-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=--=-=-=-=-=-=- T E C H N O R Á C U L O Revista eletrônica sobre Informática em geral e Internet [[[ Edição 13 ]]] Outubro de 1998 http://www.fuchs.com.br/techno/ -=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=--=-=-=-=-=-=- Equipe: Daniel Braga S. dos Santos (danielbss@starmail.com) Roque Santos Junior (rasjr@uninet.com.br) Maclei Tozzato (maclei@geocities.com) P.C.Barreto (pcbarreto@pobox.com) Roney Belhassof (roney@infolink.com.br) Guilherme Manika (xfrael@usa.net) Assinatura do TechnOráculo: Basta enviar um e-mail para danlist@comports.com com o subject: Assinatura do TechnOraculo Se quiser pode mandar o seu recado também, mas não é muito garantido que eu leia pois geralmente o meu leitor de mensagens processa esse "subject" e manda uma resposta automática adicionando-o a lista dos assinantes. Se quiser falar sobre o zine use o danielbss@starmail.com e opine a vontade. :-) Geral: Existem duas versões do TechnOráculo, esta em texto e a versão HTML com imagens e links que é encontrada no site oficial da revista juntamente com as edições anteriores tanto em texto como em HTML. Visite http://www.fuchs.com.br/techno/ Para facilitar agradeço a quem possa enviar cópias da revista para alguns amigos que gostem de ficar informados. -=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=--=-=-=-=-=-=- Está liberada a cópia desta revista e a distribuição, desde que seja feita gratuitamente. Trechos e artigos também podem ser utilizados desde que seja citado o TechnOráculo como fonte e principalmente o nome do autor do texto. -=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=--=-=-=-=-=-=- --------------------------------------- Nesta Edição --------------------------------------- - Bytes - Verdades sobre o BackOrifice - NetPedofilia, BO e Hackers - Linux Area - OS/2 Zone --------------------------------------- Bytes --------------------------------------- Daniel Braga Siqueira Olá, estamos de volta com mais um TechnOráculo. Desta vez o número 13 ! Interessante o Techno com esse número ser lançado tão próximo de 31/10, o dia das bruxas não ? Temos novidades, uma substituição na sessão OS/2 Zone, que passa a ser comandada pelo Roney Belhassof (eu só não erro o nome dele porque uso recortar+colar) no lugar do Maclei que fica como colaborador em outras matérias diversas. O Diário da Tropa é uma sessão que contém as melhores matérias da mailing list criada pelo PC Barreto, e é publicada com total autorização do autor. Uma sessão falando sobre Linux e ocasionalmente sobre outros sistemas, a coluna do Roque e uma matéria sobre a mania do momento, o Back Orifice. Sobre o WebSite, quem o visitou ultimamente percebeu que as atualizações passaram a ser frequentes, ou seja, o TechnOráculo Web Site não é mais apenas um lugar para abrigar as edições da revista e sim um novo site de informação dinâmica. Por enquanto não está completo e diário, eu sei, mas o objetivo é tornar essas atualizações o mais frequentes possível. Estou preparando para colocar no ar vários tutoriais que já foram publicados mas que valem a pena serem lidos por quem esta começando na Internet, como o ICQ, Free Agent, IE4, Pegasus Mail, etc. Ah sim ! O editor de vocês agora é professor, estou dando aulas no curso NTI (Núcleo de Tecnologia e Informática) no Centro do Rio. Uma espécie de pacote englobando Introdução a Informática, Windows 95, Word, Excel, Access e Internet. Uma coisa bem inicial indicada mesmo para quem está começando a usar o micro, não é um curso intensivo de Word por exemplo, esmiuçando cada cantinho... Não, é basico mesmo, até como teste para mim, já que eu nunca fui professor na vida, até agora esta tudo bem. :-) Se alguém do Rio estiver interessado o telefone é (021) 232-1767, diga que quer ter essas aulas com o Daniel Braga ou com qualquer outro professor, já que eu só posso dar aulas por lá a noite ou talvez no futuro aos sábados. Por enquanto é só gente. Leiam e divirtam-se ! :-) []s --------------------------------------- Verdades sobre o Back Orifice --------------------------------------- Daniel Braga Siqueira O IRC para mim sempre foi uma mania passageira, de vez em quando fico vidrado, a ponto de escrever scripts, ser OP em canais e arrumar grandes amigos, e as vezes passo meses e meses sem nem ligar para isso. Nas últimas semanas ando na fase "vidrado" e nessas mesmas semanas surgiu um novo programinha diposto a ferrar com nossos micros, o Back Orifice. A primeira vez que tive noticias do Back Orifice foi na página da ZDNet se não me engano. Fiquei sabendo que era um programa "Cavalo de Tróia" e liberava a sua máquina totalmente, para quem tivesse a "outra metade" cliente, podendo fazer praticamente qualquer coisa: capturar suas telas, filmar você (se tiver câmera), transformar sua máquina num servidor HTTP e navegar pelo seu HD vendo o que quiser, colocar o seu Command.com para funcionar via Telnet e assim cair no seu próprio DOS. As possibilidades de violação de privacidade são ilimitadas. E-Mails podem ser lidos com facilidade, discos podem ser formatados, home-pages podem ser alteradas, papéis de parede também, provas de crimes por exemplo poderiam ser implantadas... O que você acha da polícia vasculhar o seu HD e encontrar diversos textos sobre pedofilia e um diário de como você teria "assassinado" diversas "vítimas" na última semana ? Bom, já que sabemos o que faz o tal do BO (vamos chamar assim) podemos continuar com a nossa estória, que deu origem ao título. Estava eu no IRC, batendo um papo, quando uma figura se dispôs a me enviar alguns textos e zines "Hacker" compactados. Ok, recebi o arquivo EXE e abri normalmente. É comum o Winzip criar arquivos EXE para quem não tem como abrir arquivos ZIP vi os textos e pareciam bem legais. Ai a mesma figura me enviou outro arquivo, desta vez meio esquisito, quando fui procura-lo em na pasta, vi que não tinha nenhum Ícone ! Pensei que tivesse ocorrido um erro de transmissão e resolvi executar pra ver se dava algo como "Corrupted File" ou coisa do gênero. Não! O arquivo simplesmente sumiu... E na mesma hora passou tudo como um flash pela minha cabeça ! BACK ORIFICE, 122 KB ao se instalar desaparece !!! Caramba ! Tratei de me desconectar da rede o mais rapidamente possível, para evitar que meu endereço IP fosse descoberto. Desconectado e após xingar todas as gerações do meu algoz e pensar como pude ser tão otário, conectei-me tomando cuidado para não usar mIRC nem ICQ (onde qualquer zé