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~/BRAZILIAN/Technor/Technor #13
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                      T E C H N O R Á C U L O      

      Revista eletrônica sobre Informática em geral e Internet

                        [[[ Edição 13 ]]]
                          Outubro de 1998

   
                http://www.fuchs.com.br/techno/ 

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Equipe:

Daniel Braga S. dos Santos (danielbss@starmail.com)
Roque Santos Junior (rasjr@uninet.com.br)
Maclei Tozzato (maclei@geocities.com)
P.C.Barreto (pcbarreto@pobox.com)
Roney Belhassof (roney@infolink.com.br)
Guilherme Manika (xfrael@usa.net)


Assinatura do TechnOráculo:

Basta enviar um e-mail para danlist@comports.com com o subject:
Assinatura do TechnOraculo

Se quiser pode mandar o seu recado também, mas não é muito garantido 
que eu leia pois geralmente o meu leitor de mensagens processa esse 
"subject" e manda uma resposta automática adicionando-o a lista dos 
assinantes. Se quiser falar sobre o zine use o danielbss@starmail.com
e opine a vontade. :-)

Geral:

Existem duas versões do TechnOráculo, esta em texto 
e a versão HTML com imagens e links que é encontrada no site 
oficial da revista juntamente com as edições anteriores tanto em texto 
como em HTML. Visite http://www.fuchs.com.br/techno/

Para facilitar agradeço a quem possa enviar cópias da revista para 
alguns amigos que gostem de ficar informados.

-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=--=-=-=-=-=-=-
Está liberada a cópia desta revista e a distribuição, desde que seja 
feita gratuitamente. Trechos e artigos também podem ser utilizados 
desde que seja citado o TechnOráculo como fonte e principalmente o
nome do autor do texto.
-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=--=-=-=-=-=-=-

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Nesta Edição
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- Bytes
- Verdades sobre o BackOrifice
- NetPedofilia, BO e Hackers
- Linux Area
- OS/2 Zone


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Bytes
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Daniel Braga Siqueira


Olá, estamos de volta com mais um TechnOráculo. Desta vez o número 13 ! 
Interessante o Techno com esse número ser lançado tão próximo de 31/10, o dia 
das bruxas não ? 

Temos novidades, uma substituição na sessão OS/2 Zone, que passa a ser 
comandada pelo Roney Belhassof (eu só não erro o nome dele porque uso 
recortar+colar) no lugar do Maclei que fica como colaborador em outras 
matérias diversas. O Diário da Tropa é uma sessão que contém as melhores 
matérias da mailing list criada pelo PC Barreto, e é publicada com total 
autorização do autor. Uma sessão falando sobre Linux e ocasionalmente sobre 
outros sistemas, a coluna do Roque e uma matéria sobre a mania do momento, o 
Back Orifice.

Sobre o WebSite, quem o visitou ultimamente percebeu que as atualizações 
passaram a ser frequentes, ou seja, o TechnOráculo Web Site não é mais apenas 
um lugar para abrigar as edições da revista e sim um novo site de informação 
dinâmica. Por enquanto não está completo e diário, eu sei, mas o objetivo é 
tornar essas atualizações o mais frequentes possível. Estou preparando para 
colocar no ar vários tutoriais que já foram publicados mas que valem a pena 
serem lidos por quem esta começando na Internet, como o ICQ, Free Agent, IE4, 
Pegasus Mail, etc.

Ah sim ! O editor de vocês agora é professor, estou dando aulas no curso NTI 
(Núcleo de Tecnologia e Informática) no Centro do Rio. Uma espécie de pacote 
englobando Introdução a Informática, Windows 95, Word, Excel, Access e 
Internet. Uma coisa bem inicial indicada mesmo para quem está começando a 
usar o micro, não é um curso intensivo de Word por exemplo, esmiuçando cada 
cantinho... Não, é basico mesmo, até  como teste para mim, já que eu nunca fui 
professor na vida, até agora esta tudo bem. :-)

Se alguém do Rio estiver interessado o telefone é (021) 232-1767, diga que quer 
ter essas aulas com o Daniel Braga ou com qualquer outro professor, já que eu só 
posso dar aulas por lá a noite ou talvez no futuro aos sábados.

Por enquanto é só gente. Leiam e divirtam-se ! :-)

[]s


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Verdades sobre o Back Orifice
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Daniel Braga Siqueira

O IRC para mim sempre foi uma mania passageira, de vez em quando fico 
vidrado, a ponto de escrever scripts, ser OP em canais e arrumar grandes 
amigos, e as vezes passo meses e meses sem nem ligar para isso. Nas últimas 
semanas ando na fase "vidrado" e nessas mesmas semanas surgiu um novo 
programinha diposto a ferrar com nossos micros, o Back Orifice.
A primeira vez que tive noticias do Back Orifice foi na página da ZDNet se não 
me engano. Fiquei sabendo que era um programa "Cavalo de Tróia" e liberava a 
sua máquina totalmente, para quem tivesse a "outra metade" cliente, podendo 
fazer praticamente qualquer coisa: capturar suas telas, filmar você (se tiver 
câmera), transformar sua máquina num servidor HTTP e navegar pelo seu HD 
vendo o que quiser, colocar o seu Command.com para funcionar via Telnet e 
assim cair no seu próprio DOS.
As possibilidades de violação de privacidade são ilimitadas. E-Mails podem ser 
lidos com facilidade, discos podem ser formatados, home-pages podem ser 
alteradas, papéis de parede também, provas de crimes por exemplo poderiam ser 
implantadas... O que você acha da polícia vasculhar o seu HD e encontrar 
diversos textos sobre pedofilia e um diário de como você teria "assassinado" 
diversas "vítimas" na última semana ?
Bom, já que sabemos o que faz o tal do BO (vamos chamar assim) podemos 
continuar com a nossa estória, que deu origem ao título.  Estava eu no IRC, 
batendo um papo, quando uma figura se dispôs a me enviar alguns textos e zines 
"Hacker" compactados. Ok, recebi o arquivo EXE e abri normalmente. É comum 
o Winzip criar arquivos EXE para quem não tem como abrir arquivos ZIP vi os 
textos e pareciam bem legais. Ai a mesma figura me enviou outro arquivo, desta 
vez meio esquisito, quando fui procura-lo em na pasta, vi que não tinha nenhum 
Ícone ! Pensei que tivesse ocorrido um erro de transmissão e resolvi executar pra 
ver se dava algo como "Corrupted File" ou coisa do gênero. Não! O arquivo 
simplesmente sumiu... E na mesma hora passou tudo como um flash pela minha 
cabeça ! BACK ORIFICE, 122 KB ao se instalar desaparece !!! Caramba ! 
Tratei de me desconectar da rede o mais rapidamente possível, para evitar que 
meu endereço IP fosse descoberto. 
Desconectado e após xingar todas as gerações do meu algoz e pensar como pude 
ser tão otário, conectei-me tomando cuidado para não usar mIRC nem ICQ 
(onde qualquer zé mané pode descobrir seu endereço IP) e fui com meu 
navegador buscar programas que arrancassem essa coisa do meu Windows. Fui 
parar na página do Centro In onde fiz download do B.O.R.E.D. , um bom 
programa e que instalado tirou o BO do meu micro após alguns boots para 
confirmar se ele não tentava se reinstalar. Porém depois de conhecer outros 
programas "vacina" achei o B.O.R.E.D. meio parrudinho (1 MB) para tirar um 
programeto de 122kb...
Pois é, BO retirado, fiquei pensando qual o grau de controle que o cara poderia 
ter tido sobre o meu computador. Só testando para saber. E lá fui eu atrás da 
versão cliente do Boná página dos seus criadores, que não vou citar aqui mas 
que meio mundo já deve conhecer já que a imprensa inteira resolveu contar 
quem e onde fica o site dos malvados criadores do Back Orifice.
Como programas cliente, temos o Boclient.exe que roda em DOS e o BOGui.exe 
que funciona na interface do Windows e que é fácil (mas não tanto) de usar. Eu 
esperava encontrar uma interface bem mais amigável, visto que sempre disseram 
que qualquer imbecil poderia usar o BO. Mas a coisa não é bem assim. É 
necessário conhecer ao mínimo o que são processos, rede, http, etc. senão a coisa 
não vai. Pelo menos existe um pouco de alívio neste sentido, mas só nesse, 
porque o que ninguém mostrou até agora em todo esse oba oba que a imprensa 
está fazendo sobre o BO é o REAL poder destrutivo do software. Não adianta 
nada ficar explicando onde e como localizar o tal do exe~1.exe que todo mundo 
já sabe que é o BO e que pode ser retirado com dezenas de programinhas 
freeware. Tem que se mostrar o que o BO pode REALMENTE fazer e PROVAR 
isso, porque somente assim as pessoas vão se conscientizar deste perigo, que 
provavelmente só será resolvido quando uma nova versão do Windows ou 
Internet Explorer trouxer um fix para esta cratera aberta na segurança ou um 
utilitário que detecte e remova o BO sem a necessidade da intervenção do 
usuário.
Vocês querem conhecer o que um usuário do BOClient pode fazer com você ? 
Então vamos começar a contar a estória. 

