ufsc/cultura/barata.html ftp://ftp.ufba.br/pub/barata_eletrica MIRRORS - da Electronic Frontier Foundation onde se pode achar o BE /pub/Publications/CuD. UNITED STATES: etext.archive.umich.edu in /pub/CuD/Barata_Eletrica ftp.eff.org in /pub/Publications/CuD/Barata_Eletrica aql.gatech.edu in /pub/eff/cud/Barata_Eletrica world.std.com in /src/wuarchive/doc/EFF/Publications/CuD/Barata_Eletrica uceng.uc.edu in /pub/wuarchive/doc/EFF/Publications/CuD/Barata_Eletrica wuarchive.wustl.edu in /doc/EFF/Publications/CuD/Barata_Eletrica EUROPE: nic.funet.fi in /pub/doc/cud/Barata_Eletrica (Finland) (or /mirror/ftp.eff.org/pub/Publications/CuD/Barata_Eletrica) ftp.warwick.ac.uk in /pub/cud/Barata_Eletrica (United Kingdom) JAPAN: ftp.glocom.ac.jp in /mirror/ftp.eff.org/Publications/CuD/Barata_Eletrica www.rcac.tdi.co.jp in /pub/mirror/CuD/Barata_Eletrica OBS: Para quem nao esta' acostumado com arquivos de extensao .gz: Na hora de fazer o ftp, digite binary + enter, depois digite o nome do arquivo sem a extensao .gz Existe um descompactador no ftp.unicamp.br, oak.oakland.edu ou em qualquer mirror da Simtel, no subdiretorio: /SimTel/msdos/compress/gzip124.zip to expand it before you can use it. Uma vez descompactado o arquivo GZIP.EXE, a sintaxe seria: "A>gzip -d arquivo.gz No caso, voce teria que trazer os arquivos be.??.gz para o ambiente DOS com o nome alterado para algo parecido com be??.gz, para isso funcionar. NO BRASIL: http://curupira.webng.com/ufsc/cultura/barata.html ========================================================================== ULTIMO RECURSO, para quem nao conseguir acessar a Internet de forma direta, mande carta (nao exagere, o pessoal e' gente fina, mas nao e' escravo, nao esquecam aqueles encantamentos como "please" , "por favor" e "obrigado"): drren@conex.com.br wjqs@di.ufpe.br aessilva@carpa.ciagri.usp.br dms@embratel.net.br clevers@music.pucrs.br rgurgel@eabdf.br invergra@turing.ncc.ufrn.br CREDITOS II : Sem palavras para agradecer ao pessoal que se ofereceu para ajudar na distribuicao do E-zine, como os voluntarios acima citados, e outros, como o sluz@ufba.br (Sergio do ftp.ufba.br), e o delucca do www.inf.ufsc.br q. talvez estao arriscando a ira dos superiores, ao disponibilizar para o resto dos brasileiros este material. Muito obrigado. Espero continuar agradando. A propria existencia desse pessoal e' um sinal para mim de que vale a pena continuar escrevendo, enquanto puder fazer isso). Valeu tambem o Leandro do Zine Alternetive, que me entrevistou. OBSERVACAO: Alguns mails colocados eu coloquei sem o username (praticamente a maioria) por levar em conta que nem todo mundo quer passar por colaborador do BE. Aqueles que quiserem assumir a carta, mandem um mail para mim e numa proxima edicao eu coloco. INTRODUCAO: =========== Oi, gente. O numero 8 demorou. Quase nao sai. Sinceramente. Provas, problemas financeiros e de habitacao. Sem falar em problemas medicos.Serio. Isso em final de curso. O que a gente nao faz pelos fas. De ferias, to com um pouco mais de tempo, da' pra pensar em fazer algumas coisas. Como pensar na reuniao de hackers. To virando noticia. Apareci na TV, na Super Interessante, numa entrevis p. Radio Eldorado AM .. so' falta o Jo^ Soares. Um dia, quem sabe? Um amigo me chamou de Anti-hacker, por gana de ficar famoso. Mas tenho que divulgar minha mensagem. So' assim chego la'. E quero fazer o pessoal no Brasil se reunir, trocar ideias, aprender em conjunto. Fazer uma Hacker Conference no pais. Falando nisso, recebi e-mail de Recife. Nada mais nada menos do que o primeiro rato de computador pego fazendo break-in. Nao me deu permissao pra usar a carta dele e respeitei. Parece que a captura dele foi bem mais ela- borada. Ou pelo menos e' o que fala. De acordo com ele, a VEJA publicou uma versao inteligivel, porem fantasiosa, da coisa. Nao falou do acesso root e umas coisas mais. Fiquei contente em saber que pelo menos o e-zine chegou ate' la'. Dei para ele o direito de escrever se defendendo, ele recusou. Mas mudando de assunto: e o Sivam? Sei la'. Tenho uma opiniao formada sobre esse escandalo. E nao vou comentar. E' coisa do governo. Falando em governo, tem um otimo texto do Henry David Thoreau: "The mass of men serve the state thus, not as men mainly, but as machines, with their bodies. They are the standing army, and the militia, jailers, constables, posse comitatus, etc. In most cases there is no free exercise whatever of the judgement or of the moral sense; but they put themselves on a level with wood and earth and stones; and wooden men can perhaps be manufactured that will serve the purpose as well. Such command no more respect than men of straw or a lump of dirt. They have the same sort of worth only as horses and dogs. Yet such as these even are commonly esteemed good citizens. Others--as most legislators, politicians, lawyers, ministers, and office-holders--serve the state chiefly with their heads; and, as the rarely make any moral distinctions, they are as likely to serve the devil, without intending it, as God. A very few--as heroes, patriots, martyrs, reformers in the great sense, and men--serve the state with their consciences also, and so necessarily resist it for the most part; and they are commonly treated as enemies by it." Sem duvida um pensamento radical. A todos voces, um feliz Natal. INDICE: ======= INTRODUCAO BATALHA PELA MENTE A REDE - O FILME E SUAS METAFORAS CAOS COMPUTER CLUB HACKING CHIPS ON CELULAR PHONES UNAUTHORIZED ACCESS - O DOCUMENTARIO THE BULGARIAN AND SOVIET VIRUS FACTORIES CARTAS - DICAS BIBLIOGRAFIA --------------------------------------------------------------------------- BATALHA PELA MENTE ================== E' uma coisa dificil de explicar. Quando voce consegue entender.. fica dificil aceitar. Sua vida muda. A cabeca gira. E o mundo da' voltas. Mas existe. Como e' muito complicado, vamos por partes (Jack The Ripper). Como definir o que e' a realidade? Vamos analizar em um