mané pode descobrir seu endereço IP) e fui com meu navegador buscar programas que arrancassem essa coisa do meu Windows. Fui parar na página do Centro In onde fiz download do B.O.R.E.D. , um bom programa e que instalado tirou o BO do meu micro após alguns boots para confirmar se ele não tentava se reinstalar. Porém depois de conhecer outros programas "vacina" achei o B.O.R.E.D. meio parrudinho (1 MB) para tirar um programeto de 122kb... Pois é, BO retirado, fiquei pensando qual o grau de controle que o cara poderia ter tido sobre o meu computador. Só testando para saber. E lá fui eu atrás da versão cliente do Boná página dos seus criadores, que não vou citar aqui mas que meio mundo já deve conhecer já que a imprensa inteira resolveu contar quem e onde fica o site dos malvados criadores do Back Orifice. Como programas cliente, temos o Boclient.exe que roda em DOS e o BOGui.exe que funciona na interface do Windows e que é fácil (mas não tanto) de usar. Eu esperava encontrar uma interface bem mais amigável, visto que sempre disseram que qualquer imbecil poderia usar o BO. Mas a coisa não é bem assim. É necessário conhecer ao mínimo o que são processos, rede, http, etc. senão a coisa não vai. Pelo menos existe um pouco de alívio neste sentido, mas só nesse, porque o que ninguém mostrou até agora em todo esse oba oba que a imprensa está fazendo sobre o BO é o REAL poder destrutivo do software. Não adianta nada ficar explicando onde e como localizar o tal do exe~1.exe que todo mundo já sabe que é o BO e que pode ser retirado com dezenas de programinhas freeware. Tem que se mostrar o que o BO pode REALMENTE fazer e PROVAR isso, porque somente assim as pessoas vão se conscientizar deste perigo, que provavelmente só será resolvido quando uma nova versão do Windows ou Internet Explorer trouxer um fix para esta cratera aberta na segurança ou um utilitário que detecte e remova o BO sem a necessidade da intervenção do usuário. Vocês querem conhecer o que um usuário do BOClient pode fazer com você ? Então vamos começar a contar a estória. Achando a vítima ---------------- Você costuma frequentar canais de IRC como warez, imagens eróticas ou qualquer outro onde se troquem arquivos ? Parabéns, você é a perfeita provável vítima do BO. A coisa é simples, o carinha chega no canal e oferece o "crack" para poder rodar aquele jogo sem nenhuma mensagem pedindo pagamento, você pega o "crack", roda e ele funciona. Depois disso o cara que já pegou a sua confiança manda outro arquivo dizendo que serve para desbloquear aquele jogaço. Você pega o arquivo, roda e ele "some" ? O que teria acontecido ? Enquanto você continua o papo o "pseudo-hacker" provavelmente já pegou o seu endereço IP com o comando "/dns seunick". Entra no Back Orifice Cliente e manda um PING para o seu IP pra ver se está tudo funcionando se estiver... Outra possibilidade é a que você costuma deixar qualquer um que pede ter acesso a sua UIN no ICQ. Se você não sabe, toda vez que se conecta a Internet o seu IP fica disponível no ICQ, bastando para isso que a pessoa clique sobre o seu nome e escolha a opção "Info". Obviamente o "pseudo-hacker" já havia mandado anteriormente aquele famoso "crack" do joguinho, ou ainda aquelas fotos inéditas da Carla Perez compactadas em um .EXE, e você é claro aceitou. A mesma coisa acontece, ele manda um PING para o seu IP e se tudo estiver funcionando, já sabe. O que pouca gente sabe é que NÃO É NECESSÁRIO CONHECER O SEU IP para usar o BO ! Isso mesmo, vamos supor que o seu IP é 200.224.165.173, o cara chega no BO Client e manda "pingar" cada computador 200.224.165.* , do número 0 ao 255. Cada computador que ele localizar usando o BO ele vai guardar o número e informar. Agindo assim o "pseudo-hacker" impede que você o identifique, já que provavelmente não foi ele quem mandou o BO para você. É possível fazer uma busca por 200.224.* ? Não parece possível, pois o BO Client sempre trava, mas quem sabe ? Invadindo ---------- Vítima escolhida e devidamente "Pingada" o seu computador está a mercê do invasor. Exagero ? O simples fato de alguem, talvez maligno, poder acessar o seu command.com e assim cair no seu DOS dá poderes soberanos a qualquer um. Ele poderia apagar os seus e-mails importantes, ou os seus trabalhos da escola, mas também poderia encerrar a questão facilmente com um "deltree c:\". Se você acha isso o fim da picada, saiba que isso pelo menos afeta só a sua máquina, e o que pode ser feito na sua vida é ainda pior. Quem usa Eudora tem os e-mails guardados em arquivos de extensão MBX, que nada mais são do que arquivos texto contendo suas mensagens e eventuais arquivos anexos também em texto no formato MIME. Se a pessoa está no seu DOS, fica muito fácil executar um "type arquivo.mbx" e ler os e-mails que você guardou por considerar importante, talvez aquele e-mails em que veio a senha de um serviço que você solicitou pela Internet esteja sendo lido neste momento. Ainda estamos no DOS ? Acha que nada mais pode ser feito para "ferrar" com você ? O Windows guarda os links e pastas da sua área de trabalho. em arquivos .LNK em um diretório chamado "c:\windows\desktop\". Se você trabalha em um ambiente onde outras pessoas usam o mesmo computador, não seria nada dificil o cara criar uns arquivos .LNK para sites de pornografia infantil ou gays. Não tenho nada contra os gays, mas você pode ter, ou pode não gostar de que outras pessoas achem que você é gay. E ser pego visitando sites de pornografia infantil no trabalho não deve dar muitos pontos ao seu currículo. Todas essas brincadeirinhas são possíveis apenas com o uso do DOS, mas o próprio BO já vem com opções que são muito comprometedoras, e que requerem menos conhecimento técnico, a pior delas é a System Passwords, que caça senhas em sua máquina, e já os traz decodificados. Não é preciso dizer o estrago que isso pode causar em seu bolso e na sua privacidade. E-mails em seu nome podem ser enviados para onde quer que seja, até mesmo solicitando serviços ou produtos para terceiros, e neste caso você teria menos chance de dizer que não foi o autor do pedido. Pode-se solicitar uma lista dos programas que estão sendo executados no micro alheio, fechar programas facilmente e até mesmo executa-los. Não, não sei se é possível executar algo como Format ou Deltree, espero que não seja. Mas como já é possivel entrar no DOS, isso não faz muita diferença. Verificar as conexões de rede da máquina também é outra tarefa fácil de executar, não entende muito de rede para saber