Achando a vítima
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Você costuma frequentar canais de IRC como warez, imagens eróticas ou 
qualquer outro onde se troquem arquivos ? Parabéns, você é a perfeita provável 
vítima do BO. A coisa é simples, o carinha chega no canal e oferece o "crack" 
para poder rodar aquele jogo sem nenhuma mensagem pedindo pagamento, você 
pega o "crack", roda e ele funciona. Depois disso o cara que já pegou a sua 
confiança manda outro arquivo dizendo que serve para desbloquear aquele 
jogaço. Você pega o arquivo, roda e ele "some" ? O que teria acontecido ?
Enquanto você continua o papo o "pseudo-hacker" provavelmente já pegou o seu 
endereço IP com o comando "/dns seunick". Entra no Back Orifice Cliente e 
manda um PING para o seu IP pra ver se está tudo funcionando se estiver...
Outra possibilidade é a que você costuma deixar qualquer um que pede ter 
acesso a sua UIN no ICQ. Se você não sabe, toda vez que se conecta a Internet o 
seu IP fica disponível no ICQ, bastando para isso que a pessoa clique sobre o seu 
nome e escolha a opção "Info".  Obviamente o "pseudo-hacker" já havia 
mandado anteriormente aquele famoso "crack" do joguinho, ou ainda aquelas 
fotos inéditas da Carla Perez compactadas em um .EXE, e você é claro aceitou. 
A mesma coisa acontece, ele manda um PING para o seu IP e se tudo estiver 
funcionando, já sabe.
O que pouca gente sabe é que NÃO É NECESSÁRIO CONHECER O SEU IP 
para usar o BO ! Isso mesmo, vamos supor que o seu IP é 200.224.165.173, o 
cara chega no BO Client e manda "pingar" cada computador 200.224.165.* , do 
número 0 ao 255. Cada computador que ele localizar usando o BO ele vai 
guardar o número e informar.  Agindo assim o "pseudo-hacker" impede que 
você o identifique, já que provavelmente não foi ele quem mandou o BO para 
você.
É possível fazer uma busca por 200.224.* ? Não parece possível, pois o BO 
Client sempre trava, mas quem sabe ?


Invadindo
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Vítima escolhida e devidamente "Pingada" o seu computador está a mercê do 
invasor. Exagero ? O simples fato de alguem, talvez maligno, poder acessar o 
seu command.com e assim cair no seu DOS dá poderes soberanos a qualquer 
um. Ele poderia apagar os seus e-mails importantes, ou os seus trabalhos da 
escola, mas também poderia encerrar a questão facilmente com um "deltree c:\". 
Se você acha isso o fim da picada, saiba que isso pelo menos afeta só a sua 
máquina, e o que pode ser feito na sua vida é ainda pior. 
Quem usa Eudora tem os e-mails guardados em arquivos de extensão MBX, que 
nada mais são do que arquivos texto contendo suas mensagens e eventuais 
arquivos anexos também em texto no formato MIME. Se a pessoa está no seu 
DOS, fica muito fácil executar um "type arquivo.mbx" e ler os e-mails que você 
guardou por considerar importante, talvez aquele e-mails em que veio a senha de 
um serviço que você solicitou pela Internet esteja sendo lido neste momento. 
Ainda estamos no DOS ? Acha que nada mais pode ser feito para "ferrar" com 
você ? O Windows guarda os links e pastas da sua área de trabalho. em arquivos 
.LNK em um diretório chamado "c:\windows\desktop\". Se você trabalha em um 
ambiente onde outras pessoas usam o mesmo computador, não seria nada dificil 
o cara criar uns arquivos .LNK para sites de pornografia infantil ou gays. Não 
tenho nada contra os gays, mas você pode ter, ou pode não gostar de que outras 
pessoas achem que você é gay. E ser pego visitando sites de pornografia infantil 
no trabalho não deve dar muitos pontos ao seu currículo.
Todas essas brincadeirinhas são possíveis apenas com o uso do DOS, mas o 
próprio BO já vem com opções que são muito comprometedoras, e que requerem 
menos conhecimento técnico, a pior delas é a System Passwords, que caça 
senhas em sua máquina, e já os traz decodificados. Não é preciso dizer o estrago 
que isso pode causar em seu bolso e na sua privacidade. E-mails em seu nome 
podem ser enviados para onde quer que seja, até mesmo solicitando serviços ou 
produtos para terceiros, e neste caso você teria menos chance de dizer que não 
foi o autor do pedido.
Pode-se solicitar uma lista dos programas que estão sendo executados no micro 
alheio, fechar programas facilmente e até mesmo executa-los.  Não, não sei se é 
possível executar algo como  Format ou Deltree, espero que não seja. Mas como 
já é possivel entrar no DOS, isso não faz muita diferença. Verificar as conexões 
de rede da máquina também é outra tarefa fácil de executar, não entende muito 
de rede para saber o que são as informações que o programa retorna, mas acho 
que as senhas para entrar em cada máquina também ficam disponíveis, o que 
quer dizer que uma máquina na rede que não tenha o BO instalado pode ser 
vigiada ou alterada anonimamente.
Capturas de tela são motivos até de home-pages que colecionam as imagens. 
Estive passeando por algumas delas e tive que rir quando vi que em uma das 
"fotos" capturadas, alguém estava tentando usar o BO para invadir outro micro, 
sem perceber que ele mesmo tinha o BO Server rodando... Hilário. Em outras 
fotos haviam mensagens enviadas pelo invasor dizendo coisas como: "Esse 
programa para tirar  o BO é uma droga, arrume outro ou pode topar com alguém 
que não tenha o meu caráter." Essa imagem eu encontrei em um site brasileiro. 
Enviar caixas de mensagens é o lado menos perigoso e mais cômico, 
teoricamente não se pode destruir o micro fazendo isso, mas pode assustar 
bastante o usuário novo uma caixa dizendo "O Drive C será formatado, todos os 
dados serão perdidos, clique em OK para continuar". Para copiar arquivos então 
é um menu de opções. Escolhe-se entre copiar via TCP-IP com o Netcat, ou 
transformar a máquina da pessoa em um servidor HTTP, que pode ser usado 
pelo seu navegador preferido para ver imagens, baixar arquivos e até fazer um 
upload, o que permite colocar para rodar outros programas de acesso remoto ou 
um reinstalador do BO para o caso do usuário remove-lo.
Também é possível mexer no registro do Windows, monitorar o teclado (note o 
que pode fazer com as suas senhas bancárias), dar um boot (System Reboot) na 
máquina e se dar ao luxo de compactar e descompactar arquivos usando um 
compactador chamado Freeze e o Melt que descompacta. Além de existirem os 
dois executáveis na máquina invasora, eles podem ser usados remotamente para 
compactar/descompactar um arquivo na máquina invadida, e diminuir o tempo 
de download de um arquivo qualquer.
Depois de tudo isso você ainda está achando que não deve se preocupar com o 
BO ? Se voce acha que sim, a sua opinião não é diferente da opinião da 
Microsoft. Afinal a frase do momento, e candidata a tagline do ano é a seguinte:

"O Back Orifice é uma ferramenta que nós não devemos levar a sério" -  
Edmund Muth, Microsoft

Segundo a Micro$oft a maior carga de responsabilidade recai sobre o usuário 
que se deixa "infectar", como se eles não tivessem nenhuma responsabilidade 
sobre o sistema operacional queijo suiço que fabricaram. 
Portanto já que não podemos contar com os bilionários fabricantes do  Windows, 
devemos tomar precauções. Diversos programas que retiram  o BO já estão 
disponíveis, entre eles o B.O.R.E.D. que já foi citado  (mas que é enorme) e o 
Anti-Gen (menor mas que não tive como  testar) que pode ser obtido em  
http://www.arez.com/fs
A novidade brasileira é o NoBO, diferente dos outros ele não foi feito para 
detectar nem remover o BO, mas se instala na porta 31337 e monitora os ataques 
e guarda o endereço IP de quem tenta invadir, pode-se configurar uma 
mensagem para a pessoa, dizendo que ela quebrou a cara ou coisa parecida, ou 
ficar "na moita" e tentar descobrir quem é a figura. Encontre o NoBO em  
http://web.cip.com.br/nobo/  , e quando alguém tentar entrar no seu micro 
guarde o IP/Dia/Hora/Minuto e avise por e-mail ou voz ao provedor do sujeito.


Daniel Braga Siqueira (danielbss@starmail.com)
é programador visual e cada vez que acessa
a Internet recebe no mínimo 5 tentativas de
invasão, detectadas pelo NOBO.



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NetPedofilia, BackOrifice e Hackers
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Roque S. Junior

Olá amigos do Technoráculo. Finalmente, depois de mais de 5 meses (nos meus 
cálculos estimados), estou escrevendo para vocês. Como é de costume, vou lhes 
dizer o porquê de minha ausência.

	Na última matéria, na qual eu abordei, provavelmente, alguma coisa 
relacionada a Windows 98, ou sobre a microsoft, eu falei que eu estava atarefado 
com meu curso de piloto e com a faculdade, então estava estudando muito e sem 
muito rendimento e tempo para bisbilhotar a net. Pois bem, as coisas 
melhoraram bastante. Passei no curso, finalmente, tirei minha carteira e estou 
voando, e ando bem na faculdade. Entretanto, embora isso tudo pareça ser time-
consuming, ainda tenho tido tempo para ficar ligado na internet e saber das 
novidades.

	Eu, como bom interneteiro que sou (odeio esse termo, mas é necessário 
usa-lo. Melhor do que usar "nerd"), vivo de orelha em pé com as novidades e as 
cretinices que os jornais andam escrevendo. Vários temas já passaram pela 
minha mesa para serem escritas para os senhores, só que antes que eu começasse 
a dissertar sobre o tema, o Globo ON ou o JB já vinha com o tema sendo 
"inédito" e com a versão deles da história. Então, era um banho de água fria, 
pois eu de certa forma gostaria de investir no furo de reportagem, e de falar algo 
que fosse mais inédito que no do jornal. Assim eu já investia um ponto de vista 
muito mais abrangente do que esses noticiários imbecis que é o Info & Etc do O 
GLOBO e o Informática do JB.

	O tema dessa edição vai ser bem crítico. Vou precisar da atenção dos 
senhores, pois vou falar sobre bastante coisas diferentes, visto que eu estou 
parado faz tempo.

	Em primeiro lugar, gostaria de remitir os  senhores à edição do último 
Domingo do Jornal O GLOBO, cuja capa tem um piloto velhinho fazendo as 
comemorações do dia 23 de outubro, e na qual existe uma matéria específica 
falando sobre a pornografia infantil na internet, que foi uma pequena manchete 
nesse ultimo Domingo dia 18 de outubro.

	Eu tenho o jornal em mãos, a diferenca da versão HTML, na qual fala 
sobre um certo hacker chamado Wanderley Abreu. 
(http://www.oglobo.com.br/arquivo/rio/19981018/rio103.htm )

	Gostaria de dissertar, não sobre pedofilia na internet, mas sobre a 
reportagem em sí.
	A matéria fala sobre hacking E pedofilia. Mas eu quero partir de outros 
enfoques. Primeiramente, sobre o conteúdo.

	O jornal o globo, principalmente o Info & Etc, nessas últimas edições, 
falou da operação contra os pedófilos da internet contra aquele site, famoso, o tal 
do Wonderland (na qual eles traduziram "país das maravilhas"), e comentou que 
a Interpol fez uma operação para prender os psicóticos tarados em criancinhas 
em serem presos ao mesmo tempo, e coisa e tal. Não estou por dentro de tudo 
(sobre a operação Wonderland), exatamente sobre a, mas essa matéria de 
Domingo me chamou a atenção.

	Ao ler o texto, o primeiro parágrafo, vocês vão ver a redundância da 
máquina hackeada, na qual o repórter põe entre parênteses "ilegal". Existe um 
princípio básico que ao se invadir uma máquina, qualquer que seja ela, seja 
espionagem, seja curiosidade, já é ilegal. Então nota-se a primeira escorregada 
do reporter, ao investir no óbvio. Até aí, é bobeira. Continuemos na reportagem.