nivel bem basico: se voce esta' lendo este texto, esta' usando os olhos, certo? Se esta' lendo no micro, esta' tambem usando o teclado, caso contrario pode ou nao estar usando as maos. Pode sentir pelo tato que esta' ou nao segurando o texto. Mas tem um detalhe a mais. O texto esta' em portugues e voce sabe ler. E esta' curioso sobre o conteudo. Por isso continua lendo. Se concorda ou nao concorda, e' indiferente. Talvez o meu texto consiga prender sua atencao ate' o final. Talvez voce tenha um compromisso e deixe o texto para mais tarde. Em outras palavras, nao e' algo importante. De qualquer forma, uma coisa voce tem razoavel certeza. Este texto existe. Nao e' produto da sua imaginacao. Vamos supor que o papel que contem este texto desapareca. Seu irmao ou irma pegou. Pior, formataram o disquete. E sua conta Internet esta' bloqueada. Para piorar o quadro, ninguem nunca ouviu falar do e-zine Barata Eletrica. Nem seus amigos se lembram de ter ouvido voce comentar sobre este zine. Pronto. Voce nao tem como saber se este artigo aqui nao faz parte de sua imaginacao. Daqui a algum tempo, talvez ele nao faca diferenca, ficou perdido em algum canto esquecido da memoria. Vamos agora pegar uma noticia na TV. A TV, como voce sabe, e' uma caixinha de Pandora. Pode-se escolher o canal que se quer assistir e dependendo do horario, ouvir e ver as noticias. Mas o que aparece la' nao e' necessariamente o que esta' acontecendo agora. O que esta' la' e' fruto de um esforco em equipe, onde um sujeito, o reporter, foi ao local do acontecimento, junto com um cameraman, eles juntos filmaram um evento, a fita foi editada, enviada para a estacao de TV, para ser transmitida, apos um anuncio por outro reporter, que e' o chamado "ancora" da estacao. Nao e' um sujeito que por telepatia sabe a noticia e relata ao publico. Dependendo da reportagem, se composta de duas testemunhas, voce escuta as duas testemunhas. Vamos transportar isso para algo mais simples. Se voce escuta uma fofoca, voce esta' ouvindo o relato de uma pessoa que te contou uma parte da noticia. Qualquer duvida, voce fara' questao de escutar a outra pessoa envolvida. E' uma noticia, mas como e' contada por outra pessoa que pode ou nao ter interesse na coisa, talvez tenha contado errado, talvez sei la'. Ao contrario da TV, fofoca e' uma coisa que a gente sempre duvida. Todo mundo sabe que "quem tem conto aumenta um conto". Mas vamos voltar ao lance da nocao do mundo real. Uma pessoa presa numa cadeira de rodas, um paraplegico, daqueles que so' pode ficar na frente da televisao, mas pode ouvir e falar, mas nao tem telefone. A nocao de mundo que o cara tem esta' entre quatro paredes. Toda a informacao nova dela depende das pessoas que o visitam. Se a gente coloca o cara num hospital, a realidade dele e' dormir, acordar, comer, e um nada qualquer o resto do tempo. Numa ilha deserta, sem ninguem, talvez nem isso. Okay. Ta' muito metaforico, isso. Vou colocar uns fatos. Existe uma experiencia famosa, feita no MIT, sei la' quanto tempo atras. Na colecao "Biblioteca Cientifica LIFE", livro de Psicologia, da' pra se checar a informacao. Sintetizando, alguns voluntarios foram colocados em salas de isolamento total. Nao se ouvia nada, nao se via nada, ninguem conversava com os caras. Alguns dos estudantes aguentaram as 24 horas do experimento. Na saida da sala, alguns teste. Um dos caras ficou um tempao tentando equilibrar um cigarro em cima de uma mesa. E'. Um cigarro. Nao, o cara nao tinha puxado um fumo ou ficado bebado durante a experiencia. A conclusao a que os caras chegaram e' que .. comer, beber, dormir, respirar, nao e' so' o bastante pra viver. As pessoas precisam de um "input", uma entrada de informacoes constante, diariamente. Quando voce anda na rua, existem centenas de informacoes que sao analizadas pelo cerebro: seu nariz interpreta cheiros, sua pele sente o contato da roupa, ha' barulhos que compoem o seu ambiente. Quando nao existe este "input", voce degenera. A NASA, quando treina seus astronautas para viagens espaciais tambem inclui esse tipo de experiencia de isolamento. A pessoa, desprovida por longos periodos de inatividade ou ausencia de sensacoes, alucina, da mesma forma que uma pessoa numa sessao de LSD. Okay. Vamos voltar ao cotidiano. As pessoas precisam esse impulso, essas sensacoes, vem de fora da pessoa, nao de dentro. O ambiente em que voce influencia sua cabeca. Todo mundo pode acreditar no que quiser, mas seus pensamentos, suas lembrancas, sao formadas em parte de coisas cuja importancia o cerebro aprendeu a ignorar. Isso da' muito material de discussao, mas o fato onde quero chegar e' que a maior parte das pessoas nao se da' conta dessa quantidade de informacao porque ela e' manipulada a nivel do inconsciente. Se voce sente um cheiro que nao gosta, o cerebro te avisa para voce poder tomar uma decisao e sair longe do cheiro (por exemplo). Na verdade, no caso especifico do olfato, essa sensacao so' dura 30 segundos, depois tende a desaparecer. Como disse, isso acontece a nivel inconsciente. A mesma coisa acontece a nivel de imagem e de som. Se voce reagisse a todo tipo de imagem e de som, ir a um concerto de rock ou assistir TV era impossivel. Isso so' acontece porque o cerebro fica "indiferente" a um grande numero de imagens. Alias, aquilo que voce pensa que e' um filme, sao fotos expostas a razao de 24 quadros por segundo. O cerebro consegue "ver" cada uma das fotos, mas acaba so' analisando as diferencas, o que da' uma sensacao de movimento. A nivel psicologico, o cerebro nao e' so' dividido entre o consciente racional e o inconsciente. Existe tambem uma terceira parte, que e' o produto da nossa interacao com o meio ambiente e sociedade. Por exemplo: eu gosto daquela pessoa. Entao ao ve-la, automaticamente sorrio e falo alguma coisa boa. Nao e' algo exatamente automatico ou treinado, mas e' um gesto aprendido e ensaiado. Se a pessoa esta' com a cara amarrada, nosso cerebro analisa