o que são as informações que o programa retorna, mas acho que as senhas para entrar em cada máquina também ficam disponíveis, o que quer dizer que uma máquina na rede que não tenha o BO instalado pode ser vigiada ou alterada anonimamente. Capturas de tela são motivos até de home-pages que colecionam as imagens. Estive passeando por algumas delas e tive que rir quando vi que em uma das "fotos" capturadas, alguém estava tentando usar o BO para invadir outro micro, sem perceber que ele mesmo tinha o BO Server rodando... Hilário. Em outras fotos haviam mensagens enviadas pelo invasor dizendo coisas como: "Esse programa para tirar o BO é uma droga, arrume outro ou pode topar com alguém que não tenha o meu caráter." Essa imagem eu encontrei em um site brasileiro. Enviar caixas de mensagens é o lado menos perigoso e mais cômico, teoricamente não se pode destruir o micro fazendo isso, mas pode assustar bastante o usuário novo uma caixa dizendo "O Drive C será formatado, todos os dados serão perdidos, clique em OK para continuar". Para copiar arquivos então é um menu de opções. Escolhe-se entre copiar via TCP-IP com o Netcat, ou transformar a máquina da pessoa em um servidor HTTP, que pode ser usado pelo seu navegador preferido para ver imagens, baixar arquivos e até fazer um upload, o que permite colocar para rodar outros programas de acesso remoto ou um reinstalador do BO para o caso do usuário remove-lo. Também é possível mexer no registro do Windows, monitorar o teclado (note o que pode fazer com as suas senhas bancárias), dar um boot (System Reboot) na máquina e se dar ao luxo de compactar e descompactar arquivos usando um compactador chamado Freeze e o Melt que descompacta. Além de existirem os dois executáveis na máquina invasora, eles podem ser usados remotamente para compactar/descompactar um arquivo na máquina invadida, e diminuir o tempo de download de um arquivo qualquer. Depois de tudo isso você ainda está achando que não deve se preocupar com o BO ? Se voce acha que sim, a sua opinião não é diferente da opinião da Microsoft. Afinal a frase do momento, e candidata a tagline do ano é a seguinte: "O Back Orifice é uma ferramenta que nós não devemos levar a sério" - Edmund Muth, Microsoft Segundo a Micro$oft a maior carga de responsabilidade recai sobre o usuário que se deixa "infectar", como se eles não tivessem nenhuma responsabilidade sobre o sistema operacional queijo suiço que fabricaram. Portanto já que não podemos contar com os bilionários fabricantes do Windows, devemos tomar precauções. Diversos programas que retiram o BO já estão disponíveis, entre eles o B.O.R.E.D. que já foi citado (mas que é enorme) e o Anti-Gen (menor mas que não tive como testar) que pode ser obtido em http://www.arez.com/fs A novidade brasileira é o NoBO, diferente dos outros ele não foi feito para detectar nem remover o BO, mas se instala na porta 31337 e monitora os ataques e guarda o endereço IP de quem tenta invadir, pode-se configurar uma mensagem para a pessoa, dizendo que ela quebrou a cara ou coisa parecida, ou ficar "na moita" e tentar descobrir quem é a figura. Encontre o NoBO em http://web.cip.com.br/nobo/ , e quando alguém tentar entrar no seu micro guarde o IP/Dia/Hora/Minuto e avise por e-mail ou voz ao provedor do sujeito. Daniel Braga Siqueira (danielbss@starmail.com) é programador visual e cada vez que acessa a Internet recebe no mínimo 5 tentativas de invasão, detectadas pelo NOBO. --------------------------------------- NetPedofilia, BackOrifice e Hackers --------------------------------------- Roque S. Junior Olá amigos do Technoráculo. Finalmente, depois de mais de 5 meses (nos meus cálculos estimados), estou escrevendo para vocês. Como é de costume, vou lhes dizer o porquê de minha ausência. Na última matéria, na qual eu abordei, provavelmente, alguma coisa relacionada a Windows 98, ou sobre a microsoft, eu falei que eu estava atarefado com meu curso de piloto e com a faculdade, então estava estudando muito e sem muito rendimento e tempo para bisbilhotar a net. Pois bem, as coisas melhoraram bastante. Passei no curso, finalmente, tirei minha carteira e estou voando, e ando bem na faculdade. Entretanto, embora isso tudo pareça ser time- consuming, ainda tenho tido tempo para ficar ligado na internet e saber das novidades. Eu, como bom interneteiro que sou (odeio esse termo, mas é necessário usa-lo. Melhor do que usar "nerd"), vivo de orelha em pé com as novidades e as cretinices que os jornais andam escrevendo. Vários temas já passaram pela minha mesa para serem escritas para os senhores, só que antes que eu começasse a dissertar sobre o tema, o Globo ON ou o JB já vinha com o tema sendo "inédito" e com a versão deles da história. Então, era um banho de água fria, pois eu de certa forma gostaria de investir no furo de reportagem, e de falar algo que fosse mais inédito que no do jornal. Assim eu já investia um ponto de vista muito mais abrangente do que esses noticiários imbecis que é o Info & Etc do O GLOBO e o Informática do JB. O tema dessa edição vai ser bem crítico. Vou precisar da atenção dos senhores, pois vou falar sobre bastante coisas diferentes, visto que eu estou parado faz tempo. Em primeiro lugar, gostaria de remitir os senhores à edição do último Domingo do Jornal O GLOBO, cuja capa tem um piloto velhinho fazendo as comemorações do dia 23 de outubro, e na qual existe uma matéria específica falando sobre a pornografia infantil na internet, que foi uma pequena manchete nesse ultimo Domingo dia 18 de outubro. Eu tenho o jornal em mãos, a diferenca da versão HTML, na qual fala sobre um certo hacker chamado Wanderley Abreu. (http://www.oglobo.com.br/arquivo/rio/19981018/rio103.htm ) Gostaria de dissertar, não sobre pedofilia na internet, mas sobre a reportagem em sí. A matéria fala sobre hacking E pedofilia. Mas eu quero partir de outros enfoques. Primeiramente, sobre o conteúdo. O jornal o globo, principalmente o Info & Etc, nessas últimas edições, falou da operação contra os pedófilos da internet contra aquele site, famoso, o tal do Wonderland (na qual eles traduziram "país das maravilhas"), e comentou que a Interpol fez uma operação para prender os psicóticos tarados em criancinhas em serem presos ao mesmo tempo, e coisa e tal. Não estou por dentro de tudo (sobre a operação Wonderland), exatamente sobre a, mas essa matéria de Domingo me chamou a atenção. Ao ler o texto, o primeiro parágrafo, vocês vão ver a redundância da máquina hackeada, na qual o repórter põe