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 BARATA ELETRICA

 numero 12 - agosto/1996

 BARATA ELETRICA, numero 12
 Sao Paulo, 20 de agosto, 1996

 http://www1.webng.com/curupira/index.html  Email derneval@gmail.com
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 Creditos:
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 Este jornal foi escrito por Derneval R. R. da Cunha
 (wu100@fim.uni-erlangen.de - http://www.geocities.com/SiliconValley/5620)
 (rodrigde@usp.br, derne@geocities.com )
 Com as devidas excecoes, toda a redacao e' minha. Esta' liberada a copia
 (obvio) em formato eletronico, mas se trechos forem usados em outras
 publicacoes, por favor incluam de onde tiraram e quem escreveu.

 DISTRIBUICAO LIBERADA PARA TODOS, desde que mantido o copyright e a gratu-
 idade. O E-zine e' gratis e nao pode ser vendido (senao vou querer minha
 parte).

 Para contatos (mas nao para receber o e-zine) escrevam para:

 rodrigde@spider.usp.br
 derne@geocities.com
 wu100@fim.uni-erlangen.de

 Correio comum:
 (Estou dando preferencia, ja' que minhas contas vao e vem sendo
 "congeladas")

 Caixa Postal 4502
 CEP 01061-970
 Sao Paulo - SP
 BRAZIL

 Numeros anteriores (ate' o numero 10):

 ftp://ftp.eff.org/pub/Publications/CuD/Barata_Eletrica
 gopher://gopher.eff.org/11/Publications/CuD/Barata_Eletrica
 http://www.eff.org/pub/Publications/CuD/Barata_Eletrica

 ou ftp://etext.archive.umich.edu/pub/Zines/BerataElectrica
 gopher://gopher.etext.org/00/Zines/BerataElectrica
 (contem ate' o numero 8 e e' assim mesmo que se escreve, erro deles)

 ATENCAO - ATENCAO - ATENCAO
 Web Page do Fanzine Barata Eletrica:
 http://www.geocities.com/SiliconValley/5620
 Contem arquivos interessantes.
 ATENCAO - ATENCAO - ATENCAO

 NO BRASIL:

 http://curupira.webng.com/ufsc/cultura/barata.html
 http://www.di.ufpe.br/~wjqs
 http://www.telecom.uff.br/~buick/fim.html
 http://tubarao.lsee.fee.unicamp.br/personal/barata.html
 ftp://ftp.ufba.br/pub/barata_eletrica

 (Normalmente, sao os primeiros a receber o zine)

 MIRRORS - da Electronic Frontier Foundation onde se pode achar o BE
 /pub/Publications/CuD.

 UNITED STATES:
 etext.archive.umich.edu in /pub/CuD/Barata_Eletrica
 ftp.eff.org in /pub/Publications/CuD/Barata_Eletrica
 aql.gatech.edu in /pub/eff/cud/Barata_Eletrica
 world.std.com in /src/wuarchive/doc/EFF/Publications/CuD/Barata_Eletrica
 uceng.uc.edu in /pub/wuarchive/doc/EFF/Publications/CuD/Barata_Eletrica
 wuarchive.wustl.edu in /doc/EFF/Publications/CuD/Barata_Eletrica
 EUROPE:
 nic.funet.fi in /pub/doc/cud/Barata_Eletrica
 (Finland)
 (or /mirror/ftp.eff.org/pub/Publications/CuD/Barata_Eletrica)
 ftp.warwick.ac.uk in /pub/cud/Barata_Eletrica (United Kingdom)
 JAPAN:
 ftp.glocom.ac.jp in /mirror/ftp.eff.org/Publications/CuD/Barata_Eletrica
 www.rcac.tdi.co.jp in /pub/mirror/CuD/Barata_Eletrica

 OBS: Para quem nao esta' acostumado com arquivos de extensao .gz:
 Na hora de fazer o ftp, digite binary + enter, depois digite
 o nome do arquivo sem a extensao .gz
 Existe um descompactador no ftp.unicamp.br, oak.oakland.edu ou em
 qualquer mirror da Simtel, no subdiretorio:

 /SimTel/msdos/compress/gzip124.zip to expand it before you can use it.
 Uma vez descompactado o arquivo GZIP.EXE, a sintaxe seria:
 "A>gzip -d arquivo.gz

 No caso, voce teria que trazer os arquivos be.??.gz para o
 ambiente DOS com o nome alterado para algo parecido com be??.gz,
 para isso funcionar.

 ==========================================================================

 ULTIMO RECURSO, para quem nao conseguir acessar a Internet de forma direta,
 mande carta (nao exagere, o pessoal e' gente fina, mas nao e' escravo, nao
 esquecam aqueles encantamentos como "please" , "por favor" e "obrigado"):

 fb2net@netville.com.br
 hoffmeister@conex.com.br
 drren@conex.com.br
 wjqs@di.ufpe.br
 aessilva@carpa.ciagri.usp.br
 dms@embratel.net.br
 clevers@music.pucrs.br
 rgurgel@eabdf.br
 invergra@turing.ncc.ufrn.br

 CREDITOS II :
 Sem palavras para agradecer ao pessoal que se ofereceu para ajudar na
 distribuicao do E-zine, como os voluntarios acima citados, e outros,
 como o sluz@ufba.br (Sergio do ftp.ufba.br), e o delucca do www.inf.ufsc.br
 Igualmente para todos os que me fazem o favor de ajudar a divulgar o Barata
 em todas as BBSes pelo Brasil afora.

 OBSERVACAO: Alguns mails colocados eu coloquei sem o username (praticamente
 a maioria) por levar em conta que nem todo mundo quer passar por
 colaborador do BE. Aqueles que quiserem assumir a carta, mandem um mail
 para mim e numa proxima edicao eu coloco.