a informacao. Por isso emite uma resposta como: " esta tudo bem?", mesmo que a pessoa nao comente nada. Interessante, ne'? Quer um pouco mais? Se voce se veste de forma errada, vamos supor que tem uma coisa nas suas costas. As pessoas talvez nao falem nada, mas voce vai sentir algo errado. Entendeu o principio da coisa? Isso e' voce respondendo a um estimulo inconsciente. Mas num jogo de futebol, por exemplo, existe o drible, antes de chegar no gol. O atacante faz todo um jogo para que o goleiro pense que a bola vai chegar num lugar diferente. Estimula uma reacao do goleiro, que pula num lugar diferente. A isso pode se chamar de varios nomes, mas estou colocando como exemplo de "manipulacao do inconsciente". Uma forma de analisar esse lance, e' observar comerciais de TV. Ninguem chega pra voce e fala que cigarro e' bom. Mesmo fumantes vao lhe dizer isso, embora o vicio seja uma coisa dificil de largar. Mas o que mostra uma propaganda de cigarro, por exemplo. Gente com um sorriso enorme no rosto. Situacoes parasidiacas, mulheres maravilhosas, sorridentes, em lugares como praias, gente embaixo d'agua, etc coisas que a grande maioria de nos, que trabalha das nove as cinco ou estuda, nao pode fazer. E aqui e ali, as cores da marca de cigarro. Mas veja bem: isso nao acontece uma unica vez. E' repetido N vezes. A maioria das pessoas nem repara nos detalhes de um comercial. Mas o corpo, este sonha com um descanso longe do escritorio que tem o ar condicionado quebrado. E talvez a pessoa sonhe com uma mulher com metade do corpo dquela manequim. Como disse, e' uma tentacao, mas nao e' uma unica vez que o comercial passa. Sao muitas vezes e .. opa! A pausa para comerciais comeca exatamente naquele minuto X em que a acao se desenrola no filme. E'. Entao, o comercial e' passado num instante em que, teoricamente seus olhos deveriam estar bem abertos. Voce pensa que e' so' na televisao que isto acontece? Na, na, na, nao. Isso acontece em revistas. Alias, o preco que voce paga por uma revista em banca nao e' o que sustenta o trabalho de se fazer a dita. Sao os anuncios. Algumas revistas sao metade anuncio, o texto e' uma forma de chamar a atencao para os produtos a venda. E de certa forma, o sujeito acaba tomando conhecimento dos artigos expostos. Sim. Nao precisa que todo mundo ao mesmo tempo preste atencao. Basta que as revendas saibam da existencia do produto. Se as revendas compram, nao importa que o fulano que le a revista compre. No momento em que ele decidir ir na loja e digamos, comprar um tenis qualquer, o que saiu na revista esta' com preco mais caro e mais a vista, exatamente porque o dono da loja comprou de alguem e quer ver uma grana p. garantir o dia-a-dia dele. Nao e' so' isso. Junto com a propaganda do Tenis, existe uma tematica associada. Entao o sujeito que compra o tenis, que por exemplo, o Mike Tyson diz que usa, por um jogo mental, se sente importante quando ve o comercial na TV. Por exemplo. Os amigos, que nao tem grana p. comprar o tenis, ficam com inveja, porque nao podem ter a mesma sensacao. O comercial e' uma lembranca clara "voce e' pobre". Existem comerciais que se dao conta disso e colocam que "nao e' o produto que e' caro, e' voce que ganha pouco", e por ai' vai. As empresas de propaganda trabalham com segmentos de mercado e ganham rios de dinheiro, exatamente porque sabem fazer batalhas em que conquistam o comprador, de forma consciente ou subconsciente. Facilitam a venda de um produto. Fazem com que o sujeito redefina todo o seu modo de vestir, num movimento chamado "moda" e se sinta inadequado sem ela. Nao que sempre tenham sucesso fazendo isso. Claro que as pessoas gostam de um comercial bem-feito. Ele foi feito para despertar uma simpatia por um produto. Tudo bem que a loira que anuncie aquela bebida na vida real nao saiba nem como assoar o nariz em publico (o ideal e' pedir licenca e assoar no banheiro, por falar nisso). Na propaganda ela e' a imagem da tentacao que o anunciante quer que o produto tenha. Isso acontece a nivel de filmes, tambem. Todos os jornais falam mal da CIA, por exemplo. Mas filme de espionagem e' algo sempre excitante, tem um mocinho e um bandido. E o bandido e' feio, cospe no chao, come criancinhas, etc.. As pessoas tendem a acreditar na ideia de que existe um bem e um mal. Procuram gente para assumir estes papeis. Pois bem, o cinema pode manipular de forma a tornar determinada imagem mais cosmetica. Antes da guerra do Vietna, pululavam filmes de guerra. Porque? Porque volta e meia, os EUA entravam em guerra ou mand(av)am seus fuzileiros navais pra algum lugar. E nao e' facil convencer alguem a mandar seu filho de 18 anos para ir morrer, num lugar sei la' onde. Ah, sim. Os filmes costumam ter cenas em que aparece uma mulher, enfermeira, oficial ou coisa que o valha, para que as mocas que vao assistir a fita nao se sintam ignoradas. Pode ser ate' um filme como Spartacus (do Stanley Kubrick). Tem uma historia de amor. Ou Rambo II, a vinganca. Talvez por isso nao se faca filme de guerra, no Brasil, entre outras razoes. Guerrear quem? Aonde eu quero chegar com tudo isso? Nao quero chegar muito longe. Se voce leu ate' aqui e' sinal de que consegui prender a sua atencao. Alguma coisa voce absorveu. Provavelmente, cedo ou tarde isso vai voltar a sua cabeca e sera' objeto de divagacao, quem sabe. E' ai' que eu queria chegar. A REDE - O FILME E SUAS METAFORAS ================================= Aqueles que tiveram sorte me viram falando na TV no jornal do SBT, dando um opiniao sobre o filme "A REDE", em cartaz na cidade de Sao Paulo. E' um daqueles casos em que o roteirista parece ter trabalhado em algum jornal do tipo "Noticias Populares". O filme, que tem ate' uma pagina na Web, carrega uma mensagem muito simples: voce pode ser vitimado pelos hackers se mexer com software "proibido". Tem gente muito melhor do que eu enumerando os erros do filme, mas e' essa a mensagem basica. Tudo no filme e' exagerado