entre parênteses "ilegal". Existe um princípio básico que ao se invadir uma máquina, qualquer que seja ela, seja espionagem, seja curiosidade, já é ilegal. Então nota-se a primeira escorregada do reporter, ao investir no óbvio. Até aí, é bobeira. Continuemos na reportagem. Depois, no segundo parágrafo, enfatiza-se que O GLOBO teve acesso ao endereço eletrônico clandestino. Durante uma semana, o especialista Wanderley Abreu investigou, e tal e tal, a pedido da reportagem, e achou fotos de meninas de todas as idades na máquina do Inpe. Outro fator interessante é o fato de O GLOBO passar o sensacionalismo gritante da seguinte frase: "Responsável pelo desenvolvimento de programas de segurança para grandes empresas, usado até mesmo por entidades do Governo americano, ele não chegou a se surpreender com a ousadia:" Para tudo! Agora, leitor, é que eu tenho que explicar certas coisas aki que estão equivocadas na matéria. Em primeiro lugar, eu devo confessar algo: Eu não gosto do Jornal O GLOBO, eu não gosto da REDE GLOBO e eu não gosto, principalmente, do Info & Etc. Ora, por quê? Puro e simples. O que vocês acabaram de ler, alí em cima, foi uma mentira das grossas baseado em sensacionalismo barato. Tenham um pouco de bom senso: Quando é, que entidades do governo norte americano, vão contratar um brasileiro, do porte do senhor Wanderley, para fazer programas de segurança? Mas daí vocês me perguntam: "Ué Roque, o que que têm? O cara não pode ser bom?". Não, leitor. O cara não é bom, simplesmente porquê eu conheço o cara. E conheco bem. O Daniel Braga, editor desta revista, também conhece. E eu lhes explico. Antes que vocês venham a achar que eu sou um recalcado que está afim de esculhambar um conhecedor da informática, fique sabendo, antes, do seguinte: Quando eu disse para não confiar no Jornal e nem na Rede Globo, eu falo sério. Então se a Matéria É do jornal O Globo, já é um motivo para desconfiar. Há de haver um mínimo de senso crítico. Mas acontece que meu senso crítico extrapolou ao ler essa reportagem. Voltamos ao assunto principal. O Governo americano, antes de mais nada, é tão paranóico que, não sei se os senhores sabem, mas já existe uma chave de criptografia de 128 bits existentes por aí, que já é implementado em Netscape's e Explorer's da vida. Acontece que existe uma lei americana que proíbe a exportação dessas chaves. Essa paranóia é grande porque o US Government, provavelmente, deve-se ao medo de ter certas informações que no futuro poderão ser importantes ou úteis para eles, fechadas nesse tipo de encriptação, cuja tentativa de quebra, num computador "super hiper ultra puxa avançado", levaria uma centena de anos, por aí. Outro fator: o referido responsável na citação acima é um velho conhecido. Já até apareceu na Angélica e no Fantástico falando de Hacking. Acontece o seguinte, não estou querendo ofender o tal Wanderley, mas chega-se ao ponto que ele apela de certa forma para o sensacionalismo (acho que nesse caso, a culpa é da rede globo, por mandar repórteres inexperiêntes para fazer perguntas) à proveito próprio de seu ego. O Primeiro crime cometido pela reportagem em sí é falar o que não sabe. Já começou mal pegando pelo hacker que eles pegaram. Outra coisa, não sei se vocês viram, foi a tradução dos jargões de informática presentes na home page. "WEB: o mesmo que Internet ou net, a rede mundial de computadores." Pelo amor de deus! A Internet NÃO SE RESUME EM WEB! Pior que isso, só o conceito de Browser. Será possivel que esses repórteres vão continuar sendo burros? E mudando a crítica, o hacker citado tem um certo passado comprometido com vários outros "hackers", e nessa leva (não que eu me considere um, e não quero glórias por inveja) eu também. Acontece o seguinte: Esse "raquer" (o termo para ele tem que ser adaptado) não é um cara com conhecimentos suficientes para dissertar sobre o assunto relativo ao que em sua abrangência, se relaciona ao "computer underground". Pra começar, pedofilia na internet sempre foi uma constante, e ainda continua sendo, porque sempre haverá um site restrito com fotos, por mais Interpol que exista e esteja atuando até na conchinchina. O Mundo captalista gira em torno dessas coisas, e sendo a pedofilia uma conseqüência da degradação dos desejos humanos, hoje, em uma escala mundial, vai ser difícil Ter um controle de fato sobre esse assunto. Eu sinceramente não vou ficar rogando praga contra o provável especialista. O que eu quero dizer, é que, coitado do leitor que lê isso e acredita. Porque na realidade, quem não entende bulhufas do assunto, vai pegar isso como verdade, e a matéria está completamente deturpada. Começou com o desconhecimento técnico do repórter, pegaram uma pessoa que dentro da roda, realmente, não é hacker (digo isso com tranqüilidade porque ele me conhece) e ele o é graças a máfia da rede globo para fazer valer um sensacionalismo que é característico do Jornal e da central Globo de Jornalismo. Numa das minhas investigações ninja, descobri que o Wanderley foi indicado para a tal pesquisa através do B Piropo, que é um dos colaboradores principais do Info & Etc do O GLOBO. O B. Piropo é uma pessoa, até onde eu "conheco ele", isto é, julgando pelas matérias que ele faz, bem inteligente. Acontece que um crime ele cometeu, ao chamar o "raquer", que infelizmente tem um ego maior do que minha barriga, para fazer um trabalho desse e dizer pro repórter (que é outra "porta" que não entende do assunto) que faz programas de segurança para órgãos do governo americano. Pelamordedeus, né? Nas últimas 4 edições, ele tirou toda a coluna dele para falar do Back Orifice. Olhem, esse era um dos temas que eu ia abordar com vocês, mas infelizmente o O Globo veio primeiro (o que eu considerei impressionante!). Na análise de B. Piropo, ele falou muita coisa que ele não sabia alí. Pra dizer a verdade, acho que ele jogou o tema no jornal para conseguir aprender mais sobre o dito cujo. Só depois de uns mails (milhares, provavelmente) que ele recebeu, é que ele descobriu que a porta na qual atua o Back Orifice (podendo ser alterada ao gosto de quem o configurar), a 31337, significa, na linguagem "h4x0r", de ELEET (elite). Outra coisa interessante, que ele escorregou, é dizer que o NetBus veio depois do Back Orifice. Não, o NetBus é MUITO MAIS ANTIGO que o Back Orifice, apenas não era tão difundido quanto o dito cujo. O NetBus tem uma abrangência muito maior, podendo atacar até o Windows NT! Entretanto, o arquivo é maior, e mais corpudo. O Back Orifice