	Depois, no segundo parágrafo, enfatiza-se que O GLOBO teve acesso 
ao endereço eletrônico clandestino. Durante uma semana, o especialista 
Wanderley Abreu investigou, e tal e tal, a pedido da reportagem, e achou fotos 
de meninas de todas as idades na máquina do Inpe. Outro fator interessante é o 
fato de O GLOBO passar o sensacionalismo gritante da seguinte frase: 

"Responsável pelo desenvolvimento de programas de segurança para grandes 
empresas, usado até mesmo por entidades do Governo americano, ele não 
chegou a se surpreender com a ousadia:"

	Para tudo!

	Agora, leitor, é que eu tenho que explicar certas coisas aki que estão 
equivocadas na matéria.

	Em primeiro lugar, eu devo confessar algo: Eu não gosto do Jornal O 
GLOBO, eu não gosto da REDE GLOBO e eu não gosto, principalmente, do 
Info & Etc. Ora, por quê?

	Puro e simples. O que vocês acabaram de ler, alí em cima, foi uma 
mentira das grossas baseado em sensacionalismo barato. Tenham um pouco de 
bom senso: Quando é, que entidades do governo norte americano, vão contratar 
um brasileiro, do porte do senhor Wanderley, para fazer programas de 
segurança? Mas daí vocês me perguntam: "Ué Roque, o que que têm? O cara não 
pode ser bom?". Não, leitor. O cara não é bom, simplesmente porquê eu conheço 
o cara. E conheco bem. O Daniel Braga, editor desta revista, também conhece. E 
eu lhes explico.

	Antes que vocês venham a achar que eu sou um recalcado que está afim 
de esculhambar um conhecedor da informática, fique sabendo, antes, do 
seguinte: Quando eu disse para não confiar no Jornal e nem na Rede Globo, eu 
falo sério. Então se a Matéria É do jornal O Globo, já é um motivo para 
desconfiar. Há de haver um mínimo de senso crítico. Mas acontece que meu 
senso crítico extrapolou ao ler essa reportagem. Voltamos ao assunto principal.

	O Governo americano, antes de mais nada, é tão paranóico que, não sei 
se os senhores sabem, mas já existe uma chave de criptografia de 128 bits 
existentes por aí, que já é implementado em Netscape's e Explorer's da vida. 
Acontece que existe uma lei americana que proíbe a exportação dessas chaves. 
Essa paranóia é grande porque o US Government, provavelmente, deve-se ao 
medo de ter certas informações que no futuro poderão ser importantes ou úteis 
para eles, fechadas nesse tipo de encriptação, cuja tentativa de quebra, num 
computador "super hiper ultra puxa avançado", levaria uma centena de anos, por 
aí.

	Outro fator: o referido responsável na citação acima é um velho 
conhecido. Já até apareceu na Angélica e no Fantástico falando de Hacking. 
Acontece o seguinte, não estou querendo ofender o tal Wanderley, mas chega-se 
ao ponto que ele apela de certa forma para o sensacionalismo (acho que nesse 
caso, a culpa é da rede globo, por mandar repórteres inexperiêntes para fazer 
perguntas) à proveito próprio de seu ego.

	O Primeiro crime cometido pela reportagem em sí é falar o que não 
sabe. Já começou mal pegando pelo hacker que eles pegaram. Outra coisa, não 
sei se vocês viram, foi a tradução dos jargões de informática presentes na home 
page. "WEB: o mesmo que Internet ou net, a rede mundial de computadores." 
Pelo amor de deus! A Internet NÃO SE RESUME EM WEB! Pior que isso, só o 
conceito de Browser. Será possivel que esses repórteres vão continuar sendo 
burros? E mudando a crítica, o hacker citado tem um certo passado 
comprometido com vários outros "hackers", e nessa leva (não que eu me 
considere um, e não quero glórias por inveja) eu também.

	Acontece o seguinte: Esse "raquer" (o termo para ele tem que ser 
adaptado) não é um cara com conhecimentos suficientes para dissertar sobre o 
assunto relativo ao que em sua abrangência, se relaciona ao "computer 
underground". Pra começar, pedofilia na internet sempre foi uma constante, e 
ainda continua sendo, porque sempre haverá um site restrito com fotos, por mais 
Interpol que exista e esteja atuando até na conchinchina. O Mundo captalista 
gira em torno dessas coisas, e sendo a pedofilia uma conseqüência da degradação 
dos desejos humanos, hoje, em uma escala mundial, vai ser difícil Ter um 
controle de fato sobre esse assunto.

	Eu sinceramente não vou ficar rogando praga contra o provável 
especialista. O que eu quero dizer, é que, coitado do leitor que lê isso e acredita. 
Porque na realidade, quem não entende bulhufas do assunto, vai pegar isso como 
verdade, e a matéria está completamente deturpada. Começou com o 
desconhecimento técnico do repórter, pegaram uma pessoa que dentro da roda, 
realmente, não é hacker (digo isso com tranqüilidade porque ele me conhece) e 
ele o é graças a máfia da rede globo para fazer valer um sensacionalismo que é 
característico do Jornal  e da central Globo de Jornalismo.

	Numa das minhas investigações ninja, descobri que o Wanderley foi 
indicado para a tal pesquisa através do B Piropo, que é um dos colaboradores 
principais do Info & Etc do O GLOBO.

	O B. Piropo é uma pessoa, até onde eu "conheco ele", isto é, julgando 
pelas matérias que ele faz, bem inteligente. Acontece que um crime ele cometeu, 
ao chamar o "raquer", que infelizmente tem um ego maior do que minha 
barriga, para fazer um trabalho desse e dizer pro repórter (que é outra "porta" 
que não entende do assunto) que faz programas de segurança para órgãos do 
governo americano. Pelamordedeus, né?

	Nas últimas 4 edições, ele tirou toda a coluna dele para falar do Back 
Orifice. Olhem, esse era um dos temas que eu ia abordar com vocês, mas 
infelizmente o O Globo veio primeiro (o que eu considerei impressionante!).

	Na análise de B. Piropo, ele falou muita coisa que ele não sabia alí. Pra 
dizer a verdade, acho que ele jogou o tema no jornal para conseguir aprender 
mais sobre o dito cujo. Só depois de uns mails (milhares, provavelmente) que ele 
recebeu, é que ele descobriu que a porta na qual atua o Back Orifice (podendo 
ser alterada ao gosto de quem o configurar), a 31337, significa, na linguagem 
"h4x0r", de ELEET (elite). Outra coisa interessante, que ele escorregou, é dizer 
que o NetBus veio depois do Back Orifice. Não, o NetBus é MUITO MAIS 
ANTIGO que o Back Orifice, apenas não era tão difundido quanto o dito cujo. O 
NetBus tem uma abrangência muito maior, podendo atacar até o Windows NT! 
Entretanto, o arquivo é maior, e mais corpudo. O Back Orifice já é menorzinho 
e, como disse ele na reportagem do "Back Orifice III", agora os caras do cult of 
the mad cow, criaram um certo artifício para que o Back Orifice seja 
"implementado" no seu computador, a partir de uma instalação de um programa 
original, naquele famoso "InstallShield Wizard", que é aquela barrinha de 
porcentagem que abre no canto inferior direito toda a vez que você instala um 
Word da vida. Pois é! Terror, né?