ao extremo para construir um personagem, um simulacro de pessoa que deixa de existir, por acao de um grupo de gente que ela nunca viu na vida, mas que detem o acesso a uma "porta dos fundos" de um software de vigilancia. Pra encurtar a historia: a menina e' especialista em virus, bugs e problemas que pintam em programas recem-lancados no mercado (pelo visto, so' pra programas p. computadores Macintosh). No dia em que ela sai de ferias, mandam um programa p. ela que tem um cavalo-de-troia ou que acessa uma porta-dos-fundos do sistema mais comum de vigilancia (tipo firewall ou trip-wire) em uso. O cara que enviou o disquete morre num acidente de aviao, cujo sistema de navegacao foi adulterado. Primeira manipulacao de computador. La' no lugar onde ela veraneia, no ultimo dia, conhece um cara que na verdade e' pertencente ao grupo responsavel pelo programa. Pinta uma cena digna de novela da Globo e depois dessa, ela ta' num hospital sem os documentos, vai voltar pros EUA e comeca a descobrir que nao existe mais. Ou melhor, ate' existe, mas outra pessoa tomou o lugar dela. E a identidade que sobrou e' de alguem condenado por roubo, trafico, prostituicao, etc.. Ai', a unica pessoa que sabe quem ela e', e' um ex- namorado. Que ajuda-a com roupas e o basico para recomecar a procurar sua identidade, ja' que a casa dela foi vendida. Atraves do amigo, a mae dela, que sofre de amnesia senil, e' transferida para outro lugar. O amigo, sofre um problema medico, e' internado, recebe o medicamento errado e morre. Presa, teria que assumir a identidade falsa p. ter chance num julgamento, ou seria julgada como louca, alem de estelionataria e prostituta. Ela descobre ao longo do crime que existe uma organizacao criminosa, especie de "milicia" que esta' tentando se apoderar do poder atraves desse software, que seria tudo aquilo que a midia propagandeou que o SATAN permite fazer, dar acesso ilimitado a qualquer computador. Roda em MAC, inclusive. E e' essa milicia, representada pelo cara que paquerou-a nas ferias, que a persegue no filme inteiro. No final das contas, ela recupera a identidade, ao invadir um computador do governo e colocando nele um virus que apaga tudo. O filme tem umas sacadas interessantes, cativa. Mas o tempo todo esbarra em montes de coisas que nao tem nada a ver com a realidade. Mesmo la' nos EUA, nao e' tao facil mexer com a identidade de uma pessoa. Porem, pode ser interessante criar um tipo de acao onde isso seja possivel para justificar aquilo que o governo americano costuma fazer com aqueles que sao suspeitos de mexer com computadores do governo. O Chris Googans, da revista Phrack, deixou bem claro no seu discurso, no congresso de Hackers la' na Inglaterra. "Nao facam acesso ilegal nos EUA". Existem leis severas e mesmo que o cara nao saia preso, com certeza vai ser vigiado pelo resto da vida. Qualquer pessoa suspeita de mexer com acesso ilegal e' vigiado ate' que cometa algum crime. Ai' os caras enviam tudo, ate' helicoptero, equipes de SWAT na casa do sujeito. E'. Nao e' exagero. Claro que de vez em quase sempre, a pessoa "suspeita" de hacking tem catorze anos. Gente mais velha sabe como evitar ser descoberta e nao se mete a fazer besteiras. So' para se ter uma ideia, ha' muita, mas muita gente que duvida que o Mitnick seja responsavel pelo break-in no computador do Shimamura. Mas isso e' outra historia. Bem verdade que la' existe facilidade de acesso aos dados de qualquer um. E' quase tao facil quanto comprar um CDROM. So' que CDROM's, por exemplo nao sao apagaveis. Nao existe um software que "grave um CDROM" se o drive for apenas de leitura de CDROM, que e' o que acontece com os drives multimidia atualmente vendidos. Durante um tempo foi estocado em varios sites da rede, um software que prometia isso, mas era um cavalo-de- troia que destruia o disco rigido de quem pensasse que poderia gravar coisas em CDs. Da mesma forma, existe o mito de que hackers possam "brincar" com a identidade alheia. Besteira. Consultar sim, isso e' possivel. Alterar, so' as autoridades competentes. Talvez hajam casos em que atraves de propina, isso seja possivel. Engano de identidade, sim. Existe gente que ja' cumpriu pena por que foi confundida com outra pessoa. Mas isso sao outros quinhentos. E' possivel isso acontecer aqui no Brasil, as pessoas saberem tudo a seu respeito? Claro que e'. A pessoa que tem uma faxineira que vem uma vez por semana simplesmente "confia" toda a sua privacidade a alguem desconhecido. Ficou famoso o ano passado as historias de "faxineiras" que eram ladras. E em caso de sequestro isso tambem acontece. Essa coleta de informacoes nao e' feita por computador. Cursos de detetive por correspondencia ensinam como isso e' feito. Basta entrar numa agencia de correios e telegrafos. E existem conversas com pretexto, atraves do qual voce motiva a pessoa a revelar coisas importantes atraves de perguntas muito sutis. Os "hackers" chamam isso de Engenharia Social, mas e' uma forma sutil de interrogatorio. Quer saber dos problemas financeiros do fulano? Pergunta que que ele acha de comprar tal aparelho de som ou equipar seu computador com um multi-midia. Quer perguntar p. sua amiga se o namorado dela e' bom de cama, mas nao tem intimidade p. tanto? Comenta com uma terceira pessoa, na frente dela, que o sujeito parece meio inexperiente ou "desajeitado". Logico, se voce pergunta isso num IRC, a coisa fica mais complexa. Tem muita gente que nao se controla e ate' revela ate' o que a gente nao pergunta. E obvio, existem muitos, mas muitos truques para se avaliar uma pessoa. E' possivel a pessoal "tomar" sua identidade? E' meio estranho pensar que alguem consiga fazer qualquer coisa com os bancos de dados que existem sobre o cidadao. O cadastro da pessoa fisica, vulgo CPF, era inicialmente (se nao me engano) para movimentacoes financeiras somente. Embutido no numero do CPF existe uma formula matematica que permite avaliar se o numero e' mesmo da