já é menorzinho e, como disse ele na reportagem do "Back Orifice III", agora os caras do cult of the mad cow, criaram um certo artifício para que o Back Orifice seja "implementado" no seu computador, a partir de uma instalação de um programa original, naquele famoso "InstallShield Wizard", que é aquela barrinha de porcentagem que abre no canto inferior direito toda a vez que você instala um Word da vida. Pois é! Terror, né? Na ultima edição na qual o autor fala sobre Back Orifice (foi a única parte que eu ainda não lí), ele não culpa a microsoft pelo Back Orifice. Não culpa os autores também, mas culpa o próprio usuário. Todo mundo que eu perguntei já comentou sobre o tema comigo e defendem essa tese: A culpa é do usuário. Eu já tenho uma visão diferente e até sugestiva para a própria microsoft. Em primeiro lugar: Vamos pela análise do que é o Back Orifice. O Back Orifice, na pior das hipóteses, pode ser considerado uma ferramenta de administração de computadores à distância! Assim disse o próprio autor do NetBus, segundo o próprio B Piropo. Eu, particularmente, gosto de ver a situação da seguinte maneira: O cara que construiu o Back Orifice, não é um imbecil. Ele é um gênio. Ninguêm tem dúvida disso, eu acho. E ele é um gênio porque supostamente ele queria é fazer um caos enorme diante o Windows! Ora, vejam que engraçado, o Back Orifice não roda em OS/2, ou em Windows NT. Roda em Windows 95 e 98! Plataforma usada por pelo menos 3/5 dos computadores mundiais, senão mais que isso! Entretanto, é um problema da Microsoft tentar conter (entendendo-se que o interesse de fazer ou não esse impedimento é deles) o alastramento do BO! Sendo patch (embora não adiante as vezes), qualquer coisa. Acontece que o BO atua especificamente no Windwos 95 e 98! E vamos supor, que o cara que compre o Windows 98, eventuamente, vá na tucows da vida, pega um .EXE que supostamente é limpo de Back Orifice (que tenha o installshield wizard com BO graças a um hacker "mauzão" que enfiou o dito cujo do .EXE infectado num mirror da tucows lá em taiwan), o cara instala, e foi vítima de ataques. E os dados que o cara perdeu? Ele pegou o programa certo? Pegou. Supostamente é um programa seguro? É. Em termos! A Tucows é 100% segura? Não! Nenhum site é! Principio básico existente quando se leva em conta sistemas operacionais e Internet! A culpa é necessariamente do usuário? Não! Nenhum sistema operacional é 100% seguro! Faltam esses conceitos que existem, mas e a Microsoft? Vai chegar e "não, o problema é do usuário, dane-se!" Tem que haver um certo aprendizado a partir desses problemas, e partir daí a chegar a um nível de perfeição de funcionamento do sistema operacional (seja ele windows 98, ou qualquer outro)! Mas não, a culpa não é da microsoft! Foda-se todo mundo que é vítima do Back Orifice (ingenuamente pegando .exe's de deus e mundo ou vítimas de outras formas de alastramento do dito cujo, como a do caso do InstallShield). Muita gente me censurou pelo meu pensamento, porque não dá para evitar o tal do Back Orifice. Eu tenho um pensamento muito conceitual e perfeccionista em cima dos princípios da Internet. Mas é assim que tem que ser pensado! A Microsoft, com o patrimônio e poder de império que tem (não podemos negar isso), pode ao meu ver, ajudar ao coitado do usuário a evitar a disseminação, ou até remediar com algum certo tipo de patch! Afinal a Microsoft deve aos seus clientes que compram o Windows 98. Sobre o Back Orifice, eu acho até que já chega. É assunto manjado. Outros temas que eu iria abordar, seria sobre o Warezing, ou o Juarezing, o novo formato MP3 pela Yamaha (O tal de VQF). Provavelmente, a turma do Info & Etc agora vai ficar falando da Microsoft e o novo processo, algo que eu não vou ficar esmiuçando porque realmente eu quero que a Microsoft se exploda. Enfim, vou deixar para você, leitor, escolher o próximo tema ou até as dúvidas a respeito de nossas matérias. Para a turma do NT, já viram q tio Bill Gates tá investindo pesado! Estou com a Beta 2 do NT5 nas mãos, pronto pra instalar aki em minha máquina. Foram uns 400 megas downloadeados mas parece que vale a pena. :) um amigo meu lá em Miami testou, e parece que tá funcionando! Vamos ver por aki como está esse NT de novidades. Por falar nisso, meu e-mail andou mudando, entretando vou divulgar 3 para que você, leitor, possa entrar em contato comigo para tirar dúvidas. Aki estão Rasjr@iname.com Marlboro@putaquepariu.com (informal) Rasjr@rio.matrix.com.br (mais recente) Por hoje é só, um abraço, e até a próxima. --------------------------------------- Linux Area Novidades sobre Linux/Unix e sistemas alternativos --------------------------------------- Guilherme Manika -- Debian 2.0 -- A distribuição Debian 2.0 do Linux foi lançada já faz algum tempinho. Eu tenho o Debian 2.0 instalado em dois computadores. Em um deles, foi feita a instalação a partir do zero, e no outro foi feita a atualização. A atualização do Debian, como sempre, é perfeita. O sistema que eu atualizei para 2.0 era originalmente um Debian 1.2, que foi atualizado para 1.3 e depois para uma versão preliminar do 2.0, antes de chegar à versão 2.0 final. Todos os programas são instalados perfeitamente, na ordem necessária, e a configuração de todos os pacotes continua simples. Tarefas "penosas" como instalar um servidor SMTP ficam tão simples que quase perdem a graça. Uma curiosidade dessa atualização é que o Debian deixou de usar a libc5 para usar a libc do projeto GNU, chamada de glibc2 ou, no caso do Linux e por motivo de continuidade, libc6. Por causa disso, recomenda-se que você reinicie o seu computador após a atualização (o formato dos arquivos wtmp e utmp mudaram, já se preparando para suportar os números de IP longos do IPv6) - algo que no mundo Linux só costuma ser necessário após atualizar a kernel. O Debian 2.0 vem com muitos pacotes bacanas, como o The GIMP , o Midnight Commander, uma versão nova do ótimo visualizador de fractais Xaos, e uma tonelada de programas novos. A parte mais legal de cada versão nova do Debian são os inúmeros programas que, por um motivo ou outro, você não conhecia e agora são parte da distribuição - eu, por exemplo, fiquei conhecendo um pacote que permite criar interfaces GTK para programas em Perl. Também ajuda muito quando vem com aquele programa que seria legal instalar mas ficaria muito complicado, como é o caso de um Midnight Commander ou mesmo de um GIMP, que requerem algumas libs (gif, tiff, jpeg, aa, mesaGL...) que dariam muito