 INTRODUCAO:

 O mes de julho foi uma caca. Nos mesmos dias em que estava colocando o
 BE11 para distribuicao tava planejando sair a caca de um novo emprego.
 Stress de final de semestre, caiu um monte de coisa tudo junto, a greve da
 USP terminou coincidindo todos os meus problemas: faculdade, habitacao e
 pequenas diferencas com o meu superior imediato. Ia criar mais um problema,
 se a coisa tivesse ido adiante: em que eu ia trabalhar, se saisse de onde
 estou... de um lado, a experiencia com informatica, do outro, a experiencia
 com o primeiro fanzine eletronico brasileiro (e acredito, o mais difundido
 e lido). Como arrumar 2000,00 Reais mensais de forma honesta? Ou apenas o
 suficiente p. se sobreviver numa cidade mais cara que N.York? No proximo
 numero, espero ter alguma resposta para essa pergunta.
 O pior e' saber que uma revista inominavel publicou o meu nome num
 artigo. Oba! So' q. para ilustrar um exercicio de uso do EUDORA. O cara
 guardou correspondencia minha do ano passado (eu tambem guardo as mais
 importantes) para ilustrar uma materia. Quando meu artigo saiu na revista,
 so' quis meu pseudonimo, agora inventa um jeito de usar meu nome.. fosse
 outra revista, tava bem menos chateado. Fico ate' com medo de responder
 cartas, corto o papo o mais rapido possivel. Ou e' alguem que conheco
 fora do ciberespaco ou nada feito. Better safe than sorry. Como e' que vou
 saber q. o cara q. ta' me mandando cartas e' fulano e nao outro que pegou a
 conta emprestada? Pelo cheiro? Ai' criei um guia do q. acho que a netiqueta
 deveria ser. E nao parei ai'. Fiz um artigo (q. acabou ficando tao bom q.
 guardei p. meu livro e fiz outro menor) sobre passos basicos para usar o
 PGP. Sim, porque agora e' lei. Seu email pode ser vasculhado. Leitor do
 Barata Eletrica nao tem desculpa alguma p. nao me mandar correspondencia
 nao encriptada. Simplifiquei o maximo possivel. E' so' nao ter medo de
 errar. Se errar, leia a documentacao, ja' ta' traduzida pro portugues.
 Recebi uma carta quase incrivel de duas pessoas querendo mover uma
 campanha p. ajudar o Mitnick. Ainda bem q. nao sou so' eu que acredita no
 excesso de rigor da prisao do cara. Tinha q. publicar. Amanha, pode ser eu.
 Parece paranoia.. ta' bom. Em 1978, teve um cara q. achava q. ir ao DOI-
 CODI prestar depoimento era algo sem perigo. Vladimir Herzog. Se nos EUA,
 fazem aquilo com o Mitnick, aqui no Brasil nao posso deixar de ficar
 preocupado. Como dizia a cobra pro elefante: "se liga, meu, que e' estacao
 de caca as cobras" o elefante: "e dai', sou elefante" a cobra: "prova pra
 eles". Eu nao sei quem sao eles. Mas acredito em ficar ligado.

 INTRODUCAO
 NET DICAS E ETIQUETAS PARA FUCADORES
 O NOVO FRONT DA GUERRA ELETRONICA
 O DIREITO DO CIBERESPACO
 AJUDE KEVIN
 PGP PARA NOVATOS
 HACKER MANIFESTO
 STALKING THE WILY HACKER (parte 2)
 NEWS - DICAS - PIADAS
 BIBLIOGRAFIA

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 NET-DICAS E ETIQUETA PARA FUCADORES
 ===================================

 Uma coisa que reclamam pra caramba nestes dias e' que tem gente demais
 entrando na Internet. Tudo bem, e' assim que tem que ser mesmo. O ideal e'
 o mundo inteiro estar conectado. Comunicacao e' um direito, assim como a
 respiracao, do meu ponto de vista. Mas para um dinossauro (giria p. alguem
 que foi quase pioneira na Internet - acho q. cheguei a esse ponto) como eu,
 e' dose ver que a mocada nao le po nenhuma sobre como se comportar na rede.
 Muitos poucos leem o "Zen e a arte da Usenet" ou porque nao sabem ingles,
 porque nao sabem da existencia do livro, nao sabem da traducao, nao sabem
 imprimir a dita (ta' em Postscript), ou porque tiveram preguica de chegar
 no capitulo referente a netiqueta. Por ultimo, tem gente tao ligadaca na
 rede que nao sabe que tem um "caminho das pedras" para conseguir a ajuda
 das pessoas. E pagar o equivalente a dois meses de conexao para ler algum
 daqueles livros sobre a rede que estao lancando todo dia por ai', meu, nem
 eu faria isso. Um absurdo o que se paga para nao aprender nada.
 Pra esclarecer:

 Vou colocar um apanhado de dicas que e' mais ou menos o que utilizo. Nao
 aconselho ninguem a seguir esses lances, porque provavelmente, grupos
 diferentes usarao regras diferentes. Comecando com o numero 1. Para evitar
 a ideia de que uma dica e' mais importante do que a outra, random(N)
 significa numero aleatorio.

 1) Nunca imagine que voce esta' falando com uma maquina. A pessoa do outro
 lado e' gente como voce. Por incrivel que pareca, com sentimentos.

 Random(N) Ha arquivos, a grande maioria em ingles, armazenados na rede e
 chamados de FAQ (Frequent Answered Questions) ou Perguntas Mais
 Respondidas. Isso significa que sao perguntas que todo iniciante faz,
 quando entra em alguma lista. No caso da Internet, existem varios textos
 introdutorios, que ajudam. Recomendo o Big Dummy Guide, disponivel no
 ftp.eff.org ou www.eff.org.

 Random(N) Quando a pessoa usa o comando TALK, sente uma subita necessidade
 de experimentar aquela coisa de comunicacao via teclado. So' que o uso
 desse comando gera uma mensagem na tela de outra pessoa, que pode estar
 ocupada fazendo o download de um arquivo de 20 megabytes com a biografia
 falada do Julio Iglesias (ou um salvador de tela da Madonna, sei la'). O
 comando fica repetindo na tela e atrapalha a digitacao de cartas, por
 exemplo. O ideal e' deixar o TALK "ringar" (chamar a pessoa) umas tres
 vezes, cancelar, esperar e depois de um tempo, se nao houver resposta,
 tentar de novo, para em seguida desistir. Tem gente que deixa a coisa
 tocando direto, ate' a pessoa do outro lado resolver atender. E' a mesma
 sensacao de sair do banho p. atender o telefone.

 Random(N) Usando o IRC, nao pega muito mal ficar so' escutando (ou lendo) o
 papo que ta' rolando, antes de falar (escrever) qualquer coisa. Parece
 obvio, mas varios dos que entram estao tao "excitados" de conseguir que nao
 se dao conta do fato de que estao pegando o bonde andando.