pessoa. So' que ja' houve escandalos com politicos tendo mais de tres numeros de CPF. De acordo com reportagem da Folha de Sao Paulo (6/11/95, 1-8), existem 7 milhoes de pessoas com o mesmo nome, 3 milhoes tem o mesmo nome e data de nascimento, 2 milhoes ainda nasceram no mesmo municipio, 42.200 se chamam Maria Jose' da Silva, 28.900 Maria Aparecida da Silva, 21.200 Jose' Carlos da Silva, etc.. Meu nome, que e' D-E-R-N-E-V-A- L, nao Demerval ou Denerval, tem varios na minha cidade, inclusive com sobrenome semelhante (Aqui em Sao Paulo, e' relativamente incomum, quando tirei minha carteira de trabalho, o sujeito me falou que D-E-R-neval era o primeiro que conhecia, em 28 anos de Ministerio do Trabalho), isso por exemplo. Ja' ouvi falar do caso de um sujeito que criou um cartao de credito com o nome de um milionario e usou como se fosse seu. Foi preso. Existem tambem casos de criminosos que ao matar a vitima, usam os documentos dela como se fossem seus. Ja' ouvi falar de gente que foi atropelada por policiais e que foi despojada de todos os documentos antes de ser entregue no Pronto-Socorro. Se morresse, seria enterrado como indigente. Desapareceria, em outras palavras, mas a familia procurou em tempo. Houve o caso famoso tambem de um sujeito, no Rio Grande do Sul, que viajou sem avisar e a mae reconheceu o cadaver de outra pessoa como seu. Na verdade, o cara tinha deixado um bilhete, que caiu no chao, foi varrido e iniciou a historia toda. Custou uma nota preta para desfazer. Virou ate' "Caso Especial" da Globo. Aqui no Brasil, quando alguem nasce, normalmente recebe um atestado de batismo, em alguma Igreja, e' registrado em Cartorio, num livro com paginas numeradas e que nao pode ser rasurado ou alterado. Tem tantos documentos que nem vale a pena comentar. A prefeitura de Sao Paulo por exemplo, estava lancando uma carteirinha de identificacao p. estudante primario. Tem a carteirinha da UNE, da UBES, tem o titulo de eleitor, etc. Nenhum desses servicos e' informatizado ainda. Sao papeis. Existe ou existia em Sao Paulo durante a ditadura (pode ter acabado) uma praca onde o sujeito podia "encomendar" para "despachantes", todo um conjunto de documentos falsos, por preco modico. Alias, com jeitinho, ate' alguns anos atras, era possivel "comprar" carteira de motorista falsa no Rio de Janeiro. O funcionalismo publico e' mal pago e o trabalho e' feito de forma arcaica. Tanto que existe a possibilidade de obter anulacao de casamento quando existe "erro de pessoa". Ta', isso nao responde se alguem poderia realizar na vida real, aquilo que foi feito no filme. Que que acontece quando sua carteira e' roubada? Voce tem que imediatamente produzir um boletim de ocorrencia na delegacia mais proxima. Se tiver um cartao de credito, telefonar para o numero indicado quando voce assinou os documentos e cancelar o(s) cartoes. O mesmo e' valido para taloes de cheque. O boletim de ocorrencia deve ser levado para o banco para sustar o pagamento dos cheques. Depois e' comecar o processo de reconstruir seus documentos. Leva tempo. Ja' ouvi falar de gente que foi roubada no centro de Sao Paulo e que pode "recomprar" os seus documentos, perguntando pra Deus e o mundo perto do local do assalto se os mesmos nao haviam sido encontrados. O desespero faz o milagre. Fazer as coisas On-line, isso so' no filme. Existe o SERPRO, Servico Federal de Processamento de Dados em Sao Paulo, que centraliza as informacoes. Existe um processo de modernizacao em andamento, mas essa centralizacao significa atender milhares de micros. Num sistema tao lento, qualquer consulta leva tempo. O que funciona On-line sao informacoes bancarias. O que torna o sigilo bancario algo essencial. Quando voce usa um cartao de credito, ele pode ser copiado por um funcionario. Existem "fabricas" clandestinas que confeccionam cartoes de credito falsos, mas identicos em quase todos os detalhes, ao cartao original. Isso foi materia de televisao ha' nao muito tempo. Houve um escandalo, em 94, acho, quando uma empresa que fabricava cartoes eletronicos tinha um grupo de funcionarios corruptos fazendo copias dos mesmos. Da' medo de entregar o cartao de credito para alguem. Mas isso nao e' tudo. A pessoa, quando compra algo com o cartao de credito paga uma fatura. Isso fica registrado. Nos EUA esse registro e' usado para se avaliar alguem, num emprego. La' todo mundo usa cartoes de credito. Se as pessoas sabem o que voce compra, sabem a sua personalidade, sabem quando voce atrasa suas contas, sabem quanto voce ganha. Quando voce escreve, aqui no Brasil, no verso do talao de cheques, onde voce mora (coisa que ja' me falaram ser uma frescura sem fundamento legal, teoricamente o numero do telefone e R.G. seriam suficientes p. identificacao) esta' liberando informacao a seu respeito. Afinal, com o RG, o CPF (que fica no talao de cheques) e o endereco, ja' se pode fazer muita coisa. O ideal e' sempre comprar usando dinheiro vivo e se recusar a comprar com cheque principalmente se pedirem o endereco no verso do talao. Por mais "coisa de pobre" que isso possa parecer. Com gente sendo morta por nao entregar a senha do cartao eletronico, tambem pode ser inteligente nao sair com o dito. Mas e o uso "fraudulento" dos seus dados? Um exemplo que ja' soube foi o caso de uma ex-namorada de um sujeito. Ela sabia que o cara estava dia tal, hora tal, no apartamento dele. Com outra garota nova. Encomendou um jantar completo no Golden Room do Copacabana Palace a ser entregue la'. Entregou o RG do cara p. legalizar a compra. Legal, ne'? O sujeito nao tinha tanto dinheiro assim. Outro exemplo e' entregar o numero de telefone p. qualquer um. Tem gente que fica sabendo e coloca um desenho de um ser humano de quatro no chao, com os dizeres: "Quase um Martini. Em qualquer hora, em qualquer lugar, com qualquer um". Ta' certo que revista erotica, hoje, nao aceita mais "anuncios eroticos" sem um pseudonimo e caixa postal, mais xerox de documentos e