	Na ultima edição na qual o autor fala sobre Back Orifice (foi a única 
parte que eu ainda não lí), ele não culpa a microsoft pelo Back Orifice. Não 
culpa os autores também, mas culpa o próprio usuário. Todo mundo que eu 
perguntei já comentou sobre o tema comigo e defendem essa tese: A culpa é do 
usuário. Eu já tenho uma visão diferente e até sugestiva para a própria microsoft.

	Em primeiro lugar: Vamos pela análise do que é o Back Orifice. O 
Back Orifice, na pior das hipóteses, pode ser considerado uma ferramenta de 
administração de computadores à distância! Assim disse o próprio autor do 
NetBus, segundo o próprio B Piropo. Eu, particularmente, gosto de ver a 
situação da seguinte maneira: O cara que construiu o Back Orifice, não é um 
imbecil. Ele é um gênio. Ninguêm tem dúvida disso, eu acho. E ele é um gênio 
porque supostamente ele queria é fazer um caos enorme diante o Windows! Ora, 
vejam que engraçado, o Back Orifice não roda em OS/2, ou em Windows NT. 
Roda em Windows 95 e 98! Plataforma usada por pelo menos 3/5 dos 
computadores mundiais, senão mais que isso! Entretanto, é um problema da 
Microsoft tentar conter (entendendo-se que o interesse de fazer ou não esse 
impedimento é deles) o alastramento do BO! Sendo patch (embora não adiante 
as vezes), qualquer coisa. Acontece que o BO atua especificamente no Windwos 
95 e 98! E vamos supor, que o cara que compre o Windows 98, eventuamente, 
vá na tucows da vida, pega um .EXE que supostamente é limpo de Back Orifice 
(que tenha o installshield wizard com BO graças a um hacker "mauzão" que 
enfiou o dito cujo do .EXE infectado num mirror da tucows lá em taiwan), o cara 
instala, e foi vítima de ataques. E os dados que o cara perdeu? Ele pegou o 
programa certo? Pegou. Supostamente é um programa seguro? É. Em termos! A 
Tucows é 100% segura? Não! Nenhum site é! Principio básico existente quando 
se leva em conta sistemas operacionais e Internet! A culpa é necessariamente do 
usuário? Não! Nenhum sistema operacional é 100% seguro! Faltam esses 
conceitos que existem, mas e a Microsoft? Vai chegar e "não, o problema é do 
usuário, dane-se!" Tem que haver um certo aprendizado a partir desses 
problemas, e partir daí a chegar a um nível de perfeição de funcionamento do 
sistema operacional (seja ele windows 98, ou qualquer outro)! Mas não, a culpa 
não é da microsoft! Foda-se todo mundo que é vítima do Back Orifice 
(ingenuamente pegando .exe's de deus e mundo ou vítimas de outras formas de 
alastramento do dito cujo, como a do caso do InstallShield). Muita gente me 
censurou pelo meu pensamento, porque não dá para evitar o tal do Back Orifice. 
Eu tenho um pensamento muito conceitual e perfeccionista em cima dos 
princípios da Internet. Mas é assim que tem que ser pensado! A Microsoft, com 
o patrimônio e poder de império que tem (não podemos negar isso), pode ao meu 
ver, ajudar ao coitado do usuário a evitar a disseminação, ou até remediar com 
algum certo tipo de patch! Afinal a Microsoft deve aos seus clientes que 
compram o Windows 98.

	Sobre o Back Orifice, eu acho até que já chega. É assunto manjado.

	Outros temas que eu iria abordar, seria sobre o Warezing, ou o 
Juarezing, o novo formato MP3 pela Yamaha (O tal de VQF). Provavelmente, a 
turma do Info & Etc agora vai ficar falando da Microsoft e o novo processo, algo 
que eu não vou ficar esmiuçando porque realmente eu quero que a Microsoft se 
exploda. Enfim, vou deixar para você, leitor, escolher o próximo tema ou até as 
dúvidas a respeito de nossas matérias.

	Para a turma do NT, já viram q tio Bill Gates tá investindo pesado! 
Estou com a Beta 2 do NT5 nas mãos, pronto pra instalar aki em minha 
máquina. Foram uns 400 megas downloadeados mas parece que vale a pena. :) 
um amigo meu lá em Miami testou, e parece que tá funcionando! Vamos ver por 
aki como está esse NT de novidades.

	Por falar nisso, meu e-mail andou mudando, entretando vou divulgar 3 
para que você, leitor, possa entrar em contato comigo para tirar dúvidas. Aki 
estão

	Rasjr@iname.com
	Marlboro@putaquepariu.com (informal)
	Rasjr@rio.matrix.com.br (mais recente)

	Por hoje é só, um abraço, e até a próxima.







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Linux Area
Novidades sobre Linux/Unix e sistemas alternativos 
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Guilherme Manika