 Random(N) Novamente, ao usar o IRC, e' legal usar um nickname ou apelido.
 De preferencia um proprio e nao copiado. E' quase como uma identidade da
 pessoa. Algumas vezes e' ate' pista p. identificar o jeito da pessoa. Se
 bem que ja' ouvi falar de gente que usa nicknames como "metobem" so' para
 nao ser chamada p. bater papo. Ou mesmo provocar.

 Random(N) Tanto no e-mail, quanto nas listas, quanto no IRC: Nao e' porque
 voce esta' usando um computador p. conversar que voce pode falar o que
 quiser tanto sobre voce como sobre o governo, como sobre o mundo. Se liga.
 Houve um cara que foi processado, anos atras porque falou que um livro
 sobre o DOS 6.0 na verdade era para o DOS 5.0, com alguns acrescimos so' p.
 enganar. Foi processado por perdas e danos. Perdeu ou ganhou o processo?
 So' o tempo que gastou com advogado ja' foi uma perda. Sobre falar sobre
 voce, tudo depende da plateia e da forma que voce escreve. Imagine virar
 fofoca no lugar onde voce menos espera. Voce realmente sabe quem esta'
 ouvindo? Consegue se controlar para nao transformar o ouvido alheio em
 pinico? Teve o cuidado de proteger seu anonimato antes de entrar no papo?

 Random(N) Voce gastou talvez 2.900 US$ num computador multimidia para falar
 (escrever) porcaria sobre gente que se conecta na Internet com um XT ou um
 286? Po^... se voce levar em consideracao o fato de que artigos desse
 fanzine eletronico ja' foram escritos numa agenda eletronica, para nao
 falar na maioria, que foi escrita num PC-Xt com dois drives 5 1/4 DD, 640
 kbytes RAM, sem disco rigido e monitor CGA mono, 8 mhz. Uma questao de
 sanidade. Mental e fisica. E', podia ser num Pentium, so' q. quero dormir,
 quando chego em casa. De vez em quando e' bom. Mas voltando a questao da
 crenca religiosa, tem aqueles que rezam pelo Mac, tem uns firmes que o bom
 e' o MSX, outros pelo Apple. Nao discuto essas coisas sem uma cerveja do
 lado. Se te pintar a vontade de abrir uma discussao, pergunte algo tipo:
 "quais as vantagens de se usar um ZX-80 nos dias de hoje?" ao inves de
 "meu, larga a mamadeira, economiza e compra um Pentium". Eu ia esperar um
 Pentium p. poder editar o Barata Eletrica? To nem ai'. Melhor parar o papo.

 Random(N) Existe muito papo sobre enviar ou nao o seu numero do cartao de
 credito via e-mail, na rede Internet. E', de um lado, as chances de voce
 ter o dito copiado por um garcom num restaurante, na hora de pedir a conta
 ou ser assaltado sao um pouco maiores. Por enquanto. No futuro, quem sabe?
 O email pode passar por uns quinze sites diferentes antes de atingir o
 destinatario. Believe me. Basta um site ter sua seguranca compromissada.
 Suponha que isso aconteca no Natal e .. bom, tem gente que acredita em
 poder do pensamento positivo, em consorcio, em promessa de politico,
 impressionante, ne'?

 Random(N) Um lance chato sao as .signatures, aqueles finais de e-mail
 cheios de informacao sobre o cara que respondeu sua pergunta com um "OK".
 Tudo bem 5 ou 6 linhas. O ideal e' no maximo 4, principalmente quando e'
 "macaco velho" da Internet. Novato e' que faz uns desenhos enormes, para
 colocar do lado da assinatura. Tem gente que seta o software de email p.
 apagar fulanos q. fazem isso em listas de discussao, dentro e fora da
 Usenet. Alias, a impressao e' que quanto maior a signature, menos a pessoa
 tem o que contribuir. E isso tambem chama uma atencao maior, quando o
 "super-visual" escreve bobagem. E' o tipo de coisa que e' bom fazer so' p.
 descobrir o quanto e' ruim. Claro que a gente presta mais atencao na
 signature dos outros do que na nossa.

 Random(N) Namoro eletronico. Putz, ja' se escreveu tanto sobre isso.. E'
 preciso lembrar o obvio. Papai Noel nao existe. E' duro falar isso, mas tem
 gente que nao aprende. Tem gente ruim por ai'. E gente boa, tambem. Voce
 pode conhecer uma pessoa super-legal, compreensiva, alto astral, papo
 franco e aberto, coracao disposto a mil e uma coisas gostosas.. e pode
 tambem encontrar um sacana que ta' usando o email da mae (ou pai ou irmao)
 e que ta' tirando sarro da sua cara. Se voce ta' namorando alguem, tem
 varios testes p. sacar quando e' mulher. Nao adianta, se voce nao quer
 acreditar. Ja' vi fucador de micro tomar choque so' porque babou demais num
 teclado quando recebeu carta de mulher (ta' bom, nao houve choque
 eletrico). E' preciso pensar q. por enquanto, a grande maioria na rede e'
 homem. Uma dica: se ela fez muito misterio, desencana... ou marca um
 encontro ao vivo.

 Random(N) Ao enviar uma carta, de um tempo p. as respostas. Se a pessoa nao
 responder imediatamente, nao fique desesperado pensando o q. e' que voce
 fez de errado. Algumas vezes, o servidor caiu, a pessoa ficou doente,
 chegou o marido, o gato pisou no teclado, etc.. as vezes, e' falta de
 vontade mesmo de responder. Fazer o que?

 Random(N) Pedir numa lista de discussao, p. mandarem o COREL DRAW ou o
 PAGEMAKER 6.0 e' coisa seria. Fimose cerebral. Pirataria de Software e'
 crime. Outro crime e' pensar que se pode mandar megabytes e megabytes via
 e-mail como se fosse uma carta de "oi, tudo bem". Outra idiotice e' pensar
 que um idiota capaz de pedir tal coisa por e-mail seja capaz de fazer o
 dito funcionar no micro dele (as vezes existem protecoes que impedem isso).
 Por essas e outras, se a cabeca servisse para alguma coisa, a desse tipo
 de gente certeza tava no lixo. Existem as listas de discussao de Warez. Mas
 quem frequenta usa truques p. evitar deteccao, sabe q. o software q. pinta,
 dividido em partes de 40 kbytes (p. facilitar o download) pode estar
 virotico e ... em suma, e' gente q. sabe o que esta' fazendo. O unico
 software que e' legal enviar por e-mail e' principalmente shareware ou
 dominio publico.