comprovacao de aluguel de caixa postal, senao eu iria colocar outra forma de usar o endereco de outra pessoa. Motel e' outro exemplo de lugar que se preocupa com o anonimato das pessoas. Voce entrega a carteira de identidade para alugar um quarto. Mas vamos voltar a Internet. Uma coisa que costuma pintar as vezes, tanto no IRC quanto no correio eletronico, nao sao apenas as pessoas que sabem muito a seu respeito. Ja' falei sobre isso num artigo anterior. Obvio, se voce frequentemente envia cartas p. o grupo Usenet tal, tal e tal, pessoas que frequentam tais grupos ja' tem uma ideia do seu gosto. E' possivel checar via programa ou ate' melhor, via e-mail, conseguir uma relacao de cada pessoa que posta cartas para newsgroups. Isso sao dados que podem ser usados para compor uma identidade virtual da pessoa. O Sysop do lugar onde voce tem conta internet pode fazer uma estatistica de quais programas voce acessa e por quanto tempo. A pessoa tem a ver com os Newsgroups e listas de discussao nas quais esta' inscrito ou se corresponde. Claro que a pessoa com quem voce se corresponde no IRC, naquele tao falado "namoro eletronico" pode nao ser o mesmo que voce acha que e'. Tem muita gente que usa pseudonimos (nickname) de sexo diferente de vez em quando, para experimentar ou ate' mesmo casos de criar um grupo de discussao com varios nicknames dos dois sexos, para atrair outras pessoas para a discussao. Existem formas de se esconder a identidade real (endereco e-mail). E ha' varios subterfugios para se enganar a pessoa com quem se fala. E' preciso ser hacker para se saber isso? Nao, qualquer pessoa que fuca muito, pergunta e se informa, acaba sabendo. Uma piada muito comum e' a do sujeito que comeca a receber correspondencias de uma menina que se assina "gatinha dengosa". Essa e' do tempo em que o Video-texto comecou. O sujeito comecava a se corresponder com um cara, falando o diabo. "Sou loira, olhos azuis, mas me acho muito feia", "Gosto de lidar com computadores", "Odeio gente que so' sabe falar de futebol", "Suas cartas me ajudam muito a compreender o assunto", "Imagino voce lindo, quero te conhecer". Esse tipo de correspondencia. E isso e' um cara enrolando o outro. Um dia um sujeito veio pedir p. passar na frente dele, para usar o terminal, na epoca comum em grandes shoppings, como o Eldorado (cheio de fila tambem). O motivo? Ver a cartinha que a "namorada eletronica" deixou para ele. Eu mesmo ja' parei de contabilizar o numero de pessoas que aparece do nada, e quer trocar correspondencia. Uma vez mantive correspondencia com uma. Mas tinha certeza razoavel da identidade "feminina". Pedi a uma amiga minha p. ler as cartas dela. Costuma funcionar. Uma mulher sabe quando e' outra mulher que esta' escrevendo. Tambem sabe quando a mulher ta' enrolando ou falando a serio. Quando se tem um pouco de idade, pode-se saber quando outra pessoa esta' enrolando ou falando a serio. Por isso, tem correspondencias que para mim, sao exercicio de enrolacao, nada do que falo e' 1) objetivo, 2) informativo, 3) serio, 4) inteligente. Correspondencia a serio, depende muito da pessoa. Existe namoro eletronico, isso existe. Conheco gente que ja' se encontrou no IRC, que nem aconteceu no Globo Reporter e na (argh!) novela da Globo. Existe um newsgroup para isso, o alt.romance, se nao me engano. Uma menina que postou anuncio de namoro la' recebeu cerca de 400 propostas. Deve ser bom p. levantar o moral de alguem. Ou para encher a caixa postal de uma pessoa com junk-mail. Ah, sim. Fazer uma carta falsa e' um dos truques mais simples da Internet. E' uma das razoes pelas quais gente importante, tipo o presidente dos EUA tem uma especie de codigo que vai no subject: para identificacao. Se voce mandar um fake-mail para ele como se fosse uma pessoa da familia dele, sem o codigo, a correspondencia sera' ignorada. Mas ha' algumas formas de ter seus dados devassados, atraves da rede. Varias mensagens que estao aparecendo no newsgroup Sci.crypt e Comp.risks, alertam para o fato de que o Win95 e' um paraiso para "crackers". Nao vou colocar a lista, mesmo porque posso fazer depois um artigo em cima do assunto, mas alem do "espiao" que mencionei em artigo anterior (que ja' abre um leque de possibilidades), existem bugs no sistemas de acesso a rede Internet do sistema operacional que permitem a alguem de fora invadir o seu micro enquanto voce usa a rede. Bill Gates, no seu livro "A Estrada do Futuro", coloca bem claro o que ele pensa do assunto: "Seu micro de bolso sera' capaz de registrar audio, hora, lugar e ate' video de tudo o que acontecer com voce. Sera' capaz de gravar cada palavra que disser e cada palavra dita a voce, bem como temperatura corporal, pressao sanguinea, pressao barometrica e uma variedade de outros dados sobre o ambiente ao seu redor. Sera' capaz de controlar todas as suas interacoes com a estrada (de informacoes) - todos os comandos que voce emitir, as mensagens que enviar e as pessoas para as quais voce ligar ou que ligarem para voce". Em outras palavras, como disse a Barbara Gancia do jornal Folha de Sao Paulo "George Orwell e' pinto perto de Bill Gates. Existe uma versao mais completa na revista Veja de 18/11. Mas o fato e' que: se alguem roubar seu micro de bolso? Se alguem xerocar os dados do seu micro de bolso? Se alguem alterar os dados do seu micro de bolso? Ai' sim, nesse futuro, "The Net" se torna mais real. O livro "1984" tambem. Finalizando: o filme e' um bom thriller. Emociona, aquela coisa toda, as cenas de acao sao interessantes. Mas em termos de vida real, e' uma historia da carochinha. Tudo bem que a pessoa corre riscos a sua privacidade, usando a Internet. Mas isso sao riscos para os quais a pessoa poderia estar preparada para enfrentar, se tivesse um pouco mais de cabeca, e nao fizesse algumas besteiras. Nao e' porque alguem consegue uma conta na Internet que ira' ter toda a sua vida devassada e sujeita ao tipo de coisa que acontece nos filmes. Isso