trabalho de instalar uma a uma. Os fãs do Slackware que me perdoem (hey, eu usei Slack por pelo menos um ano) mas dependências entre pacotes são fundamentais. A instalação do Debian a partir do zero está bastante simplificada se seu computador já está rodando algum sistema inferior como o MS-DOS, pois o próprio CD oficial já vem com arquivos .BAT que carregam a instalação do Linux sem necessidade de gerar discos de boot. (Antigamente o Debian precisava de gerar uns cinco disquetes... era o inferno.) Você já não é mais obrigado a usar o horrível dselect durante a seleção de pacotes (o dselect era causa de 11 em cada 10 desistências de instalação do Debian) pois a nova versão traz um conceito interessante emprestado do Red Hat: ao invés de selecionar os pacotes, você diz para que vai usar sua máquina. Assim, se você escolher algo como "Processamento de textos" e "Jogos", ele vai instalar vários editores de textos, o TeX, e vários jogos automaticamente. Eu achei que cada opção traz coisas demais. Por exemplo, eu escolhi desenvolvimento de programas como uma opção, achando que seria instalado o compilador C e mais alguns pacotes de desenvolvimento. Ledo engano, foram instalados pacotes esdrúxulos que nem sabia que existiam. Eu considero ser melhor para o usuário já acostumado não usar essa opção de instalação, aceitar o padrão do dselect e instalar manualmente o que quiser usando o dpkg na linha de comando. O Debian atualmente é quase que 100% baseado em texto, ao contrário do Red Hat. É lógico que até por respeito a suas origens, o Debian não vai deixar de ser em modo texto (e se você quiser saber, isso é a grande vantagem dele). Mas o Debian vai virar cada vez mais gráfico ao mesmo tempo que fica cada vez mais fácil de usar. A versão 2.0 traz um pacote chamado menu, que atualiza automaticamente os menus dos gerenciadores de janelas para mostrar os novos programas que são instalados, retirando os que não existem mais. O Debian usa seu próprio formato de pacotes, o deb, enquanto as grandes distribuições (Red Hat, Caldera, SuSE) usam o formato rpm. Isso quer dizer que, não raro, você vai encontrar programas disponíveis apenas como rpm's ou source. Os usuários de Debian procuram, sempre que possível, disponibilizar a mais quantidade possível de pacotes compatível com alta qualidade, mas isso significa que ocasionalmente vão haver demoras entre lançamentos de programas e lançamento de seus pacotes em formato deb. Por exemplo, o Gnome (futuro desktop padronizado do Linux) só recentemente se tornou disponível em formato deb, quando desde a primeira versão está disponível em formato rpm. O Debian traz o pacote "alien", que converte rpms, debs, tgzs e slps de uns para outros formatos, ao custo de perda de dependências. Afinal, se você já usa Debian, a atualização para 2.0 é tão obrigatória que você já deve ter feito. Não há uma revolução geral, apenas uma grande evolução, com adição de novos e mais legais pacotes. O Debian está mais fácil de instalar, e embora ainda seja uma distribuição inclinada a usuários experientes, continua sendo uma ótima escolha para os novos usuários. O Debian tem um conjunto de pacotes mais bem selecionado e de mais alto nível e qualidade que o Red Hat, com o custo de seu formato de pacotes não ser tão popular assim. Ao contrário do Red Hat, não há ferramentas gráficas próprias de administração do sistema. No geral, a distribuição de mais alto nível do Linux, exigindo um pouco mais de conhecimento por parte do usuário e uma certa tolerância à sua popularidade não tão grande assim. E no dia em que escrevo isso, foi anunciado o "feature-freeze" do Debian 2.1. A próxima versão estável do Debian deve estar disponível no fim de novembro, se não houver uma das tradicionais demoras. A próxima versão deverá vir com um auxiliar de gerenciador de pacotes de nova geração, o apt-get, além de vir com a versão mais nova disponível na época de lançamento do Gnome. Linux adquire novas empresas O título é uma brincadeira, mas é mais ou menos isso que está acontecendo. Desde a última vez que escrevi, o suporte ao Linux cresceu incrivelmente. Algumas empresas que anunciaram suporte ou ampliaram suporte desde então são: Oracle, IBM, Compaq, Intel, Corel, Dell, Microsoft (sim, você leu certo), Sun, Netscape, Apple... Bem, a primeira fase de companhias dominadas pelo Linux foi de companhias com problemas financeiros graves, do tipo Netscape e Corel. Embora elas não estejam completamente sanadas, parece-me que já não dão mais prejuízo, o que é um começo. (não estou dizendo que é graças ao Linux, não me "des"interpretem...) A segunda fase foi de companhias de banco de dados. Lançaram Informix, Oracle, Sybase, DB2 e mais uma tonelada de bancos de dados ao mesmo tempo para o Linux. O lançamento de um deles causou o lançamento quase instantâneo dos outros, mostrando que as empresas envolvidas já estavam trabalhando em versões para Linux há tempos. A terceira fase, a atual, são as empresas de hardware. A Sun já havia anunciado um certo suporte há algum tempo, na estratégia de "todos contra NT". Mais recentemente, ficamos sabendo que a Dell já vem distribuindo, em testes, computadores com Linux pré-instalado - a venda geral de computadores com Linux pré-instalado deve começar na Europa em breve. A Compaq comprou a Digital - que já dava suporte ao Linux, tendo ajudado a portar o Linux para a plataforma Alpha - e anunciou bem recentemente ampliar o suporte ao Linux tanto na plataforma Alpha quanto na Intel. E, o mais importante de tudo, a Intel jogou uma penca de dinheiro nas mãos da Red Hat, supostamente dando à Red Hat e a um grupo selecionado de desenvolvedores do Linux o mesmo tratamento antes dado apenas à Microsoft - ou seja, eles ficam sabendo das coisas antes do resto do mundo. Ah, e falando do Império do Mal, a Microsoft tem usado o Linux como defesa nos processos antitruste que ela vem sofrendo. A linha de defesa é: "Meritíssimo, como podemos ter um monopólio se o Linux cresce mais ano a ano do que todos os nossos sistemas operacionais juntos?". Claro que isso é o que a Microsoft diz para se defender das alegações de abuso de monopólio. Para a suposta "imprensa especializada", como as revistas editadas pela Ziff-Davis, a coisa é bem diferente - ou nem tanto. Bem, Bill Gates disse que ninguém jamais tinha falado nada sobre Linux na frente dele, por isso que a Microsoft não suporta o Linux. Bem, isso é uma bobagem, e talvez o Gates não saiba, mas o Microsoft NetShow para Linux está disponível