 Random(N) Se for enviar arquivos volumosos p. alguem, manda primeiro um
 aviso. Prinicipalmente quando o negocio for arquivos .WAV ou .GIF. Combina,
 do contrario pode ferrar com o limite de email da pessoa.

 Random(N) Quando for conversar coisas "incriminantes", do tipo que nao e'
 crime conversar, mas fora de um contexto pode parecer conspiracao para um
 fazer sacanagem, ve se usa uma linguagem de duplo sentido ou melhor, usa um
 talker (ver edicoes anteriores). Nao combine sacanagem por e-mail. Lembre-
 se do "Big Brother". Existe software p. alertar que fulano usa muitas vezes
 a frase "craquear o sistema" no email. Na verdade ate' um comando do DOS,
 executado a partir de um arquivo .BAT pode checar em poucos segundos um
 arquivo de email. Um comando do UNIX, o grep, tambem pode fazer isso. Pensa
 nisso. Voce acredita em integridade e justica por parte do seu Sysop? E em
 duende, acredita? Sabia que as plantas tambem falam? Entao se liga. Ha'
 coisas relacionadas a computacao que nao sao crime. Cortar o seu acesso
 a internet pode ser uma delas. Toma cuidado.

 Random(N) Na Internet ninguem pode ouvir voce chorar. Mas existe uma
 convencao p. quando a pessoa esta' GRITANDO. E' O USO DE TECLAS MAIUSCULAS,
 ENTENDEU?

 Random(N) NUNCA USE CEDILHA NEM ACENTUACAO, SE NAO QUISER OUVIR PALAVRAO
 NOS REPLY. O uso de acentuacao e outras coisas q. seriam consideradas como
 "bom portugues" na verdade atrapalha a vida de um monte de gente. Se quiser
 acentuar crase, use aa (p. exemplo). O Barata Eletrica tem um monte de
 exemplos de como fingir acentuacao. Repito: se quiser ser popular, nao use
 acento nem cedilha.

 Random(N) Novamente, sobre dicas e macetes. Tome cuidado com gente que
 escreve umas dicas. Se voce nao tem o conhecimento necessario p. avaliar o
 que esta ou aquela dica faz, please nao faca uso dela. E' muito facil
 ocultar sob esta ou aquela sequencia de comandos uma instrucao p. mandar o
 conteudo do arquivo de senhas p. outra pessoa. Ou algo como
 "echo_y_|_format_c:" (Na teoria poderia formatar o disco rigido, sem
 pedir permissao p. usuario, mas na pratica, nao funciona).

 Random(N) Nao entre nessa de ouvir boatos que estao rolando na rede. Volta
 e meia vem aquela estoria contando q. a acao de empresa tal vai subir, o
 dolar vai disparar no black (jura?), a China vai tornar o homossexualismo
 obrigatorio p. conter a natalidade, que a Sharon Stone e' a re-encarnacao
 da Virgem Maria, etc So' porque a coisa esta' na Rede Internet, nao
 significa que e' verdade.

 Random(N) Virus GOOD TIMES. Nao existe. O que acontece e' que o medo de
 virus (todo mundo tem) cria uma avalanche de e-mails, todo mundo escrevendo
 p. a sua lista de discussao preferida avisando p. se precaver contra a mais
 nova ameaca na rede Internet. Esse e' o virus. O do medo. Ele lota seu
 email de cartas inuteis de gente pensando que vai te ajudar avisando que
 tem um virus capaz de deletar sua winchester, quando voce le um e-mail
 contaminado. Nao caia nessa.

 Random(N) Tambem tem gente q. tenta fazer acreditar que se pode ganhar
 dinheiro facil atraves da Internet. Nao caia nessa. Coelhinho da Pascoa,
 Papai Noel, etc isso so' existe na imaginacao. E' duro, mas caia na real.
 Tem gente q. faz grana, mas e' trabalhando duro, nao por e-mail. Mesmo q. a
 coisa aconteca, pensa bem: sera' que e' mesmo verdade? Eu nao acredito em
 nenhuma forma "facil" de ganhar dinheiro com a Internet. Minha opiniao
 pessoal. Apesar que me falaram da existencia de "cassinos" na Web. Depois
 de assistir o filme "Cassino", vale a opiniao de Nelson Rodrigues "Burro
 nasce que nem grama". So' tem uma pessoa que ganha com esses esquemas e e'
 a que convence os idiotas a acreditarem nele.

 Random(N) Procure sempre guias que te instruam. Provavelmente voce podera'
 sanar suas duvidas mandando carta para sysop@servidor.???.br ou
 root@servidor.???.br, mas o ideal e' cacar FAQs (Frequently Answered
 Questions) que vao conter todas as suas duvidas. Sao artigos escritos para
 novatos aprenderem os conceitos basicoa sem atrapalhar os veteranos. Ha'
 varios como http://www.fgv.rj.br/fgv/cpdoc/informa/guianet.htm

 Random(N) Sobre amizades virtuais. Normalmente a coisa comeca em torno de
 um assunto especifico. A pessoa participa de um grupo de discussao, Iphone,
 IRC ou Talker (formas de bate-papos virtuais), etc.. a partir dai', por
 varias razoes, pinta a vontade de bate-papos individuais. O motivo porque o
 ser humano procura "contato humano" atraves do uso de computadores
 interligados pode ser a dificuldade de andar pelas ruas, o medo da
 rejeicao, a falta de tempo, o anonimato, a facilidade de uso da rede, etc,
 etc.. e' algo que vicia. Pode ser uma boa. Mas aconselho o dobro de
 precaucao. Quando se conversa via micro, mesmo com Iphone, nao se tem o
 fluxo-de-dados de uma conversa ao vivo. Esta, de acordo com os cientistas,
 tem um fluxo de dados q. alcanca 2000 sinais simultaneos (expressao no
 rosto, tom de voz, piscadelas, etc). Na internet, ninguem sabe se voce e'
 um cachorro usando o focinho p. teclar as palavras. E' muito facil mentir e
 ouvir mentiras. Evite falar qualquer coisa seria on-line. Tipo: voce tem
 certeza q. a pessoa q. esta' te lendo (ouvindo) no talker nao e' seu
 inimigo? Ja' aconteceu comigo.. o desgracado ate' me elogiou, antes de
 esticar o pescoco e descobrir que era eu no computador no fundo da sala.