-- Debian 2.0 --

A distribuição Debian 2.0 do Linux foi lançada já faz algum tempinho. Eu
tenho o Debian 2.0 instalado em dois computadores. Em um deles, foi
feita a instalação a partir do zero, e no outro foi feita a atualização.
A atualização do Debian, como sempre, é perfeita. O sistema que eu atualizei 
para 2.0 era originalmente um Debian 1.2, que foi atualizado para 1.3 e depois 
para uma versão preliminar do 2.0, antes de chegar à versão 2.0 final. Todos os 
programas são instalados perfeitamente, na ordem necessária, e a configuração 
de todos os pacotes continua simples.  Tarefas "penosas" como instalar um 
servidor SMTP ficam tão simples que quase perdem a graça.
Uma curiosidade dessa atualização é que o Debian deixou de usar a libc5 para 
usar a libc do projeto GNU, chamada de glibc2 ou, no caso do Linux e por 
motivo de continuidade, libc6. Por causa disso, recomenda-se que você reinicie o 
seu computador após a atualização (o formato dos arquivos wtmp e utmp 
mudaram, já se preparando para suportar os números de IP longos do IPv6) - 
algo que no mundo Linux só costuma ser necessário após atualizar a kernel.
O Debian 2.0 vem com muitos pacotes bacanas, como o The GIMP 
<www.gimp.org>, o Midnight Commander, uma versão nova do ótimo 
visualizador de fractais Xaos, e uma tonelada de programas novos. A parte mais 
legal de cada versão nova do Debian são os inúmeros programas que, por um 
motivo ou outro, você não conhecia e agora são parte da distribuição - eu, por 
exemplo, fiquei conhecendo um pacote que permite criar interfaces GTK para 
programas em Perl. Também ajuda muito quando vem com aquele programa que  
seria legal instalar mas ficaria muito complicado, como é o caso de um Midnight 
Commander ou mesmo de um GIMP, que requerem algumas libs (gif, tiff, jpeg, 
aa, mesaGL...) que dariam muito trabalho de instalar uma a uma. Os fãs do 
Slackware que me perdoem (hey, eu usei Slack por pelo menos um ano) mas 
dependências entre pacotes são fundamentais.
A instalação do Debian a partir do zero está bastante simplificada se seu 
computador já está rodando algum sistema inferior como o MS-DOS, pois o 
próprio CD oficial já vem com arquivos .BAT que carregam a instalação do 
Linux sem necessidade de gerar discos de boot.  (Antigamente o Debian 
precisava de gerar uns cinco disquetes... era o inferno.)
Você já não é mais obrigado a usar o horrível dselect durante a seleção de 
pacotes (o dselect era causa de 11 em cada 10 desistências de instalação do 
Debian) pois a nova versão traz um conceito interessante emprestado do Red 
Hat: ao invés de selecionar os pacotes, você diz para que vai usar sua máquina. 
Assim, se você escolher algo como "Processamento de textos" e "Jogos", ele vai 
instalar vários editores de textos, o TeX, e vários jogos automaticamente. Eu 
achei que cada opção traz coisas demais. Por exemplo, eu escolhi 
desenvolvimento de programas como uma opção, achando que seria instalado o 
compilador C e mais alguns pacotes de desenvolvimento. Ledo engano, foram 
instalados pacotes esdrúxulos que nem sabia que existiam. Eu considero ser 
melhor para o usuário já acostumado não usar essa opção de instalação, aceitar o 
padrão do dselect e instalar manualmente o que quiser usando o dpkg na linha 
de comando.
O Debian atualmente é quase que 100% baseado em texto, ao contrário do Red 
Hat. É lógico que até por respeito a suas origens, o Debian não vai deixar de ser 
em modo texto (e se você quiser saber, isso é a grande vantagem dele). Mas o 
Debian vai virar cada vez mais gráfico ao mesmo tempo que fica cada vez mais 
fácil de usar. A versão 2.0 traz um pacote chamado menu, que atualiza 
automaticamente os menus dos gerenciadores de janelas para mostrar os novos 
programas que são instalados, retirando os que não existem mais.
O Debian usa seu próprio formato de pacotes, o deb, enquanto as grandes 
distribuições (Red Hat, Caldera, SuSE) usam o formato rpm. Isso quer dizer que, 
não raro, você vai encontrar programas disponíveis apenas como rpm's ou 
source. Os usuários de Debian procuram, sempre que possível, disponibilizar a 
mais quantidade possível de pacotes compatível com alta qualidade, mas isso 
significa que ocasionalmente vão haver demoras entre lançamentos de 
programas e lançamento de seus pacotes em formato deb. Por exemplo, o Gnome 
(futuro desktop padronizado do Linux) só recentemente se tornou disponível em 
formato deb, quando desde a primeira versão está disponível em formato rpm. O 
Debian traz o pacote "alien", que converte rpms, debs, tgzs e slps de uns para 
outros formatos, ao custo de perda de dependências.
Afinal, se você já usa Debian, a atualização para 2.0 é tão obrigatória que você já 
deve ter feito. Não há uma revolução geral, apenas uma grande evolução, com 
adição de novos e mais legais pacotes. O Debian está mais fácil de instalar, e 
embora ainda seja uma distribuição inclinada a usuários experientes, continua 
sendo uma ótima escolha para os novos usuários. O Debian tem um conjunto de 
pacotes mais bem selecionado e de mais alto nível e qualidade que o Red Hat, 
com o custo de seu formato de pacotes não ser tão popular assim. Ao contrário 
do Red Hat, não há ferramentas gráficas próprias de administração do sistema.  
No geral, a distribuição de mais alto nível do Linux, exigindo um pouco mais de 
conhecimento por parte do usuário e uma certa tolerância à sua popularidade 
não tão grande assim.
E no dia em que escrevo isso, foi anunciado o "feature-freeze" do Debian 2.1. A 
próxima versão estável do Debian deve estar disponível no fim de novembro, se 
não houver uma das tradicionais demoras. A próxima versão deverá vir com um 
auxiliar de gerenciador de pacotes de nova geração, o apt-get, além de vir com a 
versão mais nova disponível na época de lançamento do Gnome.


Linux adquire novas empresas

O título é uma brincadeira, mas é mais ou menos isso que está acontecendo. 
Desde a última vez que escrevi, o suporte ao Linux cresceu incrivelmente. 
Algumas empresas que anunciaram suporte ou ampliaram suporte desde então 
são: Oracle, IBM, Compaq, Intel, Corel, Dell, Microsoft (sim, você leu certo), 
Sun, Netscape, Apple...
Bem, a primeira fase de companhias dominadas pelo Linux foi de companhias 
com problemas financeiros graves, do tipo Netscape e Corel.  Embora elas não 
estejam completamente sanadas, parece-me que já não dão mais prejuízo, o que 
é um começo. (não estou dizendo que é graças ao Linux, não me 
"des"interpretem...)
A segunda fase foi de companhias de banco de dados. Lançaram Informix, 
Oracle, Sybase, DB2 e mais uma tonelada de bancos de dados ao mesmo tempo 
para o Linux. O lançamento de um deles causou o lançamento quase instantâneo 
dos outros, mostrando que as empresas envolvidas já estavam trabalhando em 
versões para Linux há tempos.
A terceira fase, a atual, são as empresas de hardware. A Sun já havia anunciado 
um certo suporte há algum tempo, na estratégia de "todos contra NT". Mais 
recentemente, ficamos sabendo que a Dell já vem distribuindo, em testes, 
computadores com Linux pré-instalado - a venda geral de computadores com 
Linux pré-instalado deve começar na Europa em breve. A Compaq comprou a 
Digital - que já dava suporte ao Linux, tendo ajudado a portar o Linux para a 
plataforma Alpha - e anunciou bem recentemente ampliar o suporte ao Linux 
tanto na plataforma Alpha quanto na Intel. E, o mais importante de tudo, a Intel 
jogou uma penca de dinheiro nas mãos da Red Hat, supostamente dando à Red 
Hat e a um grupo selecionado de desenvolvedores do Linux o mesmo tratamento 
antes dado apenas à Microsoft - ou seja, eles ficam sabendo das coisas antes do 
resto do mundo.
Ah, e falando do Império do Mal, a Microsoft tem usado o Linux como defesa 
nos processos antitruste que ela vem sofrendo. A linha de defesa é: "Meritíssimo, 
como podemos ter um monopólio se o Linux cresce mais ano a ano do que todos 
os nossos sistemas operacionais juntos?". Claro que isso é o que a Microsoft diz 
para se defender das alegações de abuso de monopólio. Para a suposta "imprensa 
especializada", como as revistas editadas pela Ziff-Davis, a coisa é bem diferente 
- ou nem tanto. Bem, Bill Gates disse que ninguém jamais tinha falado nada 
sobre Linux na frente dele, por isso que a Microsoft não suporta o Linux. Bem, 
isso é uma bobagem, e talvez o Gates não saiba, mas o Microsoft NetShow para 
Linux está disponível faz bastante tempo. Além disso, várias máquinas sob o 
domínio microsoft.com rodam em Linux. Mas bem, alguns dias depois o Steve 
Baulmer (Baummer, Balmer, sei lá) se tornou presidente da Microsoft, e ele 
anunciou com todas as letras que o Linux é sim o maior concorrente do 
Windows hoje, e anunciou que deve lançar pedaços do código fonte do Windows 
NT ao público - claro que sob uma licensa restritiva). No fim das contas, eles 
continuam com o jogo de espalhar à imprensa e ao público através do grupo Ziff-
Davis o Medo, a Incerteza e a Dúvida. Bem, espere uma versão do Microsoft 
Media Player for Linux em breve.
Na edição de 10 de Agosto da revista Forbes, quem foi a capa? Linus Torvalds, 
grande Mestre e Criador do Linux. Wow. Matéria dentro, muito correta (embora 
nada inédita) falando sobre o Linux, o projeto GNU, Perl, Apache... o de 
sempre. Essa matéria foi republicada, junto com uma entrevista já meio 
antiguinha com o Linus Torvalds, pela Info Exame. O incrível é que a Info 
Exame sempre meteu o pau no Linux, falou mal dele até quando deu o prêmio 
de melhor produto do ano a ele. Mas de repente a Forbes lança matéria de capa 
com Linus Torvalds, e "por acaso" a Info Exame começa a botar matérias 
respeitosas, lança uma coluna sobre Linux em seu "site", inaugura um fórum 
sobre Perl, cita frases de Linus Torvalds, dá mais destaque ao Linux no Info 
News... é incrível como uma única revista consegue ser tão submissa assim. A 
Info Exame, como sempre, perdeu a chance de estar à frente de seu tempo para 
ficar atrás, bem atrás. Repito: como sempre. Bem, se pelo menos eles deixassem 
de escrever "games" para escrever "jogos", talvez o conceito que eu tenho deles 
aumentasse - mas como sempre, eles preferem ser submissos e ficar atrás, bem 
atrás...
Pelo menos agora, a cada edição do Correio Info que recebo no meu email, vem 
no finzinho a linha "-Powered by Linux-". Menos mal, embora não pague os 
pecados deles.