faz bastante tempo. Além disso, várias máquinas sob o domínio microsoft.com rodam em Linux. Mas bem, alguns dias depois o Steve Baulmer (Baummer, Balmer, sei lá) se tornou presidente da Microsoft, e ele anunciou com todas as letras que o Linux é sim o maior concorrente do Windows hoje, e anunciou que deve lançar pedaços do código fonte do Windows NT ao público - claro que sob uma licensa restritiva). No fim das contas, eles continuam com o jogo de espalhar à imprensa e ao público através do grupo Ziff- Davis o Medo, a Incerteza e a Dúvida. Bem, espere uma versão do Microsoft Media Player for Linux em breve. Na edição de 10 de Agosto da revista Forbes, quem foi a capa? Linus Torvalds, grande Mestre e Criador do Linux. Wow. Matéria dentro, muito correta (embora nada inédita) falando sobre o Linux, o projeto GNU, Perl, Apache... o de sempre. Essa matéria foi republicada, junto com uma entrevista já meio antiguinha com o Linus Torvalds, pela Info Exame. O incrível é que a Info Exame sempre meteu o pau no Linux, falou mal dele até quando deu o prêmio de melhor produto do ano a ele. Mas de repente a Forbes lança matéria de capa com Linus Torvalds, e "por acaso" a Info Exame começa a botar matérias respeitosas, lança uma coluna sobre Linux em seu "site", inaugura um fórum sobre Perl, cita frases de Linus Torvalds, dá mais destaque ao Linux no Info News... é incrível como uma única revista consegue ser tão submissa assim. A Info Exame, como sempre, perdeu a chance de estar à frente de seu tempo para ficar atrás, bem atrás. Repito: como sempre. Bem, se pelo menos eles deixassem de escrever "games" para escrever "jogos", talvez o conceito que eu tenho deles aumentasse - mas como sempre, eles preferem ser submissos e ficar atrás, bem atrás... Pelo menos agora, a cada edição do Correio Info que recebo no meu email, vem no finzinho a linha "-Powered by Linux-". Menos mal, embora não pague os pecados deles. aalib Você não viveu se não conhece a aalib, uma biblioteca gráfica para modo texto. Simplesmente fantástica! Ela usa os caracteres da tela para compor imagens, fica excelente. Pegue a libaa em http://www.ta.jcu.cz://aa (ela já vem com o Debian 2.0). Pegue nessa mesma página a demo da biblioteca. Você vai ficar surpreso, aparecem fotos dos criadores, uma zebrinha "3D", uns efeitos com uma rosquinha... fantástico, vai mudar sua vida. O Xaos, um visualizador de fractais muito bacana, também suporta a aalib. (aliás, o autor do Xaos é um dos autores da aalib, e também do jogo Koules) No mesmo lugar você encontra uma ligação para a aavga, um substituto para a svgalib que permite usar os programas svgalib em modo texto. Já pensou rodar Quake II a uma resolução de 80x24 caracteres? ATENÇÃO!! Se você é um daqueles que acha idiota fazer filme preto-e-branco só porque eles podem ser coloridos, esqueça. A aalib é arte pura, ela foi feita porque é legal e agradável. Se você é um daqueles que ficam se gabando com placas 3D, MegaSextiums de 3000 GHz, discos rígidos de 17 GB, modems de 987633 Kbps, e acha que um Pentium 200 é velho e ultrapassado, melhor não pegar a aalib, porque você não sabe o que é um computador de verdade. Mas se você é assim, provavelmente já lê a Info Exame e tem a ilusão de estar bem informado. Guilherme Manika é mais um na multidão --------------------------------------- OS/2 Zone --------------------------------------- Roney Belhassof É com grande prazer que estou substituindo nosso amigo Maclei nesta coluna! Como muitos não devem me conhecer devo observar as regras de etiqueta e me apresentar, certo? Bom, não há muito que falar de mim. Sou apenas um usuário de OS/2 desde a versão 2.0 (lançada em 1992) e um profissional da área de bancos de dados voltados a coisas como Knowledge Management, Business Inteligence e outras coisas do gênero! O mais importante é que sou mais um satisfeito usuário do OS/2 Warp 4 (também conhecido como Merlin) pronto para comprar a versão 5 que está para sair. Mas já falei demais de mim! Não estou acostumado a toda esta etiqueta então vamos logo ao que interessa!! O OS/2!! :-) O OS/2 já é um sistema operacional mitológico a estas alturas! Afinal, como a Fenix, ele é morto e ressussita quase todo mês e a MS se assemelha ao abutre que toda a noite comia o fígado do deus Prometeu que, como o OS/2, levou o conhecimento aos homens!! Exagero meu? Nem tanto uma vez que foi o OS/2 que trouxe realmente a interface orientada a objetos e a desktop, foi ele que mostrou as potencialidades do drag&drop. Nesta primeira coluna vou me preocupar com dois pontos! Primeiro acho que é sempre bom mostar que o OS/2 está longe de morrer e, para isso, falarei um pouco dos planos que a IBM tem divulgado para ele e da existência de outras empresas que o fortaleçam. Em segundo lugar sempre tem as novidades que nunca são poucas sobre ele, mais claramente o iminente lançamento do novo Warp Server 5.0! O plano atual da IBM para o OS/2 é usá-lo como servidor de ambientes NC (Network Computing) e como um cliente para Workstations dedicadas a utilização de bancos de dados ou outros aplicativos envolvidos em knowledge management. Isso tem garantido a atualização do OS/2 que vem tendo sempre a versão mais atualizada do Java, novos drivers e fixes constantes para aprimorar seu TCP/IP entre outras melhorias. Isso nos garante que a IBM manterá seu suporte ao OS/2 por muito tempo. Por outro lado temos as principais software houses alternativas ao mundo Windows produzindo software de qualidade para o OS/2 e o Linux. Bons exemplos são o Star Office (da www.stardivision.com) e o PMMail (da www.southsoft.com). O primeiro é um tipo de Office (disponível também para Windows e Linux) mas que chega a ir além do que o da MS vai em vários sentidos! Vale a pena conferir! O segundo é um excelente mailer que só tem versão OS/2 e Windows. O que importa é que o OS/2 continua sendo uma ferramenta estratégica para a IBM e continua nas boas graças de excelentes softwarehouses! Nas próximas colunas estarei sempre comentando alguma empresa e os produtos que ela nos oferece. Como está sendo lançado um novo OS/2 reservarei também sempre um espaço para debulhar seus novos recursos!! As últimas eu deixarei sempre para os últimos parágrafos, certo? E por falar nelas... Não deixe de procurar pelo PGP 5 para OS/2 em www.openpgp.net e pelos mailers que são integrados a ele: o PMMail (www.southsoft.com), o MR2-Ice (que pode ser encontrado junto com o PGP) e o Java Street mailer (www.innoval.com) onde se encontra também