 O NOVO FRONT DA GUERRA ELETRONICA
 =================================

 Novembro, 1992 - Cerca de dois mil computadores ligados a rede ARPANET (que
 deu origem a Internet) estao imobilizados por um estranho programa-virus.
 O panico se instala, ja' que a unica saida para combater a infeccao e'
 desconectar as maquinas da rede. Tecnicos encarregados da manutencao nao
 conseguem nem "abrir" uma sessao p. enxergar que catzo esta' acontecendo.
 Analise do "invasor" revela que o codigo do programa esta' criptografado,
 para evitar que programadores descubram como combate-lo. Quando este
 virus, que foi apelidado de "Worm" ou minhoca, entra em atividade, comeca a
 se copiar para outros computadores, procurando por conexoes na rede.
 Achando uma maquina nova, copia-se para ela. Para passar por cima das
 senhas, usa nao um, mas varias tecnicas automaticas de craqueamento de
 contas internet, incluindo um dicionario de senhas simples e comuns, como
 nomes de mulher, times de futebol, etc e um programa de quebramento de
 senhas por forca bruta de algoritmo bastante sofisticado. As tecnicas de
 break-in, verdadeiros buracos no sistema operacional dos computadores
 atingidos eram de conhecimento mais ou menos difundido entre peritos de
 computacao. A unica funcao do codigo era a reproducao ou copia automatica.
 Se uma copia fosse apagada, outra surgiria para tomar o lugar e essa
 multidao lotaria a memoria de quase qualquer sistema multi-usuario
 conectado a rede. O autor desse codigo, Robert T. Morris, filho de um
 cientista do NSA, foi apontado como o autor da ameaca. Autor de um programa
 bastante famoso, conhecido como COREWAR, um jogo de computador (bastante
 difundido hoje em dia com FAQs e listas de discussao) onde programadores
 disputam o controle de uma CPU atraves do uso de programas que lutam entre
 si ate' a morte, Morris cometeu uma serie de erros ao projetar o Virus. Nao
 acrescentou uma rotina que impediria um alastramento desenfreado. Essa
 infeccao generalizada teve que ser contida com base em chamadas
 telefonicas, ja' que os computadores atingidos estavam fora da rede.
 Esse foi um dos primeiros casos de crime por computador a chamar a
 atencao da midia (e uma das primeiras condenacoes, mas e' outra historia).
 Mostrou tambem a vulnerabilidade da recem construida rede Arpanet, lancou
 na midia o termo virus de computador e .. inaugurou uma nova possibilidade
 de guerra: o front da guerra eletronica. Nao se trata de mera fantasia. O
 sistema telefonico de um pais e' um computador, para se ter uma ideia. Em
 15/01/1990, foi exatamente isso o que aconteceu com os telefones
 americanos. Em pleno feriado da morte de Martin Luther King, todos os
 sistemas de DDD dos EUA pararam de funcionar. Culpa de um defeito ou "bug"
 que se alastrou de sistema em sistema de telefonia. 60 milhoes de ligacoes
 telefonicas deixaram de ser completadas, durante as nove horas que durou o
 esforco para consertar a coisa. A primeira coisa em que todo mundo pensou
 e' que um moleque (e', uma crianca) com seu micrinho tivesse detonado a
 coisa. Mais tarde se chegou a conclusao de que era mesmo um erro de
 programacao (apesar de uns idiotas assumirem a autoria da coisa).
 A sociedade atual, como a conhecemos, existe apoiada nos computadores.
 Computadores fazem o controle dos sinais de transito, a contabilidade das
 contas de luz, o pagamento de funcionarios, o planejamento de recursos, a
 transferencia de fundos entre bancos, a transferencia de fundos entre
 bancos e a nao menos transferencia de fundos entre bancos. Cada pessoa, que
 vai numa agencia "Banco 24 horas" para tirar uma grana, realizou uma
 conexao via protocolo X-25 (parece que agora vai mudar para frame-relay)
 com um computador central que esta' conectado com a agencia onde esta' a
 conta bancaria. A maioria das pessoas ja' conhece o termo "a agencia esta'
 fora do ar". E' uma conexao feita dentro da RENPAC, a rede nacional de
 pacotes, da Embratel.
 Claro que com o fim da guerra fria, as chances de uma guerra mundial
 estao bastante diminuidas. Por um outro lado, a exploracao desse novo front
 de ataque ja' e' tema de exploracao de livros como o TERMINAL COMPROMISE
 (ftp://mrcnext.cso.uiuc.edu/etext/etext95/termc10.zip) do Winn Schwartau e
 INFORMATION WARFARE. Talvez comentando o livro se possa entender a seguinte
 noticia:

 E D U P A G E 21 de julho 1996
 OFICIAIS DOS EUA EMITEM AVISO SOBRE O "ELECTRONIC PEARL HARBOR"

 Jamie Gorelick, procuradora geral dos EUA, disse no subcomite do
 Senado na semana passada que a possibilidade de "um Pearl Harbor
 eletronico" e' um perigo real para os EUA. Ela observou em seu
 testemunho que a infraestrutura de informacoes dos EUA e' uma rede
 publica/privada hibrida e avisou que ataques eletronicos "podem
 desabilitar ou romper adisponibilidade de servicos tao prontamente
 quanto - se nao ainda mais rapido - do que uma bomba bem
 instalada". Em 15 de julho, a Administracao Clinton formou uma
 Comissao de Presidente sobre a Protecao da Infra-estrutura
 Critica, com o proposito de identificar a natureza das ameacas a
 infra-estrutura norte-americana, tanto eletronica quanto fisica e
 de trabalhar com o setor privado no sentido de estabelecer uma
 estrategia para a protecao dessa infra-estrutura. Em uma
 audiencia recente, membros do sub-comite foram informados que a
 cada ano, ocorrem 250.000 intrusoes aos sistemas de computacao do
 Departamento de Defesa, sendo a taxa de sucesso da ordem de 65%.

 BNA Daily Report for Executives 17 jul 96 A22

 Incrivel, ne'?