aalib

Você não viveu se não conhece a aalib, uma biblioteca gráfica para modo
texto. Simplesmente fantástica! Ela usa os caracteres da tela para
compor imagens, fica excelente.
Pegue a libaa em http://www.ta.jcu.cz://aa (ela já vem com o Debian 2.0). Pegue 
nessa mesma página a demo da biblioteca. Você vai ficar surpreso, aparecem 
fotos dos criadores, uma zebrinha "3D", uns efeitos com uma rosquinha... 
fantástico, vai mudar sua vida. O Xaos, um visualizador de fractais muito 
bacana, também suporta a aalib. (aliás, o autor do Xaos é um dos autores da 
aalib, e também do jogo Koules)
No mesmo lugar você encontra uma ligação para a aavga, um substituto para a 
svgalib que permite usar os programas svgalib em modo texto. Já pensou rodar 
Quake II a uma resolução de 80x24 caracteres?
ATENÇÃO!! Se você é um daqueles que acha idiota fazer filme preto-e-branco 
só porque eles podem ser coloridos, esqueça. A aalib é arte pura, ela foi feita 
porque é legal e agradável. Se você é um daqueles que ficam se gabando com 
placas 3D, MegaSextiums de 3000 GHz, discos rígidos de 17 GB, modems de 
987633 Kbps, e acha que um Pentium 200 é velho e ultrapassado, melhor não 
pegar a aalib, porque você não sabe o que é um computador de verdade. Mas se 
você é assim, provavelmente já lê a Info Exame e tem a ilusão de estar bem 
informado.

Guilherme Manika
<xfrael@usa.net> é
mais um na multidão






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OS/2 Zone
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Roney Belhassof

É com grande prazer que estou substituindo nosso amigo Maclei nesta coluna! 
Como muitos não devem me conhecer devo observar as regras de etiqueta e me 
apresentar, certo? Bom, não há muito que falar de mim. Sou apenas um usuário 
de OS/2 desde a versão 2.0 (lançada em 1992) e um profissional da área de 
bancos de dados voltados a coisas como Knowledge Management, Business 
Inteligence e outras coisas do gênero! O mais importante é que sou mais um 
satisfeito usuário do OS/2 Warp 4 (também conhecido como Merlin) pronto para 
comprar a versão 5 que está para sair. Mas já falei demais de mim! Não estou 
acostumado a toda esta etiqueta então vamos logo ao que interessa!! O OS/2!! :-) 
O OS/2 já é um sistema operacional mitológico a estas alturas! Afinal, como a 
Fenix, ele é morto e ressussita quase todo mês e a MS se assemelha ao abutre 
que toda a noite comia o fígado do deus Prometeu que, como o OS/2, levou o 
conhecimento aos homens!! Exagero meu? Nem tanto uma vez que foi o OS/2 
que trouxe realmente a interface orientada a objetos e a desktop, foi ele que 
mostrou as potencialidades do drag&drop. 
Nesta primeira coluna vou me preocupar com dois pontos! Primeiro acho que é 
sempre bom mostar que o OS/2 está longe de morrer e, para isso, falarei um 
pouco dos planos que a IBM tem divulgado para ele e da existência de outras 
empresas que o fortaleçam. Em segundo lugar sempre tem as novidades que 
nunca são poucas sobre ele, mais claramente o 
iminente lançamento do novo Warp Server 5.0! 
O plano atual da IBM para o OS/2 é usá-lo como servidor de ambientes NC 
(Network Computing) e como um cliente para Workstations dedicadas a 
utilização de bancos de dados ou outros aplicativos envolvidos em knowledge 
management. Isso tem garantido a atualização do OS/2 que vem tendo sempre a 
versão mais atualizada do Java, novos drivers e fixes constantes para aprimorar 
seu TCP/IP entre outras melhorias. Isso nos garante que a IBM manterá seu 
suporte ao OS/2 por muito tempo. Por 
outro lado temos as principais software houses alternativas ao mundo Windows 
produzindo software de qualidade para o OS/2 e o Linux. Bons exemplos são o 
Star Office (da www.stardivision.com) e o PMMail (da www.southsoft.com). O 
primeiro é um tipo de Office (disponível também para Windows e Linux) mas 
que chega a ir além do que o da MS vai em vários sentidos! Vale a pena 
conferir! O segundo é um excelente mailer que só tem versão OS/2 e Windows. 
O que importa é que o OS/2 continua sendo uma ferramenta estratégica para a 
IBM e continua nas boas graças de excelentes softwarehouses! Nas próximas 
colunas estarei sempre comentando alguma empresa e os produtos que ela nos 
oferece. Como está sendo lançado um novo OS/2 reservarei também sempre um 
espaço para debulhar seus novos recursos!! 
As últimas eu deixarei sempre para os últimos parágrafos, certo? E por falar 
nelas... 
Não deixe de procurar pelo PGP 5 para OS/2 em www.openpgp.net e pelos 
mailers que são integrados a ele: o PMMail (www.southsoft.com), o MR2-Ice 
(que pode ser encontrado junto com o PGP) e o Java Street mailer 
(www.innoval.com) onde se encontra também o Post Read mailer. 
Este mês entrou no ar o Institute of Black Magic: IBM!! ;)) Trata-se de uma 
critica à falta de visão da IBM (aquela outra) ao não dar o devido valor ao 
mercado SOHO (nós). Está escrito em inglês e vale a pena conferir: 
www.os2brasil.com.br/novidades/ibm.shtml 
No mês que vem falarei menos de mim e citarei mais novidades e fatos sobre o 
OS/2!! ;-) 

[]s 
Roney Belhassof
roney@infolink.com.br


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DIÁRIO  DA  TROPA
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P.C.Barreto (barreto@pobox.com)


Nota do editor: A utilização dos melhores textos do Diário da Tropa, é 
autorizada pelo autor,meu amigo PC Barreto. 