o Post Read mailer. Este mês entrou no ar o Institute of Black Magic: IBM!! ;)) Trata-se de uma critica à falta de visão da IBM (aquela outra) ao não dar o devido valor ao mercado SOHO (nós). Está escrito em inglês e vale a pena conferir: www.os2brasil.com.br/novidades/ibm.shtml No mês que vem falarei menos de mim e citarei mais novidades e fatos sobre o OS/2!! ;-) []s Roney Belhassof roney@infolink.com.br --------------------------------------- DIÁRIO DA TROPA --------------------------------------- P.C.Barreto (barreto@pobox.com) Nota do editor: A utilização dos melhores textos do Diário da Tropa, é autorizada pelo autor,meu amigo PC Barreto. O REI DOS CARAS-DE-PAU Poucas vezes assisti um frisson tão grande na imprensa de informática: a chegada desse tal de Mark Abene está mobilizando, sem distinção, toda a comunidade de usuários; todos apalermados, distantes de qualquer análise do que realmente representa toda essa reverência. Consta que o sujeito se tornou algo como o papa do submundo informata por suas façanhas de violação de sistemas alheios, motivo pelo qual passou uma temporada na cadeia. De volta à liberdade, tal como Paula Thomaz, Mr. Abene conseguiu emprego fácil: caiu nos braços das grandes multinacionais, que não mediram despesas (nem danos à imagem) para ter o elemento e seus amigos como "consultores de segurança de sistemas" ou algo do tipo. Imagine como uma palestra de um sujeito desses deve ser valorizada no Brasil. E é mesmo: provavelmente cegada pelo brilho desse elemento consultor de sistemas, toda a imprensa brasileira se "esqueceu" da diferença entre hacker e cracker. Evidentemente, ser hacker não é crime. O cara pode até ser hacker e ser o orgulho do papai ("ao menos o garoto não está se envolvendo com drogas nem engravidando mocinhas inocentes"). Ser hacker traz uma distinção num mundinho informata que acha o máximo extrair todo o potencial da máquina, considera natural dar takeover em canal do IRC, ignora direitos autorais, pensa ser um direito divino dos espertos arranjar meios de economizar nas contas telefônicas, enfim, anda numa Zona do Crepúsculo entre a molecagem e a delinqüência. E foi na delinqüência que Mark Abene mergulhou de cabeça. Por mexer sem autorização no que é dos outros, foi condenado por uma Justiça um pouco mais alfabetizada informaticamente que a deste país-que prende e arrebenta provedores pelo conteúdo que não criaram. As férias forçadas só aumentaram a lenda em torno de "Phiber Optik" (seu nome de guerra): como um El Cid ou um Coração Valente, era venerado pelo que fez, pelo que dizem que fez e pelo que dizem que poderia ter feito. Já que está paga a dívida do elemento com uma sociedade considerada mais séria que a nossa, pouco importa que Abene tenha sua empresa e atue como um hacker "do bem:" a demanda por seus serviços só faz sentido porque os sistemas de informática estão sob a permanente ameaça de ataques de criminosos muito hábeis, atraídos tanto pelo dinheiro quanto pela diversão "pichadora" de exibir seus feitos numa comunidade de malfeitores. Neste sentido, a "consultoria de segurança de sistemas" está à beira daquilo que na antiga Sicília tinha outro nome. ------------------- IRCONTROS, A QUESTÃO Hoje, marcar um encontro "geral" de usuários se tornou uma impossibilidade técnica; nem tanto pelo fato de não haver Maracanã para reunir tanta gente, mas porque dizer que Fulano de Tal é usuário da Internet não quer dizer mais absolutamente nada - Fulano de Tal só está cumprindo sua obrigação de cidadão "muderno" e "globalizado". Pelo menos é assim que estou sentindo que vendem o peixe da Grande Rede: não houve abertura ou democratização de coisa alguma, só a empáfia elevada ao cubo, a exclusão como estilo de vida, a obsessão por seguir o rebanho. A crise nos encontros de usuários não se limita à questão de quem toma chopinho com quem em qual local. Anos atrás, quem estava no Rio bastava convidar um pessoal para jogar conversa fora no folclórico Barril 1800, em meia hora todo mundo já chamou todo mundo e 90% da galera morava entre Copacabana e Leblon mesmo... Desse jeito, ser democrático era muito fácil! Vá justificar a essa malta um projeto de informatização das favelas - até a esquerda concluirá que um plano desses apenas vende os computadores dos polvos imperialistas ianques. Ou seja: não vejo um futuro de IRContros alegres e felizes envolvendo mais de duas pessoas. É cada vez mais difícil administrar um clube de usuários tão heterogêneos que só sabem repetir o refrão: "Oi, gata! Tá a fim de um cyber?" -------------------- CRACKERS: MAIS DUAS PALAVRINHAS Ainda sobre a turnê brasileira de Mark Abene (o "hacker do bem" de clientes bilionários, citado semana passada): muito abaixo do que fazem crer as lantejoulas hollywoodianas de "Jogos de Guerra" (bom), "Quebra de Sigilo" (competente), "O Passageiro do Futuro 2" (tedioso) ou "Hackers" (Lexotan), as precauções internautas de Mr. Abene são bem idiotinhas. Segundo a "Veja," o tal ídolo dos hackers não libera seu número do cartão de crédito pela Internet, preferindo fazer compras pelo telefone-como se dessa forma seus dados pessoais também não fossem passados para um sistema de computadores. Haja Ambervision! -------------------- O ESCÂNDALO ANUNCIADO DA PORNOGRAFIA INFANTIL (I) Sobre a manchete do Globo de domingo, eu (e a Internet e a torcida do Flamengo) gostaria muito de saber quem são os tais crackers que invadiram o site do Inpe para espalhar fotos eróticas de crianças. Se seus nomes forem revelados, em vez de execrados como invasores de sistemas e distribuidores de pornografia infantil, serão exaltados por seus pares (que não consideram a pedofilia, no mau sentido do termo, exatamente um pecado capital) como Marks Abenes brasileiros. Se passarem um pente finíssimo em toda a escala criminosa que resultou na invasão do site, a Polícia Federal ficará desconsolada em ter que chamar a Interpol para garfar a maioria dos fotógrafos de crianças e, na parte brasileira do esquema, encontrar os usuários típicos: muitos menores (inimputáveis, claro), branquinhos, ricos, bem nutridos, bem nascidos, às vezes filhos de "otoridades" mais inimputáveis ainda. [O DIÁRIO DA TROPA é uma produção independente distribuída pelas listas tropa@makelist.com e d-tropa@egroups.com. Para receber o Diário da Tropa, envie mensagem em branco para d-tropa-subscribe@egroups.com (o processamento da inscrição é de inteira responsabilidade do eGroups.com). 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