 Mas nao e' so' num ou noutro jornal ou revista que os EUA estao se
 preparando. Hollywood ja' comeca a preparar a opiniao publica, haja visto o
 ID4, vulgo "4 de Julho", o filme sobre invasao extra-terrestre. Dava p.
 fazer um livro so' com as imprecisoes do filme (ideal como diversao). Mas
 nas entrelinhas, tava la' o futuro tipo de guerra. Um virus de computador
 colocado na nave-mae dos alienigenas (pra quem nao sabe, alien e' tambem
 sinonimo de estrangeiro em situacao ilegal), que permite o abaixamento das
 defesas e a vitoria final. Porem existem outras obras.
 O Terminal Compromise e' um thriller. Daqueles que emanam uma
 afirmacao do tipo "nao li nada do Proust p. escrever isso". Mas e' uma obra
 de arte e merece ser lido (afinal de contas, ta' disponivel gratuitamente
 na rede). Os viloes sao parte frutos de situacoes de conflito nas quais os
 EUA se envolveu, como a guerra do Golfo, e comandados e financiados por um
 japones que faz o "Kaiser Soza" (filme "Os suspeitos") parecer apenas um
 "turquinho safado".
 Toda guerra tem um motivo. No caso, a vinganca pelo bombardeio de
 Hiroxima, na 2a guerra mundial. Um sobrevivente, que se torna depois um
 rico e poderoso super-empresario, decide cobrar a coisa. O "general" dessa
 guerra e' um genio matematico recem-saido do NSA, agencia de inteligencia
 americana da qual nutre enorme ressentimento. O exercito, parte constituido
 por grupos terroristas islamicos, parte recrutado entre crackers e
 fabricantes de virus, parte constituido por escroques e malandros. Os
 terroristas ficam com tarefas como assassinatos, ameacas, espionagem
 atraves de sistemas TEMPEST e colocacao de bombas de efeito magnetico.
 O TEMPEST e' o maior risco atual no que se refere a invasao de privacidade,
 "enxergar" a emanacao da radiacao de uma tela de computador ate' a
 distancia de mais ou menos 1 quilometro de distancia. Existe. E' como ter
 sujeito olhando por cima do seu ombro a mais de um quarteirao de distancia
 tudo o q. aparece na tela do seu micro. So' imagina.. Sao usados monitores
 do tipo p. espionar industriais (no livro) com o fim de chantagem, para
 confundir o FBI, alem de facilitar break-ins em bancos de dados (no livro).
 Os terroristas tambem plantam aqui e ali algumas bombas de efeito
 magnetico, capazes d apagar todos os dados armazenados em computadores meio
 perto da area de detonacao. Em instituicoes financeiras ... iam causar
 um estrago. Como saber quem depositou quanto, se os back-ups forem
 apagados?
 Os crackers e hackers aparecem no seguinte esquema: uma companhia
 fabricante do software que abastece a maioria dos computadores americanos
 (donde se entende porque re-inventar uma historia da computacao atual) na
 verdade vende o software com um virus embutido, com data para funcionar a
 partir de uma data X. E isso nao e' tudo. A maior BBS do pais, responsavel
 pela divulgacao de software shareware e freeware na verdade infecta todos
 os seus programas com outros tipos de virus, tambem com data de ativacao no
 mesmo dia X. Durante o livro, se descobre que todas essas empresas foram
 compradas por gente controlada pelo empresario japones. Quem descobre isso?
 Um jornalista, que e' contactado por um hacker que nao gostou da materia e
 que resolve colocar o dito a par do que e' etica hacker. Isso porque
 "thriller" sempre trabalha no esquema de um mocinho que nao manja nada de
 nada, mas no trabalho de entender tudo, recebe as explicacoes que o leitor
 precisa, para acreditar na historia. E e' uma senhora viagem no "computer
 underground", completando o livro Hacker Crackdown, do Bruce Sterling. Os
 hackers ajudam a salvar a patria, revelando como tirar os virus e como
 solucionar os problemas de software causados pelo "exercito" inimigo. A
 imprensa faz um otimo trabalho de divulgacao desse problemas e todo mundo
 fica bem. Os escroques sao so' a gengiva que segura o dente, controlando as
 comunicacoes a prova de escuta eletronica dos bandidos.
 E' uma ficcao, mas que ilustra bem as possibilidades de um novo tipo
 de guerra onde as vitimas nao irao morrer por meio de explosivos. Serao
 paralisadas p intermedio de virus de computador, distribuidos talvez dentro
 de software comercial e/ou sharware. Os computadores encarregados das
 financas serao inutilizados, gerando panico, confusao e desconfianca. As
 comunicacoes tambem seriam prejudicadas ou mesmo igualmente paralisadas.
 Uma vitoria ou derrota obtida atraves de uma devastacao silenciosa, nao
 violenta, mas humilhante e completa.

 O DIREITO DO CIBERESPACO
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 Edgard Pitta de Almeida (1) - publicado c. a permissao do autor (q. na
 verdade ia me mandar uma versao mais enxuta, mas acabei perdendo contato e
 p mandar isso logo p publico, vai a versao original)

 Sumario
 A questao que se coloca e se o aprimoramento das tecnologias de transmissao
 eletronica de dados e a ligacao dos computadores pessoais em redes mundiais
 do tipo da Internet e outras, fara necessario o estabelecimento de novas
 regras juridicas ou se as normas existentes podem ser adaptadas para
 regular as novas situacoes.

 A explosao das redes

 Se 1995 foi o ano do grande boom da Internet(2) no mundo, em 1996
 assistiremos a sua consolidacao como "o" meio de comunicacao. A grande
 rede, que surgiu com propositos militares no fim da decada de 60 e que
 durante muito tempo somente foi usado pela comunidade academica,
 popularizou-se de forma tal, que foi alcada a categoria de personagem de
 filmes, livros e ate de novela de televisao.

 No Brasil, apesar de todas as dificuldades de estrutura, principalmente
 pela carencia de linhas telefonicas e a baixa velocidade de transmissao dos
 dados, a situacao nao e diferente. Ja sao cerca de 180.000 usuarios
 cadastrados, atraves de mais de 300 provedores de acesso puAblicos e
 privados em todo o pais. Embora a maioria dos provedores esteja localizada
 no eixo Rio-Sao Paulo, praticamente todas as capitais do pais ja dispoem de
 provedores e ha casos de cidades do interior, como Blumenau-SC, que tem 5
 provedores de acesso.