pode acontecer independente de se ter ou nao uma conta Internet. Pode ser que se for encontrada na conta um software "estranho", tipo Satan ou coisa do genero, haja algum tipo de perseguicao por causa do Sysop. Mas quem e' inteligente, nao mexe com isso no computador dos outros. E' so'. CAOS COMPUTER CLUB ================== Quando fui na Europa, fiz questao de ir conhecer esse pessoal. Sao uma das mais antigas associacoes de tarados por micro da Europa, com vario grupos em cidades famosas da Alemanha. Se reunem todas as tercas-feiras, para discutir sobre seguranca informatica, novos avancos em telecomunicacoes e computadores, de forma geral. Na verdade, os tempos de "cracking" ja' ficaram para tras e o grupo virou uma coisa ja' do Sistema, ajudando a empresas como instituicoes bancarias a desenvolver sistemas mais seguros e dificeis de serem "crackeados". Sao muito melhores do que gente saindo da Universidade, pelo simples fato de que fazem isso por prazer, nao por obrigacao. Eles publicam um folhetim, o "Datenschleuder - das wissenschaftliche Fachblatt fuer Datenresende". Ou Datenschleuder sozinho. Catapulta de dados, para quem nao sabe alemao. Na verdade, o inicio do grupo foi interessante. Comecou em Berlim, dividida em duas, com um monte de grupos "alternativos" pela defesa do meio-ambiente, contra intervencao americana na America Latina, etc. Havia muitos grupos de acao e muita imprensa alternativa. Eles comecaram a publicar alguns artigos sobre Hacking e seguranca de dados, coisa bem trivial. Depois que um artigo atingiu uma revista de grande porte, eles foram tao procurados que praticamente foram obrigados a iniciar a publicacao do seu zine. O interesse pelo assunto era muito grande. Como um grupo, discutiam virus de computador, break-ins, fraude telefonica, etc. Eles receberam muita publicidade, principalmente quando provaram a possibilidade de manipular o sistema bancario da epoca para conseguir dinheiro. Essa valeria a pena escrever um artigo, mas p. simplificar, eles nao desviaram dinheiro, fizeram uma manipulacao bancaria semelhante as que eram feitas no tempo do "Open Market". Com a diferenca de que eles nao tinham o capital que investiram. Era algo que podia ser feito eletronicamente e bastante simples. Apesar das boas intencoes e da divulgacao que fizeram a imprensa, a policia insistiu em vasculhar os escritorios da mocada. Outra foi a invasao de um computador da NASA. Essa foi um pouco mais ousada. Nao existe so' a rede Internet. Existem redes de computadores que trocam dados entre si, atraves de modem, que nao sao acessiveis via Internet. A Internet comecou com uma rede de computadores que deveria ser forte o bastante p. suportar a perda de varios elos da corrente de comunicacao. A FIDONET e' outro exemplo de rede de computadores interligados, que ate' alcanca a Internet, mas que tem o seu proprio trafego de mensagens. Da mesma forma, grandes empresas que usam computadores tem seus proprios sistemas de mensagens e coneccoes, algumas vezes usam coneccoes proprias. A NASA tem a sua rede de computadores, a DECnet. Mas como toda a rede, sempre exite um elo mais fraco. No caso, era um computador fora dos EUA. O pessoal do CCC conseguiu o acesso a um deles e usou este computador para colocar um cavalo-de-troia no computador americano. O mais interessante e' que atraves do cavalo-de-troia, eles podiam nao so' criar suas proprias contas no computador da NASA, mas usar o mesmo sem serem descobertos. Acabaram aparecendo quando um funcionario desconfiou e resolveu fazer uma estatistica do uso da maquina em determinado momento. E descobriu que, embora ninguem estivesse usando programas em quantidade o bastante, X por cento da capacidade da maquina estava sendo usado. O pessoal do CCC resolveu contar a imprensa o que tinham feito, como uma forma de garantia de que ninguem ia aparecer morto ou coisa do genero. Vale lembrar que havia tropas americanas em quantidade na Alemanha, naquela epoca e isso seria visto como crime de espionagem. Mas o uso nao foi malevolo, nao houve destruicao de dados ou venda posterior de segredos. Outra coisa foi aquilo que foi descrito no livro "Cuckoo's Egg" do Clifford Stoll. Um hacker alemao, conhecido do grupo, resolveu usar seus conhecimentos para vasculhar computadores americanos de defesa e vender essas informacoes para os sovieticos. Apareceu morto em circunstancias misteriosas. Muito misteriosas. A "filial" do CCC em Hamburgo vende uma copia dos papeis relatando o encontro do cadaver. Provavelmente ainda vou escrever sobre o caso. Mas tudo isso sao aguas passadas. Hoje, o CCC nao se envolve com ilegalidades de qualquer especie. As vezes, recebem telefonemas, relatando "fiz isso la'", etc. Mas os participantes das reunioes semanais, sempre regadas a "Mehrwegflaschen" de Coca-cola (coca-cola de litro), bebida predileta da mocada, sao algo impressionante. De vez em quando parece luta- livre, gente pega gente pelo pescoco, literalmente, mas na camaradagem. Uma pseudo-agressividade. Fiquei impressionado de descobrir que quando vao a congressos de Informatica, em cada palestra, um membro e' escalado para fazer um resumo da coisa, que e' depois arquivado para uso no fanzine ou sei la', consulta posterior. Conversei com varios integrantes e o pessoal tem as origens mais variadas possiveis: o Andy e' estudante de jornalismo, mas tem gente de Eletrtecnica, ate' Economia e Administracao. Gente de varias idades. Tinha umas vinte pessoas, no dia em que fui la', isso porque o pessoal estava de ferias e alguns tinham viajado. A grande preocupacao do grupo e' a midia, que insiste em entrevista-los como uma especie de "tecno-rebeldes". Recusaram uma aparicao na MTV exatamente p. prevenir este tipo de enfoque. Eles tem que preservar a imagem atual, de que "hacking" pode ser mais uma ajuda do que uma ameaca para a sociedade. Eles tem uma pagina WWW, se nao me engano no URL http://www.artcom.de/ccc. Entre outras coisas, o