O REI DOS CARAS-DE-PAU

Poucas vezes assisti um frisson tão grande na imprensa de informática: a 
chegada desse tal de Mark Abene está mobilizando, sem distinção, toda a 
comunidade de usuários; todos apalermados, distantes de qualquer análise do
que realmente representa toda essa reverência.
Consta que o sujeito se tornou algo como o papa do submundo informata por 
suas façanhas de violação de sistemas alheios, motivo pelo qual passou uma 
temporada na cadeia.  De volta à liberdade, tal como Paula Thomaz, Mr. Abene 
conseguiu emprego fácil: caiu nos braços das grandes multinacionais, que não 
mediram despesas (nem danos à imagem) para ter o elemento e seus amigos 
como "consultores de segurança de sistemas" ou algo do tipo.  Imagine como 
uma palestra de um sujeito desses deve ser valorizada no Brasil.

E é mesmo: provavelmente cegada pelo brilho desse elemento consultor de 
sistemas, toda a imprensa brasileira se "esqueceu" da diferença entre hacker e 
cracker.  Evidentemente, ser hacker não é crime.  O cara pode até ser hacker e 
ser o orgulho do papai ("ao menos o garoto não está se envolvendo com drogas 
nem engravidando mocinhas inocentes").  Ser hacker traz uma distinção num 
mundinho informata que acha o máximo extrair todo o potencial da máquina, 
considera natural dar takeover em canal do IRC, ignora direitos autorais, pensa 
ser um direito divino dos espertos arranjar meios de economizar nas contas 
telefônicas, enfim, anda numa Zona do Crepúsculo entre a molecagem e a 
delinqüência.
E foi na delinqüência que Mark Abene mergulhou de cabeça. Por mexer sem 
autorização no que é dos outros, foi condenado por uma Justiça um pouco mais 
alfabetizada informaticamente que a deste país-que prende e arrebenta 
provedores pelo conteúdo que não criaram. As férias forçadas só aumentaram a 
lenda em torno de "Phiber Optik" (seu nome de guerra): como um El Cid ou um 
Coração Valente, era venerado pelo que fez, pelo que dizem que fez e pelo que 
dizem que poderia ter feito.
Já que está paga a dívida do elemento com uma sociedade considerada mais 
séria que a nossa, pouco importa que Abene tenha sua empresa e atue como um 
hacker "do bem:" a demanda por seus serviços só faz sentido porque os sistemas 
de informática estão sob a permanente ameaça de ataques de criminosos muito 
hábeis, atraídos tanto pelo dinheiro quanto pela diversão "pichadora" de exibir 
seus feitos numa comunidade de malfeitores.  Neste sentido, a "consultoria de 
segurança de sistemas" está à beira daquilo que na antiga Sicília tinha outro 
nome.

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IRCONTROS, A QUESTÃO

Hoje, marcar um encontro "geral" de usuários se tornou uma impossibilidade 
técnica; nem tanto pelo fato de não haver Maracanã para reunir tanta gente, mas 
porque dizer que Fulano de Tal é usuário da Internet não quer dizer mais 
absolutamente nada - Fulano de Tal só está cumprindo sua obrigação de cidadão 
"muderno" e "globalizado". Pelo menos é assim que estou sentindo que vendem 
o peixe da Grande Rede: não houve abertura ou democratização de coisa alguma, 
só a empáfia elevada ao cubo, a exclusão como estilo de vida, a obsessão por 
seguir o rebanho.
A crise nos encontros de usuários não se limita à questão de quem toma 
chopinho com quem em qual local.  Anos atrás, quem estava no Rio bastava 
convidar um pessoal para jogar conversa fora no folclórico Barril 1800, em meia 
hora todo mundo já chamou todo mundo e 90% da galera morava entre 
Copacabana e Leblon mesmo... Desse jeito, ser democrático era muito fácil!  Vá 
justificar a essa malta um projeto de informatização das favelas - até a esquerda 
concluirá que um plano desses apenas vende os computadores dos polvos 
imperialistas ianques.  Ou seja: não vejo um futuro de IRContros alegres e 
felizes envolvendo mais de duas pessoas. É cada vez mais difícil administrar um 
clube de usuários tão heterogêneos que só sabem repetir o refrão: "Oi, gata!  Tá a 
fim de um cyber?"

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CRACKERS: MAIS DUAS PALAVRINHAS
Ainda sobre a turnê brasileira de Mark Abene (o "hacker do bem" de clientes 
bilionários, citado semana passada): muito abaixo do que fazem crer as 
lantejoulas hollywoodianas de "Jogos de Guerra" (bom), "Quebra de Sigilo" 
(competente), "O Passageiro do Futuro 2" (tedioso) ou "Hackers" (Lexotan), as 
precauções internautas de Mr. Abene são bem idiotinhas.  Segundo a "Veja," o 
tal ídolo dos hackers não libera seu número do cartão de crédito pela Internet, 
preferindo fazer compras pelo telefone-como se dessa forma seus dados pessoais 
também não fossem passados para um sistema de computadores. Haja 
Ambervision!

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O ESCÂNDALO ANUNCIADO DA PORNOGRAFIA INFANTIL (I)
Sobre a manchete do Globo de domingo, eu (e a Internet e a torcida do 
Flamengo) gostaria muito de saber quem são os tais crackers que invadiram o 
site do Inpe para espalhar fotos eróticas de crianças. Se seus nomes forem 
revelados, em vez de execrados como invasores de sistemas e distribuidores de 
pornografia infantil, serão exaltados por seus pares (que não consideram a 
pedofilia, no mau sentido do termo, exatamente um pecado capital) como Marks 
Abenes brasileiros. Se passarem um pente finíssimo em toda a escala criminosa 
que resultou na invasão do site, a Polícia Federal ficará desconsolada em ter que 
chamar a Interpol para garfar a maioria dos fotógrafos de crianças e, na parte 
brasileira do esquema, encontrar os usuários típicos: muitos menores 
(inimputáveis, claro), branquinhos, ricos, bem nutridos, bem nascidos, às vezes 
filhos de "otoridades" mais inimputáveis ainda. 


[O DIÁRIO DA TROPA é uma produção independente distribuída pelas listas 
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