 Da mesma forma, a quantidade de BBS(3) (Bulletin Board System) existentes
 e impressionante: sao cerca de 150, em todo o pais, e esse nuAmero nao para
 de crescer. Somente em Sao Paulo, onde se concentra a maior parte deles, ha
 BBS especificos para praticamente todos os gostos e necessidades, desde os
 genericos como o Mandic e o Comet, ate os dedicados a astrologia
 eesoterismo (Alto Astral), cristaos ciberneticos (Christian), previsao do
 tempo (Climatempo), informacoes financeiras e empresarias (Codep,
 DialData), cultura gay (Mix Brasil e GLS Connect), suporte on-line de
 empresas de computacao (Microsoft, IBM, Viruscan), informacoes juridicas
 (Lex= BBS), entre dezenas de outros, quase todos com recurso de CHAT, que
 permite bate-papo on-line entre usuarios.

 Mas o que se faz, finalmente, na Internet ou num BBS? Ou melhor, com que
 objetivo se conectam computadores numa rede?

 Basicamente, uma rede, qualquer que seja a tecnologia utilizada, tem por
 objetivo compartilhar recursos e facilitar a comunicacao entre os usuarios.
 Assim, e possivel trocar correspondencia eletronica (como se fosse atraves
 do correio), "conversar" com outros usuarios ao redor do mundo, em tempo
 real (em viva-voz, como pelo telefone, ou "por escrito"), assistir, ou
 acessar, informacoes graficas (como na televisao), gravar e utilizar
 softwares dos mais diferentes tipos, fazer reservas aereas, em hoteis e
 restaurantes, ler as uAltimas noticias nos principais jornais do mundo,
 alem de se adquirir produtos e servicos dos tipos mais variados, so para
 citar as possibilidades mais obvias.

 Pode-se tambem difamar alguem ou ameaca-lo de morte, como no recente
 episodio em que foi divulgado um plano minucioso para assassinar a atriz
 americana Jodie Foster, atraves de um grupo de discussao (newsgroup);
 divulgar material pornografico ou atentatorio a moral ou a seguranca;
 invadir uma rede de computadores particular e apropriar-se indevidamente de
 dados sigilosos; violar copyrights, entre outros crimes e contravencoes.

 Em resumo, numa rede deste tipo transmitem-se dados, em forma de texto ou
 digitalizada(4) , em ambas as direcoes, i. e., do computador remoto (host)
 para o usuario local (client) e vice-versa. Ora, dados tambem sao
 transmitidos atraves do correio, do telegrafo, do telex, do telefone, do
 radio e da televisao e nem por isso se cogitou da criacao de um ramo
 autonomo do direito especificamente dedicado a regular as relacoes,
 comerciais ou nao, decorrentes da utilizacao dessas midias(5).
 Seguindo nesse raciocinio, as novas situacoes decorrentes da
 utilizacao da rede, poderiam ser plenamente reguladas pelas regras antigas,
 mediante uma nova interpretacao, eventualmente mais extensiva e adequada
 as= inovacoes tecnologicas.

 Por exemplo, a norma constititucional que preve a imunidade tributaria para
 o livro e o papel destinado a sua impressao poderia ser interpretada
 extensivamente de forma a abranger os livros publicados em meio eletronico,
 tal como o CD-ROM. Parece obvio? Nao o e para o fisco fluminense que
 entende que "o livro eletronico tem caracteristicas de software e quando
 vendido ja pronto e em serie deve ser considerado uma mercadoria, tendo
 como base de calculo o valor total, composto pelo suporte fisico e seu
 conteudo.
 Ainda que contenha as mesmas informacoes publicadas num livro, o
 programa de computador e completamente distinto" (?!) (grifou-se).

 Neste caso especifico, a despeito do brilhante posicionamento do fisco
 estadual, alguns contribuintes ja vem obtendo exito em suas acoes no
 Judiciario sob a alegacao obvia de que as imunidades devem ser
 interpretadas extensivamente. Mas e se se tratasse de uma isencao, que,
 como sabemos, e interpretada restritivamente, a questao seria de tao clara
 resolucao?

 Uma outra questao bem interessante diz respeito a tributacao da prestacao
 de servicos pelo ISSQN. Toda a sistematica de cobranca deste imposto esta
 baseada no conceito de local do estabelecimento prestador, ou do domicilio
 do prestador dos servicos, na inexistencia daquele. A questao se complica
 no caso dos prestadores de servicos on line, que nao tem estabelecimento
 fisico, nem sequer nuAmeros de telefone, mas somente um endereco virtual na
 rede. Esse site pode perfeitamente ser considerado o estabelecimento do
 prestador: ali ele e encontrado para todos os fins e atraves dele os
 servicos sao contratados. Quando possivel, as partes sequer se encontrarao
 ou se falarao, sendo o servico enviado por via eletronica, diretamente para
 o e-mail do beneficiario.
 E' bem verdade que o fisco pode chegar ao domicilio do prestador, mas
 este pode alegar que tem um estabelecimento "virtual", o qual esta alocado
 no provedor "x", que por sua vez esta estabelecido fisicamente em outro
 municipio, ou mesmo outro pais, fora da jurisdicao daquele municipio.
 Por outro lado, ab absurdo, o municipio em que estiver localizado o
 computador hospedeiro desses sites comerciais podera entender que,
 "fisicamente", estes "estabelecimentos virtuais" estao situados naquele
 local, e podera pretender cobrar imposto sobre as transacoes realizadas
 atraves daquele equipamento. Absurdo e fantasioso? Todos nos conhecemos a
 voracidade do fisco...

 A questao da protecao aos direitos da personalidade e da honra tambem e
 bastante controversa. Ao acessar algum desses servicos on-line, o usuario
 pode cadastrar-se com seu nome real ou outro a sua escolha (pseudo ou
 nickname), atraves do qual sera conhecido pelos outros usuarios do servico.
 Caso opte por um nome ficticio, os outros usuarios jamais saberao seu nome
 verdadeiro.

 A questao e se este pseudonimo e passivel de protecao legal.