CCC e' um clube voltado para o avanco do trafico de dados. Antes da Internet se tornar uma possibilidade ate' mesmos uma possi- bilidade para a maioria, eles ja' trabalhavam em intercomunicacao de BBSES, como forma de ligar grupos pacifistas e em defesa do verde, coisa que hoje e' conhecida como Greennet. Isso foi durante a guerra do golfo. Mais que um club de hacking, era uma forma de difundir uma tecnologia improvisada, que hoje e' o "ultimo grito da moda". Os modens eram feitos por estudantes de eletronica. Jens, por exemplo: Durante a guerra ele ouviu noticias sobre uma BBS onde alguns ativistas se encontravam. Ficou interessado e comprou seu primeiro modem, para discutir com o grupo formas de melhorar o mundo. Quando a guerra na ex-Yugoslavia comecou um grupo viajou para la' para la' e a ideia era colocar os ativistas em contato atraves de correio eletronico. So' que para isso seria necessario instalar BBSes e elas teriam dificuldades para se comunicar umas com as outras. Ficou estabelecido entao que o grupo faria ligacoes interurbanas de Bielefeld para cada uma das BBSes para garantir o contato entre elas. Esta sendo montada agora uma em Sarajevo, mas esbarra edificuldades como falta de eletricidade e o fato de que as pessoas nao compreendem, acham que existem coisas mais importantes do que fazer teleconferencia no meio de bomba caindo. Mas os resultados estao aparecendo, sob forma de ajuda as equipes de socorro e apoio, que sao organizadas desta forma, alem de ajudar na busca de parentes separados pelo combate. Vale lembrar que nao existe comunicacao telefonica entre a Servia e a Croacia, e esse e' tambem um meio de organizar as equipes de ajuda, de primeiros socorros e colocar grupos pacifistas em contato. Parte desse esforco esta' detalhado no "Zagreb Diary" de Wam Kat. Ele dirigia um BBS em Zagreb, e durante tres anos a cada numero de dias enviava trechos descrevendo sua luta para manter o network funcionando. Uma amiga minha me informou que o sistema de comunicacao ficou tao bom que o pessoal em luta resolveu acabar com ele. Nao tive muitos detalhes e ainda nao cheguei no final do diario p. saber. Mas pela leitura do primeiro ano, nao so' foi um sucesso, mas que se manteve em pe' apesar das bombas e do resto. Nem todo mundo esta' voltado para o lado tecnico de hacking, nessas horas, alguns veem isso mais como uma forma de ajudar o proximo, um passo em direcao a um mundo sem diferencas etnicas. A Alemanha esteve durante muito tempo dividida e esses jovens do CCC de Bielefeld estao voltados para ajudar Servios e Croatas senao a acabar, pelo menos aliviar ou diminuir os sofrimentos causados pela guerra. (OBS: Este artigo e' meio datado. Comecei a produzi-lo durante agosto e setembro. Com os ultimos acontecimentos, a parte da guerra na ex-Yugoslavia perdeu um pouco a atualidade, ja' que pode a paz finalmente pode ter chegado) HACKING CHIPS ON CELLULAR PHONES IS THE LATEST THING IN THE DIGITAL ================================UNDERGROUND================================ =========== by John Markoff In Silicon Valley, each new technology gives rise to a new generation of hackers. Consider the cellular telephone. The land-based telephone system was originally the playground for a small group of hardy adventurers who believed mastery of telephone technology was an end in itself. Free phone calls weren't the goal of the first phone phreaks. The challenge was to understand the system. The philosophy of these phone hackers: Push the machines as far as they would go. Little has changed. Meet V.T. and N.M., the nation's most clever cellular phone phreaks. (Names here are obscured because, as with many hackers, V.T. and N.M.'s deeds inhabit a legal gray area.) The original phone phreaks thought of themselves as "telecommunications hobbyists" who explored the nooks and crannies of the nation's telephone network - not for profit, but for intellectual challenge. For a new generation of mobile phone hackers, the cellular revolution offers rich new veins to mine. V.T. is a young scientist at a prestigious government laboratory. He has long hair and his choice in garb frequently tends toward Patagonia. He is generally regarded as a computer hacker with few equals. N.M. is a self-taught hacker who lives and works in Silicon Valley. He has mastered the intricacies of Unix and DOS. Unusually persistent, he spent almost an entire year picking apart his cellular phone just to see how it works. What V.T. and N.M. discovered last year is that cellular phones are really just computers - network terminals - linked together by a gigantic cellular network. They also realized that just like other computers, cellular phones are programmable. Programmable! In a hacker's mind that means there is no reason to limit a cellular phone to the paltry choice of functions offered by its manufacturer. That means that cellular phones can be hacked! They can be dissected and disassembled and put back together in remarkable new ways. Optimized! Cellular phones aren't the first consumer appliances to be cracked open and augmented in ways their designers never conceived. Cars, for example, are no longer the sole province of mechanics. This is the information age: Modern automobiles have dozens of tiny microprocessors. Each one is a computer; each one can be reprogrammed. Hot rodding cars today doesn't mean throwing in a new carburetor; it means rewriting the software governing the car's fuel injection system. This is the reality science fiction writers William Gibson and Bruce Sterling had in mind when they created cyberpunk: Any technology, no matter how advanced, almost immediately falls to the level of the street. Here in Silicon Valley, there are hundreds of others like V.T. and N. M. who squeeze into the crannies of any new technology, bending it to new and more exotic uses. On a recent afternoon, V.T. sits at a conference room table in a San Francisco highrise. In his hand