 Ou seja, alguem pode buscar protecao judicial por sentir-se injuriado
 ou difamado no seu user id, atraves do qual e conhecido naquela comunidade
 virtual? A opiniao de alguns colegas com quem discuti a questao e no
 sentido de nao aceitar a protecao legal ao pseudonimo, ja que na "vida
 real" a pessoa e conhecida pelo seu "nome real", e a protecao legal somente
 alcancaria este.
 Pergunte, entretanto, a qualquer netizen(6) o que e mais importante
 para ele: seu "nome real" ou seu "nome virtual" ...

 Pelos exemplos citados, entendo que o ponto-chave da discussao nao e saber
 se uma nova interpretacao das leis existentes seria suficiente para regular
 as novas situacoes, mas se estas regras sao adequadas a nova realidade.

 Uma nova "realidade"?
 Ora, o direito nao existe independentemente da realidade a que se propoe
 regular e o fato e que estamos vivendo numa nova realidade, a virtual. A
 dificuldade ja comeca em tentar conciliar dois termos, "realidade" e
 "virtual", aparentemente auto-exclusivos, etimologica e conceitualmente:
 "realidade" implica uma ideia de coisa palpavel, enquanto "virtual" e algo
 que existe apenas idealmente.

 O fato e que a realidade virtual, em oposicao a "realidade real" veio para
 ficar, ou como preve o prof. Nicholas Negroponte, um dos gurus dessa nova
 era (sao tantas), "Os atomos serao substituidos pelos bits" (7).

 Segundo ele, as informacoes que as pessoas hoje recebem em forma de
 material palpavel (atomos), passarao a chegar sob forma de bits de
 informatica. Ressalte-se que essa tendencia afeta inclusive as relacoes
 interpessoais. A utilizacao de teleconferencias em substituicao a viagens
 de negocios ja e pratica corriqueira, mesmo no Brasil.

 Nesse contexto, temos que analisar as consequCencias no mundo do direito da
 substituicao do "fisico" pelo "virtual", notadamente no que se refere aos
 aspectos espacial e temporal de criacao da lei e sua aplicacao.

 Ciberespaco e Cibertempo

 O direito e limitado pelo tempo e pelo espaco, aspectos verdadeiramente
 indissociaveis a sua natureza. O aspecto espacial, considerado na criacao e
 aplicacao do direito talvez seja o mais atingido pelas alteracoes
 tecnologicas. Todos nos aprendemos na Faculdade que a lei, como expressao
 da vontade soberana do povo politicamente organizado no Estado, obriga em
 um territorio fisico determinado, assim entendido como a parte do espaco
 sobre a qual o Estado exerce a sua soberania, o que compreende nao so o
 solo e sub-solo, mas o espaco aereo e o mar territorial, alem das aeronaves
 e belonaves, independente de onde estiverem, e os edificios diplomaticos
 (8).

 Os conceitos de territorio fisico e de soberania, entretanto, deixam de
 fazer sentido no mundo virtual. Quando se acessa uma determinada informacao
 disponivel na rede, o usuario nao esta interessado em saber onde aquele
 computador esta localizado, nem por quantos paises aquela informacao vai
 trafegar ate chegar ao seu computador. Ou seja, as novas tecnologias de
 transmissao de dados atraves das redes de comunicacao derrubam por terra as
 fronteiras fisicas entre os Estados.

 Com a queda dessas barreiras no plano virtual, os conflitos entre as normas
 juridicas existentes nos diversos paises diversos tendem a se= manifestar,
 o mesmo ocorrendo nos estados federativos, com o embaralhamento das esferas
 de competencia da uniao, dos estados e do municipios, como no exemplo do
 ISS citado.

 Em sintese, ha que se dar um novo tratamento as varias questoes e conceitos
 que o direito descreve e define em termos espaciais, como e. g., a
 privacidade, que envolve uma ideia abstrata, mas tambem uma ideia espacial,
 e mesmo o conceito de jurisdicao, que e estritamente espacial.

 Entendo, assim, que um novo conceito de espaco se faz necessario para fins
 de tutela juridica na sociedade virtual, o ciberespaco (9).

 O outro aspecto a ser relevado e a questao temporal. O direito emprega o
 tempo, invoca o tempo e tem expectativas a respeito do tempo (10). A lei
 obriga em um determinado tempo; o "fluxo" do tempo e contado, suspenso e
 interrompido; direitos sao extintos e prescritos em funcao do fluir do
 tempo, ou seja, e impossivel isolar o direito da ideia de tempo. e' bem
 verdade que o direito nao pode fazer o tempo parar, nem voltar atras, mas
 pode "parar o tempo" na contagem de prazos ou retroagir para regular de
 forma diferente situacoes ja passadas.

 Ou seja, o tempo nao e apenas uma grandeza fisica, fixa e imutavel. Mas e
 tambem um artefato cultural, e tambem a percepcao que temos do seu papel e
 do seu valor. A percepcao que temos do tempo esta, no mais das vezes,
 intimamente relacionada a velocidade com que os fatos chegam ate nos. Com a
 rapidez das novas tecnologias de transmissao de dados, as "distancias"
 temporais sao encurtadas, de modo que algo que so nos chegaria no "futuro",
 nos e trazido no presente, no momento exato em que esta acontecendo. Todos
 nos pudemos assistir pela TV, confortavelmente instalados na poltrona
 denossas salas, uma guerra acontecer em tempo real, a Guerra do Golfo
 Persico. O impacto seria o mesmo se tivessemos que esperar pela edicao
 semanal de O Cruzeiro para ler as uAltimas noticias?

 A percepcao do tempo, assim como do espaco, definitivamente passou a ter
 outro valor. O que implica dizer que estamos diante de uma nova ideia de
 tempo como artefato cultural: o cibertempo. Ou como afirma o prof. Kastch,
 o cibertempo esta para o tempo, como o ciberespaco esta para o espaco(11).
 Na verdade, nao se trata de dizer que o cibertempo implica simplesmente
 numa aceleracao dos processos relativos a transmissao de dados ou numa nova
 maneira de "medir" o tempo. Implica principalmente numa nova percepcao do
 papel e do valor das ideias de passado, presente e futuro (12).

 O Direito do Ciberespaco

 Em funcao desses questionamentos, facilmente podemos vislumbrar que as
 regras aplicaveis as relacoes juridicas no espaco fisico e temporal, da
 forma como foi construida toda a teoria do direito ate entao, nao podem
 ser as